Maílson da Nóbrega nega mensalão mas diz que governo usa emendas como "barganha"
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online
Atualizado às 19h36.
O ex-ministro Maílson da Nóbrega (Fazenda) afirmou nesta segunda-feira que desconhece a existência do mensalão, suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada. Ele disse, no entanto, que o governo utiliza as emendas orçamentárias como "barganha" para votar matérias de seu interesse.
| Alan Marques/Folha Imagem |
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| Maílson da Nóbrega diz que emendas sempre foram usadas como forma de "barganha" |
Maílson prestou depoimento na Justiça Federal em São Paulo, que hoje ouviu mais seis testemunhas de defesa dos réus do mensalão. Ele falou em defesa da presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, acusada de formação de quadrilha, evasão de divisas, gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro.
O ex-ministro disse que só conhece o mensalão pela repercussão na imprensa, mas afirmou que a relação entre o governo Federal e os deputados envolve "barganha".
"O que eu sei é que tanto agora quanto no passado os parlamentares não recebem dinheiro, mas eles recebem recursos para suas emendas parlamentares", afirmou. "Elas são, em alguns momentos, instrumento de barganha para votar ou não matérias de interesse do governo."
Maílson foi indicado por Kátia para defendê-la porque sua empresa, a Tendências Consultoria, prestou serviço para o Banco Rural. Ele elogiou a administração de Kátia, mas negou que tenha tido acesso a possíveis irregularidades por parte do banco, que movimentava as contas das agências de publicidade de Marcos Valério --acusado de ser o operador do suposto esquema.
"A atividade de consultoria não incluiu a entrada na intimidade do banco, de suas operações", disse. "Nós fornecemos informações que permitem ao banco avaliar riscos e identificar tendência na economia."
Acusações
Em janeiro do ano passado, Kátia atribuiu eventuais crimes na gestão do banco a dirigentes já mortos, entre eles José Augusto Dumont, vice-presidente do Banco Rural, morto em abril de 2004.
Em seu depoimento, ela pediu para registrar que "é extremamente injusto imputar às pessoas que ficaram [vivas na gestão do banco] e tentaram administrar aquele legado, qualquer ônus pelo que foi feito no passado".
Hoje, o advogado de Kátia, Theo Dias, negou que o Rural conhecesse a finalidade da movimentação financeira das agências de Valério. "O banco não tinha conhecimento de nenhum esquema de distribuição de propinas a deputados", disse. "O banco tinha um cliente que ordenava saques. Ele deu os saques e comunicou esses saques à autoridade competente. Não tinha conhecimento da forma como esse dinheiro vinha sendo usado."
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