Procurador da Satiagraha diz que troca de telefonemas com Protógenes foi normal
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para Folha Online
O procurador da República em São Paulo Rodrigo de Grandis classificou nesta terça-feira como normal a troca de telefonemas com o delegado Protógenes Queiroz durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal. O delegado presidiu a primeira fase das investigações e o procurador ofereceu a denúncia contra os indiciados pela PF.
Deflagrada em julho de 2008, a Operação Satiagraha investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity.
Ontem, ao acatar a denúncia do Ministério Público Federal contra Protógenes por violação de sigilo e fraude processual, o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal de São Paulo, registrou em sua decisão a existência de vários telefonemas entre Protógenes, De Grandis e o juiz do caso, Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo. Os telefonemas teriam ocorrido no período da investigação e entre o primeiro e o segundo pedido de prisão de Dantas.
"Isso não me preocupa de maneira alguma porque o procedimento do Ministério Público Federal e do procurador encarregado do caso é conversar com o delegado que preside as investigações. Isso é comum e regular. Não aconteceu só na Satiagraha. Seria absurdo, irregular, anormal o fato de procurador ou o delegado conversar com o investigado. Se tivesse uma ligação entre Daniel Dantas e o procurador", afirmou De Grandis.
O procurador também criticou a posição do juiz ao avaliar o mérito das provas da Satiagraha. Segundo De Grandis, Mazloum não pode fazer uma antecipação do mérito das provas porque ele não é o juiz do caso.
"Essas provas devem ser analisadas pelo juiz natural, que é o doutor Fausto De Sanctis. [...] O Tribunal Regional Federal da 3ª Região já decidiu por habeas corpus por votação unânime que as provas são válidas. A participação da Abin [Agência Brasileira de Inteligência] na investigação é regular e legítima. Então esse tipo de decisão por parte do magistrado [Mazloum] não influencia em nada porque o Tribunal Regional Federal já decidiu sobre isso", afirmou De Grandis.
Leia mais sobre a Operação Satiagraha
- Grupo Opportunity critica Satiagraha e questiona provas de suborno
- Protógenes diz que vazamento de informações é "falácia"
- Justiça acata denúncia contra Protógenes por violação de sigilo e fraude processual
Leia outras notícias de política
- José Alencar diz que seu "tumor é bravo" e pede que rezem por ele
- Senado fechou 1.200 contratos de empréstimo consignado acima do limite, diz secretaria
- Justiça ouve mais quatro testemunhas do mensalão em SP; quatro não foram localizadas
Especial


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar