Publicidade

Publicidade
Brasil
12/05/2009 - 15h20

Tarso diz que Itália quer transformar Battisti em "bode expiatório"

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) fez nesta terça-feira uma ampla defesa da concessão de refúgio político ao ex-militante italiano de esquerda Cesare Battisti, preso no Brasil desde 2007. Durante audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Tarso disse que o governo italiano quer transformar Battisti em um "bode expiatório" do período de luta armada do país.

Ao rebater as críticas recebidas pelo seu parecer favorável à permanência de Battisti no Brasil, Tarso disse que foi colocado como "ignorante" ao rejeitar a sua extradição --enquanto o ex-militante foi tratado como um "criminoso vulgar".

"No meu despacho, há o reconhecimento de que Battisti foi criminoso político e, como tal, se enquadra no direito de refúgio. Muitos de nós fomos criminosos políticos, provavelmente não pelos mesmos direitos do senhor Battisti. E a maioria de nós tem orgulho do que fizemos naquela época", afirmou.

Tarso classificou o governo italiano de "preconceituoso" ao condenar o parecer concedido pelo Ministério da Justiça favorável à concessão de refúgio para Battisti. "Estamos sendo tratados como país de segunda categoria que não tem direito de aplicar suas leis soberanamente. Como se as leis votadas por esse Congresso Nacional fossem leis irresponsáveis. Fomos tratados como país de segundo nível", afirmou.

O ministro considerou "estranho" que o governo italiano não tenha reagido de forma tão dura junto ao governo francês, que decidiu conceder refúgio a uma ex-militante de esquerda italiana.

"Por que no caso de senhora refugiada na França, por que o Estado italiano jamais se manifestou através dos seus ministros de uma maneira tão violenta, tão agressiva e tão anti-diplomática como fez nesse caso Battisti? Por que [eu] era um ministro de esquerda, teria apoio da mídia para pressionar o Supremo Tribunal Federal? Ou para fazer um ajuste de contas consigo mesmo? Ou seja: levar o senhor Battisti para a Itália para que ele fosse o bode expiatório de um evento histórico, dramático, negativo", afirmou.

Na opinião do ministro, qualquer juiz que analisar com profundidade as denúncias contra Battisti vai concluir que ele cometeu apenas crimes políticos. "Não há provas sobre os fatos imputados ao senhor Battisti. Não há prova testemunhal direta sobre eventuais delitos que tenha cometido. E ele não nega que participou de expropriações, ações de guerrilha, mas jamais feriu ninguém. Era contra que se fizesse esse tipo de atentado."

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca