Brasil
15/05/2009 - 09h20

Mesa da Câmara propõe criação de "cotão" de R$ 25 mil a R$ 30 mil para deputado

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MARIA CLARA CABRAL
FÁBIO ZANINI
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A Mesa Diretora da Câmara decidiu ontem pela unificação das verbas parlamentares de passagens, correio, telefones, além da chamada verba indenizatória (manutenção de escritórios nos Estados). A medida ainda será levada a líderes partidários na semana que vem.

Deputado embolsa auxílio-moradia e financia apartamento no DF

A decisão da Mesa Diretora foi tomada ontem numa reunião e informada ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que não participou. Temer avalizou a ideia e autorizou que na semana que vem um ato seja redigido e levado aos líderes para que o avaliem. Caso haja consenso, a própria Mesa oficializará as mudanças, sem a necessidade de aprová-las em plenário.

Integrantes da Mesa que participaram da reunião não detalharam como ficará o ato que criará o que está sendo chamado de "cotão", mas a ideia é que o valor da cota única varie de R$ 25 mil a R$ 30 mil, dependendo do Estado de origem do deputado --maior quanto mais distante de Brasília, em razão do valor da tarifa de avião.

Um deputado do Distrito Federal recebe hoje, ao todo, R$ 23.032 mensalmente, enquanto um de Roraima conta com R$ 34.257 mensais.

O uso da cota única deverá ocorrer por meio de um cartão de crédito que a Câmara oferecerá a cada um dos 513 deputados. Não será um cartão corporativo, mas um cartão ligado à conta bancária pessoal de cada deputado. Esse cartão não poderia fazer saques.

Assim, o gasto seria feito e, mediante a apresentação de nota fiscal, a Casa faria o reembolso. Para evitar abusos, a ideia é definir de maneira estrita no que o cartão pode ser gasto. Devem ser incluídos: alimentação, passagem aérea (ou aluguel de jatinhos), aluguel de escritório, deslocamentos terrestres e consultorias. As restrições atuais, como alimentação em Brasília, vão continuar.

No caso das passagens, deve valer a norma de que apenas um assessor por deputado poderia usá-la, mediante consulta à Câmara. Seria vedado a utilização por parentes.

Também haveria, em tese, um controle efetivo da Câmara na hora de pagar as notas fiscais. Gastos que não se enquadrarem no que for estipulado não seriam reembolsados.

Os gastos de cada cartão seriam divulgados na internet. Os deputados teriam três meses após o gasto para apresentar notas, e os saldos seriam cumulativos por um ano.

O "cotão" não seria a unificação total das verbas, no entanto. Permaneceriam inalterados o auxílio-moradia, de R$ 3.000 mensais para deputados que não usam apartamento funcional, e a verba de gabinete, de R$ 60 mil, para contratação de assessores e outros funcionários.

Hoje, a verba indenizatória é de R$ 15 mil, as cotas postais e telefônicas, R$ 4,2 mil, e a de passagem varia de acordo com o Estado do congressistas. A intenção é que o "cotão" entre em vigor até agosto deste ano.

Comentários dos leitores
Elias kuster (50) 27/11/2009 09h26
Elias kuster (50) 27/11/2009 09h26
Senhores leitores!
Imaginem os trabalhadores deste país sendo idenizados por desmandos governamentais e por injustiças praticadas, por quem justo deveria ser com todos, sem distinção, e sem usar dois pesos e duas medidas?
Penso que aí sim seria mais difícil encontrar fundos que viessem cobrir esses desvaneios do Estado.
É fácil para os políticos serem idenizados em até 15.000,00 mil reais mensais, porque são eles que fazem os acordos trancafiapos nos gabinetes sem a participação da grande massa, a qual somente fica sabendo dessa tranbicagem depois que o fato já está consumado.
Não acredito que seja feito algo para que alguém seja culpado por isso. São eles que decidem tudo.
Ou alguém acredita?
Entretanto, vamos continuar a escrever gritando até que alguém escute o lamento de quem clama por justiça sem nenhum favorecimento político.
Não vamos desanimar...........................
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alecio ferraz (31) 26/11/2009 12h04
alecio ferraz (31) 26/11/2009 12h04
Vivemos em um pais com um potencial de riquezas imensuráveis... Petróleo, jazidas minerais
amazonia, potencial turístico, terras férteis, território continental, biodiversidade, etc.
Mas, também um pais que não conseguiu desenvolver sequer uma marca nacional de veículos automotores, um avião de grande porte, um submarino nuclear, um caça militar e outros armamentos ao nível dos países de primeiro mundo.
Um pais que depende de um único estado (São Paulo) para gerar quase a metade da receita federal e o restante dividido aos demais 26.
Um pais que, olhando o mapa geográfico de IDH, percebemos uma exata divisão entre o norte e nordeste e o centro oeste sul e sudeste, deixando bastante claro para todos que onde o coronelismo ainda impera, só existe analfabetismo e miséria...
Assistimos atônitos a falta de investimento em educação e pesquisa, num total desprezo á itens tão importantes para o desenvolvimento de uma nação.
Assistimos obras importantes serem postergadas para o fim de mandatos de prefeitos , governadores e presidentes para que a inauguração coincida com as eleições, alem de aumentos abusivos de taxas e impostos que tanto explora o povo brasileiro.
Não temos escolas... Rodovias modernas e seguras... Segurança.... Sistema viário urbano que comporte a massa de veículos existentes... Transporte urbano decente... Sistema de saúde que realmente assista a população, um judiciário que se possa confiar...
O que assistimos sim, é a corrupção, a irresponsabilidade administrativa, a incompetência , o corporativismo, o coronelismo, o desmando com o erário publico, malversação de verbas, etc.
"Por isso e muito mais, é que hoje não acredito mais nas instituições desse pobre pais, relegado ao eterno "pais do futuro", "emergente", ou "quem sabe um dia"...
Mais atônito ainda fico com a letargia desse povo, que não se importa com o que realmente o atinge, ou seja, o que fica aqui exposto.
Votar? Pra que? Melhor viajar com a família e justificar no posto eleitoral mais próximo no destino visitado...
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Oldeir Ramos (2) 26/11/2009 10h16
Oldeir Ramos (2) 26/11/2009 10h16
Eles podem tudo, inclusive justificarem-se por erros passados. Lamento!
Temer "defendeu penas "alternativas" para os deputados envolvidos em irregularidades, como no caso das notas fiscais. Como o Conselho de Ética da Câmara já absolveu o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) por suposto uso irregular da verba indenizatória, Temer disse acreditar que penas alternativas possam ser aplicadas pelo conselho para punir os deputados, ao invés da cassação do mandato.
Presidente Temer: o corporativismo impera entre os políticos brasileiros, talvez V. Exa. esteja se auto-protegendo, pois: defender penas "alternativas" para esse tipo de "crimes", só porque o Conselho de Ética da Câmara já absolveu o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) por suposto uso irregular da verba indenizatória... É inqualificável!
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