Brasil
14/05/2009 - 19h42

Resistência do Senado em criar CPI da Petrobras causa discussão no plenário

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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

A discussão sobre a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a Petrobras motivou nesta quinta-feira um bate-boca que durou mais de uma hora no plenário do Senado. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), cobrou a criação da comissão para apurar denúncias de procedimentos irregulares em pagamento de tributos e fraudes em licitações. O senador Mão Santa (PMDB-PI) e o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI) --que se revezaram na presidência-- se recusaram a oficializar a CPI.

Após o líder do PSDB anunciar que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), iria retornar a Casa para ler a criação da CPI, Heráclito passou a presidência da sessão para a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que ignorou os apelos da oposição e encerrou a sessão. Virgílio ainda tentou assumir a presidência, mas foi impedido por Heráclito.

O primeiro-secretário convocou uma reunião de líderes para a próxima segunda-feira para rediscutir o assunto. Durante o debate, Virgílio questionou a validade do acordo fechado hoje entre líderes de governo e oposição e que teria suspendido a criação da comissão até que o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, prestasse esclarecimentos ao plenário do Senado.

O líder tucano argumento que o PSDB não estava representado na reunião que discutiu o adiamento da CPI. A audiência para ouvir Gabrielli está prevista para o próximo dia 25. O primeiro-secretário argumentou que a maioria dos líderes estava presente e, portanto, só o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ou o vice-presidente, poderiam anunciar a quebra do acordo e a criação da CPI.

A oposição reuniu 32 assinaturas --eram necessárias 27. "Não há motivo para adiar a criação desta CPI. É um direito das minorias. O acordo independe do nosso direito de vê a CPI instalada. Nós encaminhamos diversos pedidos de esclarecimentos ao senhor Gabrielli e ele não respondeu", disse. O objeto da CPI é investigar possíveis irregularidades constatadas na empresa em operações da Polícia Federal e de denúncias de sonegação fiscal e de supostas irregularidades no repasse de royalties a prefeituras.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) também pressionaram. "Não queremos CPI contra a Petrobras. Somos a favor da Petrobras, do corpo técnico, do mercado, da importância, do que a Petrobras faz. Agora nenhuma direção está fora da linha de investigação. Por que não investigar a Petrobras? Vamos fazer uma investigação segura, seria e espero do governo o mesmo. E que o governo não coloque uma tropa de choque, mas gente seria que queira investigar", afirmou Guerra.

Heráclito manteve a posição e chegou a ironizar a situação. "Imagina se o ex-senador Antonio Carlos Magalhães entrasse aqui, não iria entender nada. Eu estou sendo criticado pelo PSDB e elogiado pelo PT", disse.

Comentários dos leitores
josé reis barata barata (3429) 11/11/2009 14h38
josé reis barata barata (3429) 11/11/2009 14h38
Apagão!
Parece ter atingido também à moderação em face à lentidão fora do comum na edição das opiniões. Talvez fosse conveniente, em respeito, se é que existe, ao participante um simples comunicado. A dúvida nunca foi boa conselheira; diversamente, é péssima. Mormente entre supostos parceiros envolvidos em um caso supostamente comum: informação.
sem opinião
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Louis Fod (314) 11/11/2009 10h29
Louis Fod (314) 11/11/2009 10h29
Oh Cassio! Fala um pouco sobre o Sarney, da tropa de choque, Renan Calheiros e Fernando Collor de Melo ... Por que será que quando alguém é pago para defender o governo seu único argumento é a economia?
CPI da petrobrás não chegou a lugar nenhum, previsível a maioria é do pt ou tropa de choque, são ratos cuidando do queijo...
--
-- o seu dinheiro é a nossa energia --
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O Pacificador (133) 11/11/2009 08h05
O Pacificador (133) 11/11/2009 08h05
O (o)caso da Petrobras, nunca foi algo que deveria ser tocado por uma CPI.
Ali sempre foi um caso de polícia.
Aparelhamento partidário de uma empresa de capital misto, pública para todos os efeitos, com evidências de desvio da receita para fins eleitoreiros, seria mais do que o suficiente para uma intervenção.
Mas parece que nossa "justiça", nesse caso ao menos, prefere olhar para o outro lado.
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