Brasil
26/05/2009 - 07h49

PF vê ligação entre assessora de Yeda e fraude em obras públicas

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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

Assessora direta da governadora Yeda Crusius (PSDB-RS), Walna Vilarins Menezes foi apontada em inquérito da Polícia Federal como "elemento de ligação" entre o governo gaúcho e um suposto esquema de fraude em obras públicas no Rio Grande do Sul.

Batizada de "Operação Solidária", a investigação apura o suposto superfaturamento em obras viárias e de saneamento básico e na construção de barragens. O foco da investigação recai sobre o suposto favorecimento ilegal de duas empreiteiras gaúchas, a MAC e a Magna Engenharia, em licitações.

Com acesso direto à governadora, Walna é considerada uma das mulheres mais poderosas do círculo de Yeda. Oficialmente o cargo que ocupa é coordenadora das ações de governo, mas deputados governistas afirmam que cabe a ela exercer controle das nomeações e exonerações do governo.

As atividades de Walna chamaram a atenção da PF depois que ela se encontrou com a empresária Neide Viana Bernardes e Edgar Cândia, dono da Magna, em abril do ano passado. O encontro, segundo a PF, foi marcado no estacionamento de um shopping e depois as duas se encontraram com Cândia na sede da empreiteira.

Na ocasião, estava em curso a preparação dos editais para a licitação das obras de construção das barragens de Jaguari e Taquarembó (interior do RS), orçadas em R$ 150 milhões com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Num dos telefonemas grampeados pela PF no dia 16 de maio, Neide e Cândia conversam sobre o lançamento das obras das barragens quatro dias antes. Na conversa, segundo transcrição no inquérito, Neide diz que recebeu a informação de que "tá tudo combinado" e que a "progenitora maior do Estado sabe".

O edital da licitação foi lançado em 30 de maio e a Magna Engenharia foi anunciada como uma das empresas vencedoras para prestar serviços na elaboração do projeto de Taquarembó em novembro.

Neide e Cândia já foram indiciados por crimes de corrupção, fraude em licitação e formação de quadrilha.

O inquérito conduzido pela Delefaz (Delegacia de Combate a Crimes Fazendários) descreve a assessora de Yeda como "elemento de ligação". "Conclui-se que todo o engendramento político parte através de Neide e aí é partilhado com Walna, de onde é repassado a seu escalão superior, com ênfase neste momento em relação a Chico Fraga", diz trecho do inquérito a que a Folha teve acesso.

Fraga (PSDB) é o ex-secretário de Governo da Prefeitura de Canoas (RS), réu na ação penal sobre a fraude do Detran e investigado pela PF na operação.

No final de semana, o jornal "Zero Hora" publicou trechos de transcrições de telefonemas trocados entre Walna e Neide em julho do ano passado.

Em 21 de julho de 2008, Walna diz a Neide que precisa de "flores". Quando a empresária pergunta quantas flores, afirma que pode ser "de cinco ou meia dúzia assim num arranjo só, assim num o quanto der". Segundo o jornal, a PF afirma que "arranjos" e "flores" seriam um código para dinheiro. A investigação corre em segredo de Justiça.

Outro lado

A assessoria do governo do Rio Grande do Sul disse que não comentaria telefonemas interceptados pela Polícia Federal entre a assessora Walna Vilarins Menezes e investigados na Operação Solidária.

O advogado de Walna, Norberto Flach, disse ontem que ela não tratou de licitações nas conversas que manteve com a empresária Neide Bernardes --as duas eram amigas, de acordo com o advogado.

Segundo ele, a assessora da governadora não é investigada pela PF e só teve telefonemas gravados porque conversou com pessoas que eram alvos da Operação Solidária.

"Procurei a Polícia Federal para pôr a minha cliente à disposição para dar esclarecimentos e eles nem quiseram ouvi-la. A Walna e a Neide sempre conversavam sobre assuntos pessoais, jamais trataram de contratos", disse Flach.

Ele disse que as interpretações dadas pela PF a telefonemas da assessora são "altamente especulativas".

O advogado também negou as supostas referências cifradas a dinheiro mencionadas pelo jornal "Zero Hora" e reclamou que dados da investigação estão sendo vazados "a conta-gotas" por pessoas que pretendem tirar proveito político.

"Não acredito que a PF esteja vazando estes dados, mas se criou uma espécie de folhetim político", disse.

O advogado de Neide Bernardes, Felipe de Oliveira, não quis comentar o teor dos telefonemas em razão do segredo de Justiça, mas também criticou o vazamento de informações.

O empresário Edgar Cândia, dono da Magna Engenharia, não foi encontrado. Recados deixados na empresa não foram respondidos.

O advogado da MAC Engenharia, Felipe Pozzebon, disse que a empreiteira tem "contratos lícitos" e que a investigação "vai constatar que a empresa atua legalmente".

A PF informou que não emitiria informações sobre a investigação em razão do segredo de Justiça. A Folha também não localizou Francisco Fraga ontem à tarde.

Comentários dos leitores
O Pacificador (201) 26/11/2009 12h04
O Pacificador (201) 26/11/2009 12h04
"Servidores ameaçam greve contra plano de Yeda Crusius..."
Motivados por quem é contra a "meritocracia".
Que coisa horrível essa meritocracia, não é?
Aonde já se viu? Premiar quem trabalha mais, se esforça mais, supera metas...
Que coisa absurda...
O legal mesmo, para quem pensa assim, é a aquela imensa vala comum da mesmice...
Onde quem faz mais, é porque "quer aparecer"...
Tem gente, que ainda não percebeu que estamos no século XXI...
sem opinião
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Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 09h24
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 09h24
Pelo jeito..., pode ter "áudio, filme, pedaços de gente, dinheiro na cueca, ambulâncias, mensalões, mansões sonegadas, 181 diretores, fantasmas e etc...e etc..., podem ter milhares de provas contundentes contra "políticos e autoridades"..., nada disso vai adiantar e nada disso vai servir como provas..., neste país, para alguém ir para a cadeia e ser punido só tem um jeito..., precisa ser "POBRE"..., aí então, com poucas ou nenhuma prova, vai para a cadeia com certeza..., a Yeda, Agaciel, Zoghbi, Sarneys, Dantas, asseclas e quadrilhas, jamais serão presos ou sofrerão algum tipo de penalidade..., a grana alí é das grossas e o "stf" jamais vai deixar serem penalizados. 2 opiniões
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Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h03
Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h03
Alguém pode me dizer quando um ocupante do poder executivo foi preso, municipal, estadual ou federal? Se devolveram algum centavo para os cofres públicos.? 1 opinião
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