Defensoria Pública pagou passagem para irmã de ex-servidora, diz Ministério Público
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Investigação do Ministério Público Federal identificou um esquema de desvio de dinheiro na Defensoria Geral da União realizado entre os anos de 1996 e 2005 que incluía o pagamento de viagens para o turismo de parentes de servidores sem qualquer vínculo com a instituição.
A Procuradoria identificou o pagamento de passagem para a irmã de criação de uma ex-servidora do órgão, além de diárias que financiaram a viagem de turismo pela Europa. A ex-defensora pública geral da União Anne Elisabeth Oliveira é acusada de financiar a viagem de ida e volta à Espanha de Maria Ada de Onório, conhecida como sua irmã de criação.
Segundo investigação do Ministério Público, a ex-defensora viajou pela instituição para participar de um congresso na Espanha. Anne Elisabeth, porém, não teria participado do evento e foi acusada de esticar a viagem junto com a irmã para a França e Portugal.
A procuradora Raquel Branquinho, do Ministério Público, não encontrou provas da participação da ex-servidora no congresso. "A ex defensora-geral e sua irmã utilizaram o evento em Madri como um subterfúgio para a realização de uma viagem de turismo pelo continente europeu", diz a procuradora na ação.
Segundo a procuradora, embora o evento fosse ocorrer em Madri com a duração de dois dias, a então defensora pública e sua acompanhante receberam nove diárias cada uma --sendo que as passagens de ida e volta não se deram para o local do evento, mas sim para Paris (França) e Lisboa (Portugal).
"O gasto de dinheiro público com esse evento apresentou-se totalmente ilegal, primeiramente, porque não houve qualquer justificativa que fundamentasse a necessidade de acompanhamento pela irmã de Anne Elisabeth. Também não houve qualquer comprovação de comparecimento no evento ocorrido em Madrid e, por fim, a rota de viagem apurada é totalmente diversa do destino do evento e evidencia que se tratou de uma viagem de turismo apenas", afirma a procuradora.
Corrupção
Além do pagamento de passagens, o Ministério Público identificou desvios de dinheiro público e fraudes em licitações realizadas pela Defensoria Pública Geral da União --que tem como função prestar assistência jurídica gratuita aos brasileiros. A Procuradoria ingressou com ação de improbidade administrativa contra os responsáveis pela defensoria no período entre 1996 e 2005, quando foram encontradas as irregularidades na instituição.
Segundo a Procuradoria, um grupo de funcionários da defensoria fazia uma espécie de "caixa dois" com o dinheiro desviado no esquema de corrupção. Além de desvio de dinheiro e fraudes em licitações, a investigação do Ministério Público identificou outras ilegalidades como fracionamento de compras, superfaturamento e pagamentos de passagens aéreas a terceirizados.
As investigações ainda identificaram a compra de material que nunca foi efetivamente entregue à defensoria, como roupas sociais que supostamente seriam utilizadas por porteiros do órgão.
Os procuradores identificaram entre os envolvidos no esquema, além de Anne Elisabeth, a ex-defensora públicas geral da União Marina Steinbruch e o ex-coordenador de administração da defensoria José Ferreira de Lima. Na ação, a Procuradoria pede a condenação dos envolvidos por improbidade administrativa e o pagamento de indenização aos cofres públicos no valor de R$ 1 milhão --para cada um dos suspeitos de participação no esquema.
Procurada pela Folha Online, a Defensoria Pública disse que as investigações do Ministério Público foram consequência de processo administrativo realizado pelo órgão. Os três servidores foram afastados da instituição e não foram encontrados para comentar as denúncias.
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"Câmara inocenta deputados suspeitos de envolvimento na farra das passagens"
Esses não prestam mesmo. VOTO NULO NELES.
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