Deputado do castelo resiste em responder perguntas e diz que verdade "virá à tona"
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
O interrogatório do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) no Conselho de Ética da Câmara nesta terça-feira foi marcado por tropeços e resistências do parlamentar em responder as perguntas. Apesar disso, o deputado deixou a reunião do órgão disciplinar dizendo que tem "tranquilidade para deitar e dormir porque a verdade virá à tona".
Edmar afirmou que se sente constrangido ao chegar aos 70 anos --que serão completados em setembro-- envolvido neste escândalo. "Eu saio daqui hoje absolutamente constrangido. É um constrangimento diuturno. Faço 70 anos bem vividos, mas às vezes me perco para entender porque isto está acontecendo. Vivo um constrangimento com meus amigos, minha família, mas o constrangimento maior é entre os membros desta Casa porque tenho que dar satisfação de tudo isso. Mas, por outro lado, por incrível que possa parecer, tenho tranquilidade para colocar a cabeça no travesseiro e durmo porque aquela culpa interna eu não a tenho", afirmou.
Conhecido por ser dono de um castelo em Minas avaliado em R$ 25 milhões, o deputado disse ter certeza que os membros do conselho terão uma postura isenta e imparcial para analisar o caso. "Mas hoje ou a amanhã a verdade virá à tona e tenho certeza também da imparcialidade e seriedade com que esse conselho vai se manifestar", disse
O relator do caso, deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), fez uma apelo para que Edmar convença o tenente reformado da Polícia Militar de Minas Gerais, Jairo Lima --apontado por ele como responsável por sua equipe de segurança-- a prestar depoimento ao conselho. Lima foi funcionário do gabinete do filho de Edmar, o deputado estadual Leonardo Moreira (DEM-MG), e se recusa a comparecer ao órgão disciplinar.
A suspeita é que ele seria um laranja do deputado para comprovar os serviços de segurança privada pagos com a verba indenizatória. O tenente argumentou que já tinha contribuído com os possíveis esclarecimentos sobre o caso ao conselho ao entregar uma declaração confirmando que fazia segurança particular para o deputado. O documento não traz data de quando foi assinado e não especifica os serviços contratados.
Segundo integrantes do conselho, a presença de Lima poderia esclarecer dúvidas sobre a prestação de serviços. De acordo com o relatório da comissão de sindicância criada pelo comando da Câmara para uma análise preliminar das denúncias de irregularidade no uso da verba indenizatória, não há como comprovar se os serviços foram pagos.
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Nós que somos mais esclarecidos e menos ignorantes não temos tempo de ir as ruas, pois na maioria, temos filhos, contas e geralmente muito trabalho. Deveria ser o trabalho da polícia prender ladrões...
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