Amorim nega pretensão de lançar candidatura à diretoria-geral da AIEA
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) negou nesta terça-feira que o Brasil tenha pretensão de lançar sua candidatura a diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Segundo o ministro, esse assunto não foi tratado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Amorim afirmou ainda que não tem pretensão de ser indicado a nenhum posto internacional
O ministro disse que o candidato do Brasil a AIEA é o africano Abdul Samad Minty, de 69 anos --preferido pelos países em desenvolvimento, com quem, de acordo com o ministro, o país mantém uma agenda comum pelo desarmamento nuclear.
"EU queria deixar claro que não fui, não sou, nem serei candidato à agência atômica. Da mesma maneira que não fui e não era candidato para a OMC [Organização Mundial do Comércio] e atribuíram o prestígio que estávamos dando à rodada de Doha a essa minha falsa pretensão", disse.
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Amorim atribuiu à imaginação das pessoas os boatos sobre sua possível candidatura. O ministro afirmou que o país trabalha com duas prioridades: a campanha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 e a pretensão de emplacar a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Ellen Grecie, no órgão de apelação da OMC. "Essas são as nossas prioridades, tudo mais é fantasia", afirmou.
O ministro descartou uma relação entre o desinteresse do governo em apresentar candidatura própria para a sucessão na Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e a disputa pela AIEA.
Amorim reconheceu que os dois brasileiros que se colocaram a disposição para concorrer ao cargo na Unesco tinham chances, mas sustentou que a análise do cenário da disputa realizada pelo governo apontava que o Brasil deveria seguir respeitar a candidatura da liga árabe.
"[O Brasil] teria chance, mas seria uma disputa bastante temida. Nós tomamos a luz desses fatos e outra consideração de que o grupo árabe nunca teve um diretor. O Brasil considera legítima essa pretensão. O Brasil tem uma política de aproximação muito forte com os países árabes e já realizamos duas cúpulas com países da região", disse.
Amorim disse que não pretende concorrer a um cargo internacional. "Essas coisas não dependem de mim, mas não pretendo me candidatar a nenhum posto internacional. O meu desejo é servir o Brasil no governo do presidente Lula", afirmou.
A disputa pela vaga na AIEA ainda não tem data para ocorrer. Dois candidatos disputam o cargo: o embaixador japonês Yukiya Amano, de 61 anos, que conta com o apoio dos países da Europa Ocidental e que, portanto, é o favorito, segundo diplomatas ligados à agência; e o diplomata sul-africano Abdul Samad Minty, que conta com o apoio do Brasil. Para vencer, é preciso que um dos candidatos registre 24 votos dos 35 governadores do conselho.
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