PSDB escala cúpula do partido para integrar CPI da Petrobras no Senado
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O PSDB vai indicar a cúpula do partido para integrar a CPI da Petrobras, no Senado, com o objetivo de evitar que as investigações sejam conduzidas exclusivamente pela base aliada na Casa. Os tucanos escolheram os senadores Álvaro Dias (PR) Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE), atual presidente da legenda, para integrar a comissão parlamentar de inquérito.
"Isso demonstra como queremos uma CPI de alto nível. Temos o nosso presidente, um ex-presidente da legenda e o senador que propôs as investigações. Estamos homenageando a Petrobras com os nomes que indicamos", ironizou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
O PSDB está disposto a brigar pela presidência ou a relatoria da CPI, uma vez que o Senado tem como tradição dividir o comando das comissões entre o governo e a oposição. Os governistas, porém, reivindicam os dois cargos de comando já que o PSDB rompeu o acordo firmado na Casa para suspender a instalação da CPI.
Diante a resistência dos governistas, os tucanos ameaçam endurecer o tom das investigações caso não fiquem com a presidência ou a relatoria da comissão.
"Os fatos é que vão definir o destino da CPI. Tropa de choque [do governo] não serve para impedir a investigação. Na CPI do mensalão, eles tinham o presidente e o relator que se comportaram muito bem. Não adianta ter o relator e presidente se eles, amanhã, vão ser obrigados pela opinião pública a se portar como o momento exige", disse Virgílio.
Assim como o líder tucano, Dias afirmou que o clima na CPI pode não ficar tão "ameno" caso o governo insista em comandar a comissão. "Se houver espaço para a atuação da oposição, a CPI será muito mais tranquila do que se não houver. Queremos o respeito à tradição da minoria", declarou Dias.
Vagas
O PSDB vai tentar convencer o DEM a ceder uma das vagas de titulares da comissão ao partido, uma vez que o requerimento que pediu a instalação da CPI foi apresentado por Dias. Os tucanos ficariam com duas vagas de titulares e uma de suplente na CPI, enquanto os democratas teriam uma vaga de membro titular e outra de suplente.
Os governistas, por sua vez, somam oito das 11 vagas de titulares da comissão. Na suplência, os partidos da base aliada do governo também têm direito a ficar com cinco das sete cadeiras.
A divisão do espaço de cada partido na CPI tem como base o tamanho das bancadas no Senado. Como o DEM tem um senador a mais que o PSDB, os democratas têm direito a indicar dois membros titulares da comissão, contra apenas um dos tucanos.
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