PMDB e PT indicam nomes de confiança para a CPI da Petrobras; saiba quem
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O PMDB e o PT seguiram a orientação do Palácio do Planalto e indicaram nesta terça-feira senadores afinados com o governo federal para a CPI da Petrobras.
O líder peemedebista no Senado, Renan Calheiros (AL), escolheu os senadores Leomar Quintanilha (TO), Paulo Duque (RJ) e Romero Jucá (RR) para as três vagas de titulares do partido na comissão. Renan ainda indicou os senadores Valdir Raupp (RO) e Almeida Lima (SE) para as duas vagas de suplentes do PMDB na CPI.
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), escolheu os senadores Ideli Salvatti (PT-SC), Inácio Arruda (PC do B-CE) e João Pedro (PT-AM) para ocuparem as vagas de titulares da base aliada governista na comissão. Como suplentes, os governistas escolheram os senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Delcídio Amaral (PT-MS).
O PTB e o PDT, que também integram a base aliada do governo no Senado, indicaram os senadores Fernando Collor e Mello (PTB-AL) e Jefferson Praia (PDT-AM) para duas vagas de titulares da CPI. O senador Gim Argello (PTB-DF), vice-líder do governo no Senado, foi indicado pelo PTB para uma das suplências da comissão.
O DEM e o PSDB escolheram os nomes dos partidos que vão participar da CPI, mas não formalizaram as indicações à Secretaria Geral da Mesa do Senado. A expectativa, porém, é que Sarney formalize os nomes escolhidos pelas duas legendas de oposição até o final desta semana ao lado dos senadores indicados pelos governistas. Os dois partidos de oposição devem formalizar nesta quarta-feira as indicações à CPI da Petrobras.
O PSDB indicou os senadores Álvaro Dias (PR) e Sérgio Guerra (PE), presidente do partido, para ocuparem as vagas de titulares, além do senador Tasso Jereissatti (CE) para a suplência. O DEM, por sua vez, escolheu o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (BA) para a vaga de titular do partido e o senador Heráclito Fortes (PI) como suplente.
ACM Júnior chegou a ser indicado pela oposição para presidir a CPI da Petrobras, mas a base aliada governista comunicou que não pretende ceder nenhum posto de comando da comissão ao DEM ou PSDB. Renan trabalha nos bastidores para indicar Jucá para a relatoria. A senadora Ideli Salvatti é cotada para a presidência da comissão.
Das 11 vagas de titulares na CPI da Petrobras, oito são de partidos da base aliada do governo contra três da oposição. Já dos sete suplentes da comissão, cinco são governistas e dois do DEM e PSDB.
O prazo para as indicações dos senadores que vão integrar a CPI da Petrobras terminou à meia-noite desta terça-feira. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tinha a prerrogativa de escolher por conta própria os integrantes da comissão se os líderes partidários não cumprissem o prazo estabelecido pelo regimento do Senado.
O governo teme a politização da CPI da Petrobras em ano pré-eleitoral. Além disso, o presidente Lula se mostrou preocupado com eventuais arranhões na imagem da empresa provocados pelas investigações em meio à crise econômica internacional. O presidente chegou a pedir aos principais interlocutores do governo no Senado para escolher senadores que não colocassem em risco os investimentos na estatal.
Perfil dos escolhidos
Jucá é líder do governo no Senado e responsável pelas principais articulações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Legislativa. Renan chegou a afirmar que não indicaria líderes partidários para a CPI uma vez que eles têm a prerrogativa de participar da comissão, mesmo sem oficialmente integrá-la. A Folha Online apurou que o peemedebista recuou na expectativa de indicar Jucá para a relatoria da comissão.
Quintanilha e Duque mantêm atuações discretas no Legislativo, mas têm como hábito seguir as orientações do PMDB. Em conversa com Renan, Lula pediu que o líder do PMDB escolhesse senadores que fossem aliados do governo na comissão.
Presidente do Conselho de Ética do Senado, Quintanilha foi apontado como um dos principais aliados de Renan durante os processos de cassação enfrentados pelo peemedebista em 2007, na época em que era presidente da Casa. Almeida Lima foi protagonista das maiores defesas de Renan no Conselho de Ética durante o julgamento dos processos de cassação contra o então presidente do Senado.
O peemedebista é um dos parlamentares mais fiéis da bancada do PMDB. Raupp, por sua vez, é ex-líder do partido na Casa Legislativa e também tem como hábito seguir à risca as determinações partidárias.
Ideli é líder do governo no Congresso e uma das principais aliadas de Lula no Senado, assim como João Pedro. Arruda, apesar de não ser petista, também tem o perfil alinhado com o Palácio do Planalto. O senador já ocupa a relatoria da CPI das ONGs, mas vai acumular os trabalhos nas duas CPIs.
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