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Brasil
14/05/2009 - 11h31

Battisti diz que voltou a fumar e que teme que Brasil ceda à pressão da Itália por extradição

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da Ansa, em Paris

O ex-ativista político e escritor italiano Cesare Battisti, que aguarda o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) de um pedido de extradição feito pela Itália, disse ter medo de que o Brasil ceda à pressão do governo italiano.

"Temo que o Estado brasileiro não possa enfrentar a pressão do governo italiano", afirmou o ex-ativista em entrevista publicada na revista francesa "Paris Match". "O governo italiano fez de mim o chefe, o assassino, o monstro. Ele exerce muitas pressões políticas. É um interesse exagerado, desproporcional, que eles têm por mim. Eu era um militante qualquer. E por quê tudo isso? Porque eu não aceito a versão deles da história? Por que eu não aceito as mentiras deles?", questiona.

Battisti, preso no Brasil desde 2007, é ex-membro da organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo e foi condenado na Itália à prisão perpétua pela autoria de quatro assassinatos cometidos na década de 1970. Ele se encontra atualmente detido na Penitenciária de Papuda, em Brasília.

Na entrevista, o ex-ativista revela que recomeçou a fumar e que toma antidepressivos e remédios para poder dormir. Ele afirma estar angustiado com a decisão sobre sua extradição e ratificou que pensa em suicídio caso a decisão final seja o seu retorno à Itália. Segundo Battisti, cabe a ele e não a Itália decidir o momento de sua morte.

Novamente, Battisti negou ser o autor dos assassinatos pelos quais é condenado e falou também sobre o novo livro que está escrevendo. O livro ainda "fala sobre mim. Não aguento mais escrever relatos autobiográficos. Mas eu escrevo em terceira pessoa. Tomei muito mais distância. Eu me interesso pelo Brasil. Eu me inspiro nas histórias dos presos. É através deles que eu abro as janelas desse país (...). Em meu livro é o Brasil que eu pretendo mostrar", disse Battisti.

Na última terça-feira, uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados do Brasil discutiu o caso da extradição do ex-ativista italiano.

Na ocasião, o ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, que concedeu o status de refugiado político a Battisti em janeiro passado, afirmou que o governo da Itália pretende usar o caso como símbolo dos episódios violentos que marcaram o país europeu nos anos 70 e que o Brasil "não vai se servir para entregar alguém que será bode expiatório dos anos de chumbo da Itália".

 

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