Brasil
16/05/2009 - 00h21

Governo não consegue impedir criação de CPI da Petrobras no Senado

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A ação do governo federal não foi suficiente para impedir a criação, nesta sexta-feira, da CPI da Petrobras no Senado. A base aliada do governo federal não conseguiu convencer o mínimo necessário de seis senadores para retirar as assinaturas do requerimento que pede a criação da CPI --o que inviabilizaria sua instalação. Sem reverter o quadro, a comissão deve ser instalada nas próximas semanas na Casa Legislativa.

Saiba o que a CPI quer investigar sobre a Petrobras

Ao longo do dia, o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e líderes governistas representados pelo senador Gim Argello (PTB-DF) deflagraram uma operação de guerra para tentar convencer parlamentares a retirarem o apoio à comissão. Múcio disparou telefonemas para senadores governistas e da oposição na tentativa de reverter a criação da CPI.

Nos bastidores, os governistas chegaram a convencer pelo menos quatro parlamentares a desistirem da criação da CPI. Os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Adelmir Santana (DEM-DF) retiraram oficialmente as assinaturas, mas o número não foi suficiente para impedir que a CPI fosse instalada. Os governistas não quiseram tornar públicos os nomes dos demais parlamentares que teriam mudado de ideia quanto à necessidade da comissão ser criada, já que o número mínimo não foi atingido.

A oposição havia reunido 32 assinaturas com o pedido de instalação da comissão, cinco a mais que o mínimo necessário de 27 senadores --como previsto pelo regimento do Senado. Para enterrar a CPI, seis senadores tinham que retirar suas assinaturas do requerimento, número que não foi atingido pelo governo. O regimento do Senado estabelecia a meia-noite desta sexta-feira como prazo máximo para a inclusão ou retirada de assinaturas do texto.

Nas negociações, Múcio disparou telefonemas inclusive para senadores do DEM --que haviam concordado em suspender temporariamente a criação da CPI. O PSDB acabou ficando isolado na defesa da comissão, o que provocou um racha da oposição no Senado.

Irritados com a possibilidade de suspensão da CPI, os tucanos forçaram a leitura do requerimento de criação da comissão na manhã desta sexta-feira com o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) na presidência dos trabalhos do Senado. Após a leitura, os governistas deflagraram a "operação abafa" da CPI --que acabou sem conseguir enviar o requerimento de criação da CPI para o arquivo.

Ofensas

Nesta quinta-feira, líderes tucanos trocaram ofensas com o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que se recusou a fazer a leitura do requerimento de instalação da CPI no plenário do Senado. A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), segunda-vice presidente do Senado, foi chamada às pressas para encerrar a sessão plenária e impedir e leitura do requerimento. Os senadores Tasso Jereissatti (PSDB-CE), Arthur Virgílio (PSDB-AM) e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), subiram na tribuna do Senado e deram prosseguimento à sessão mesmo com ela já encerrada pela petista.

O PSDB defende a CPI para investigar possíveis irregularidades constatadas na Petrobras em operações da Polícia Federal e de denúncias de sonegação fiscal e de supostas irregularidades no repasse de royalties a prefeituras. Os tucanos cobram a investigação de indícios de fraudes nas licitações para reformas de plataformas e exploração de petróleo, assim como nos contratos firmados pela estatal.

No requerimento de abertura da CPI, os senadores também pedem que a comissão investigue indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, denúncias de desvios de royalties de petróleo e supostas fraudes fiscais na Petrobras.

O pedido de criação da CPI foi motivado pela Operação Águas Profundas, da Polícia Federal, que desmontou um esquema de fraudes em licitações para a reforma de plataformas de petróleo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a instalação da CPI em meio à crise econômica internacional. Lula criticou o PSDB e chamou a criação da CPI de "irresponsável" e "briga de adolescente". A oposição, por sua vez, classificou o presidente de "autoritário".

Comentários dos leitores
dario alves de lima (77) 25/11/2009 10h23
dario alves de lima (77) 25/11/2009 10h23
A oposição recomeçou o processo de privatização da Petrobras, antes mesmo de chegar ao poder.
Saudações
Dario
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Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h11
Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h11
Pela reportagem de valdo cruz, de 04.09.09, ver-se claaramente que a petrobrás não pertence mais ao brasil. Não tem ações ordinárias, (poder de voto) nem preferenciais, (nem lucra com ela). Isso bate com o que dilma falou, o pré-sal não trará benefícios para o brasil, ou seja o que produzir vai lá pra fora. Então pra que ficarem com essa balela de petróleo, que já não é mais nosso, se ele só traz mais dor de cabeça para a população? Esse governo não entende que preços altos só implica em pagamento de rendimentos para os acionistas e nenhum benefício para o país?
PETROBRÁS NÃO É BRASILEIRA= VALE, entre outras.
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Maurício Carvalho (31) 25/11/2009 00h30
Maurício Carvalho (31) 25/11/2009 00h30
A nossa apatia com as tais CPIs tem fundamento porque, aqueles que estão no poder, movimentam todos os instrumentos para brecarem qualquer investigação.
Por isso, presido uma associação que aciona o Ministério Público. Sempre aconselhamos os políticos que desejam apurar irregularidades a fazerem o mesmo. E foi isso que o senador Álvaro Dias fez.
Ele entregou 18 representações à Procuradoria-Geral da União, contra a Petrobras. Os documentos apontam irregularidades cometidas pela atual administração da estatal e algumas de suas subsidiárias.
Infelizmente, não conseguimos extinguir o foro privilegiado.
sem opinião
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