PF abre novo inquérito para investigar suposta espionagem de Protógenes
da Folha Online
Atualizado às 15h58.
A Polícia Federal abriu novo inquérito para investigar suposta espionagem feita pelo delegado Protógenes Queiroz. O delegado comandou a primeira fase da Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.
| 08.abr.2009/Folha Imagem |
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| Protógenes é réu em ação por violação de sigilo funcional e fraude processual |
Protógenes, que está afastado da corporação, é réu em ação criminal por violação de sigilo funcional e fraude processual na Satiagraha. A reportagem não localizou o advogado Luiz Gallo, que defende Protógenes, para comentar o assunto.
A abertura do inquérito foi determinada pelo juiz da 7ª Vara Federal de São Paulo, Ali Mazloum, na mesma sentença na qual ele aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra o delegado por violação de sigilo funcional e fraude processual.
No novo inquérito, a PF vai investigar a suposta espionagem de Protógenes contra autoridades dos três Poderes. A denúncia foi publicada na revista "Veja". De acordo com a reportagem da revista, os alvos da espionagem de Protógenes seriam os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), o ex-ministro José Dirceu, o governador José Serra (São Paulo), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Fábio Luiz da Silva, entre outras personalidades.
Em seu despacho, Mazloum diz que foram apreendidos com a equipe de Protógenes "fragmentos indicativos de monitoramento, produção de relatório de vigilância, gravação de áudio e vídeo relacionados com advogados dos investigados na operação, jornalistas, autoridades".
"E, a gravidade disso está na ausência referencial a justificar tais monitoramentos, total falta de norte da origem, a natureza espúria do material encontrado em poder de agentes públicos. Qual a finalidade? A quem e a que serviria o material. Por isso rigorosa apuração deverá haverá de ser encetada", diz ele.
Na denúncia a Justiça, o Ministério Público Federal pedia que a PF esclarecesse a existência de provas sobre a suposta espionagem de Protógenes.
Procurada pela reportagem, a PF informou que não poderia se manifestar sobre o caso. Mas confirmou que recebeu uma determinação de Mazloum envolvendo Protógenes. A reportagem não conseguiu localizar Protógenes para comentar o novo inquérito.
Outro inquérito
Mazloum também determinou à Polícia Federal abertura de inquérito para investigar a troca de telefonemas entre Protógenes e a Nexxy Capital Brasil Ltda, empresa que pertence a Luiz Roberto Demarco. O empresário é adversário de Dantas.
Em seu despacho, Mazloum diz que Demarco é envolvido "em diversas demandas judiciais de natureza comercial, como é público e notório", com Dantas.
"Esse inusitado fato [ligações entre Protógenes e a Nexxy Capital] deverá ser exaustivamente investigado, com rigor e celeridade, para apurar eventual relação de ligações com a investigação policial em questão [Satiagraha], uma vez que é inadmissível e impensável que grupos econômicos, de um lado ou de outro, possam permear atividades do Estado", afirma o juiz.
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