Sarney diz que vai nomear integrantes de CPI se líderes não indicarem os senadores
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira que vai cumprir "rigorosamente" o prazo de instalação da CPI da Petrobras na Casa Legislativa. Sarney afirmou que se os líderes partidários não indicarem até amanhã, no fim do dia, os senadores que vão integrar a comissão, ele próprio vai nomear os parlamentares --como previsto pelo regimento da Casa.
"Eu vou cumprir o regimento rigorosamente. A partir de amanhã, eles têm que apresentar e pelo que determinou o Supremo Tribunal Federal, os que não apresentarem eu nomeio", afirmou.
O prazo para as indicações dos senadores que vão integrar a CPI termina amanhã. A prerrogativa de indicar os integrantes da comissão é dos líderes dos partidos na Casa. O STF determinou que, se os líderes não indicarem os integrantes, o presidente do Senado tem o prazo de três sessões plenárias para escolher os membros da CPI.
A base aliada governista ficou com oito das 11 vagas de titulares na comissão, contra três senadores da oposição. Os líderes da base aliada do governo prometem indicar amanhã os nomes dos parlamentares que vão compor a comissão. Com a disposição de atrasar o início das investigações, os governistas articulam nomes alinhados com o Palácio do Planalto para evitar arranhões na imagem da Petrobras.
Entre os governistas, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), já decidiu que não vai indicar os quatro senadores do partido que assinaram o requerimento de criação da CPI: Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), Pedro Simon (PMDB-RS), Mão Santa (PMDB-PI) e Geraldo Mesquita (PMDB-AC). Como o PMDB orientou a bancada a não aderir à criação da CPI, Renan não está disposto a escolher senadores que desrespeitaram a sua orientação.
Os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO) já se mostraram dispostos a integrar a CPI. Jucá é cotado para assumir a relatoria, mas Renan nega já ter definido os nomes dos peemedebistas que vão integrar a comissão.
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante, é cotado para integrar a comissão. O nome de Mercadante é apresentado como um dos possíveis relatores da CPI, mas o PMDB tem resistências à indicação do petista. A disposição dos governistas é ficar com a presidência e a relatoria da CPI, os dois cargos de comando da comissão.
A oposição, por sua vez, também disputa a presidência da CPI. O DEM indicou o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (BA) para o cargo, na expectativa de que o governo aceite o nome do democrata --que tem o perfil sereno. O PSDB, por outro lado, tenta emplacar o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) na presidência da CPI, uma vez que o tucano foi responsável por reunir as assinaturas necessárias para a criação da comissão no Senado.
Mérito
Sarney evitou comentar o mérito da CPI da Petrobras ao afirmar que, por ser presidente do Senado, vai se manter isento nas discussões sobre a comissão. "Eu cumpro o regimento naquilo que ele determinar para que os trabalhos prossigam de modo que esta CPI encontre seus objetos, cumpra seus objetos. Ela é inteiramente do domínio dos políticos", afirmou.
Leia mais sobre a CPI da Petrobras
- Aliados vão usar regimento para atrasar o começo da CPI da Petrobras do Senado
- Oposição diz que não aceita deixar comando da CPI da Petrobras com aliados do governo
- Cabral diz temer que CPI da Petrobras faça sensacionalismo político
Leia outras notícias de política
- Aposentados fazem protesto no Congresso contra veto de Lula a reajuste de 16,67%
- Justiça Federal adia para 4 de junho depoimento de FHC no caso do mensalão
- Roseana Sarney marca para 4 de junho cirurgia para retirar aneurisma cerebral
Especial


Saudações
Dario
avalie fechar
PETROBRÁS NÃO É BRASILEIRA= VALE, entre outras.
avalie fechar
Por isso, presido uma associação que aciona o Ministério Público. Sempre aconselhamos os políticos que desejam apurar irregularidades a fazerem o mesmo. E foi isso que o senador Álvaro Dias fez.
Ele entregou 18 representações à Procuradoria-Geral da União, contra a Petrobras. Os documentos apontam irregularidades cometidas pela atual administração da estatal e algumas de suas subsidiárias.
Infelizmente, não conseguimos extinguir o foro privilegiado.
avalie fechar