Manifestantes pedem impeachment de Yeda; governadora nega irregularidades
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
enviado especial da Folha de S.Paulo a Porto Alegre
Sob uma chuva fina e permanente, servidores públicos e estudantes fizeram um protesto pelo impeachment da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), na manhã de ontem, em Porto Alegre. A tucana enfrenta denúncias de suposto caixa dois na campanha eleitoral e uso do dinheiro para compra de uma casa.
O protesto reuniu entre 1.600 e 3.000 manifestantes, conforme os cálculos da Brigada Militar e dos organizadores, respectivamente. A manifestação foi organizada pelo Cpers (Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul), que fez inserções no horário nobre de TV para divulgar o ato.
Depois de 45 minutos em uma passeata pelas ruas do centro da cidade, os manifestantes, usando guarda-chuvas ou capas impermeáveis, fizeram um ato público em frente ao Palácio Piratini (sede do governo gaúcho). Yeda cumpria agenda no interior do Estado.
Com as cores da bandeira do RS (vermelho, amarelo e verde) pintadas no rosto, eles carregavam faixas e cartazes pedindo a saída da governadora. Numa delas aparecia uma foto da casa da governadora e a mensagem: "Esta é uma das provas da corrupção no RS".
Além de sindicalistas e estudantes, políticos de partidos de oposição ao governo Yeda (PT, PSOL, PCB e PSTU) fizeram discursos no comício em frente à sede do governo. Após o ato público, um grupo de cerca de 50 estudantes fez um protesto no saguão da Assembleia Legislativa, que fica ao lado do Piratini. Houve apitaço. O presidente da Casa, Ivar Pavan (PT), recebeu os manifestantes.
Compra legal
A governadora sempre negou qualquer irregularidade na sua campanha eleitoral e sempre declarou que a compra de sua casa foi uma transação legal.
Na última quarta-feira, em Brasília, quando se reuniu com a cúpula do PSDB e também com seu advogado, Eduardo Alckmin, Yeda afirmou que o Ministério Público Estadual e o TCE-RS (Tribunal de Contas do Estado) provaram que o imóvel não foi comprado com dinheiro de caixa dois.
A governadora classificou de "requentadas" as informações divulgadas sobre o caso no último final de semana.
Procurada pela reportagem, a assessoria da governadora disse que o protesto foi organizado pelos mesmos setores que desde o início do governo vêm trabalhando sistematicamente contra Yeda e que eles têm motivações políticas e eleitorais.
CPI
Na Assembleia Legislativa, dois deputados do oposicionista PSB assinaram o requerimento para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar suspeitas de corrupção que pairam sobre o governo.
Com as adesões de ontem, passou para 12 o número de parlamentares que querem a CPI. Para instalar a comissão, é necessário o apoio de 19 dos 55 deputados da Casa. A bancada do PMDB já decidiu que não assinará o documento.
Em Brasília, na quarta-feira, a governadora gaúcha afirmou que será candidata à reeleição.
Outro lado
O governo do Rio Grande do Sul, por meio da assessoria de imprensa da Casa Civil, afirmou ontem que não iria comentar os detalhes da decisão do procurador eleitoral Vitor Hugo Gomes da Cunha de solicitar uma investigação sobre a compra da casa onde mora a governadora Yeda Crusius.
A tucana sempre reiterou, desde quando as suspeitas surgiram, em abril de 2008, que a compra da casa foi legal. Yeda também sempre negou a existência de caixa dois na campanha de 2006.
Por orientação do governo gaúcho, a reportagem ligou também para o advogado Eduardo Alckmin, que foi contratado pela governadora anteontem. Recados foram deixados em dois números de telefone celular, mas, até o fechamento desta edição, ele não havia respondido.
Segundo a assessoria de Yeda, o imóvel foi adquirido por R$ 750 mil, sendo que R$ 550 mil foram pagos como entrada. O dinheiro teria vindo da venda de dois imóveis da família e de um automóvel.
Em entrevista nesta semana ao jornal "Zero Hora", o marido da governadora, Carlos Crusius, negou que tenha recebido dinheiro de caixa dois (R$ 400 mil) durante ou após a campanha de 2006.
Integrantes do governo Yeda afirmaram ontem à Folha que ela tem sido vítima de uma ação política coordenada pela oposição e com apoio de integrantes do grupo que dá sustentação à governadora.
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Isso é alguma novidade?
Qualquer coisa que envolva o governo Yeda, eles serão contra.
A armação feita no RS, é clara, sórdida e claramente favorável á um certo político que dizem, nos áureos tempos de governo militar, fugiu "de prenda" para o Uruguai...
Nada do que pessoas assim façam, deve causar estranheza.
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