Publicidade

Publicidade
Brasil
01/06/2009 - 19h14

Maílson da Nóbrega nega mensalão mas diz que governo usa emendas como "barganha"

Publicidade

WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para a Folha Online

Atualizado às 19h36.

O ex-ministro Maílson da Nóbrega (Fazenda) afirmou nesta segunda-feira que desconhece a existência do mensalão, suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada. Ele disse, no entanto, que o governo utiliza as emendas orçamentárias como "barganha" para votar matérias de seu interesse.

Alan Marques/Folha Imagem
Mailson da Nóbrega diz que emendas sempre foram usadas como forma de "barganha"
Maílson da Nóbrega diz que emendas sempre foram usadas como forma de "barganha"

Maílson prestou depoimento na Justiça Federal em São Paulo, que hoje ouviu mais seis testemunhas de defesa dos réus do mensalão. Ele falou em defesa da presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, acusada de formação de quadrilha, evasão de divisas, gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro.

O ex-ministro disse que só conhece o mensalão pela repercussão na imprensa, mas afirmou que a relação entre o governo Federal e os deputados envolve "barganha".

"O que eu sei é que tanto agora quanto no passado os parlamentares não recebem dinheiro, mas eles recebem recursos para suas emendas parlamentares", afirmou. "Elas são, em alguns momentos, instrumento de barganha para votar ou não matérias de interesse do governo."

Maílson foi indicado por Kátia para defendê-la porque sua empresa, a Tendências Consultoria, prestou serviço para o Banco Rural. Ele elogiou a administração de Kátia, mas negou que tenha tido acesso a possíveis irregularidades por parte do banco, que movimentava as contas das agências de publicidade de Marcos Valério --acusado de ser o operador do suposto esquema.

"A atividade de consultoria não incluiu a entrada na intimidade do banco, de suas operações", disse. "Nós fornecemos informações que permitem ao banco avaliar riscos e identificar tendência na economia."

Acusações

Em janeiro do ano passado, Kátia atribuiu eventuais crimes na gestão do banco a dirigentes já mortos, entre eles José Augusto Dumont, vice-presidente do Banco Rural, morto em abril de 2004.

Em seu depoimento, ela pediu para registrar que "é extremamente injusto imputar às pessoas que ficaram [vivas na gestão do banco] e tentaram administrar aquele legado, qualquer ônus pelo que foi feito no passado".

Hoje, o advogado de Kátia, Theo Dias, negou que o Rural conhecesse a finalidade da movimentação financeira das agências de Valério. "O banco não tinha conhecimento de nenhum esquema de distribuição de propinas a deputados", disse. "O banco tinha um cliente que ordenava saques. Ele deu os saques e comunicou esses saques à autoridade competente. Não tinha conhecimento da forma como esse dinheiro vinha sendo usado."

Comentários dos leitores
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
"Eleições internas do PT confirmam volta de mensaleiros ao comando do partido..."
É surpresa isso?
A natureza é assim mesmo...
Veja só: Flor do Pântano cresce aonde?
Pois é, com eles não poderia ser diferente...
sem opinião
avalie fechar
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
A partir da ANISTIA E DAS DIRETAS JA.
Surge uma NOVA CLASSE SOCIAL BRASILEIRA.. A DOS POLITICOS ...e que nos dias de hoje supera as demais classes. BAIXA, MEDIA E ALTA.
A CLASSE DOS POLITICOS PODE SER CONSIDERADA ALTA-ALTA - transferências de propriedades, sem exceção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação de recursos do ESTADO, MUNICIPIOS, UNIAO E ESTATAIS,PRIVATIZAÇOES. Apropriadas pelas máfias privadas dirigidas por PARTIDARIOS ALIADOS com a corrupção. Esses novos multimilionários saqueam ESTADOS MUNICIPIOS A UNIAO E GRANDES EMPRESAS ESTATAIS em milhões de dólares.O MEXICO E O BRASIL, são os dois países que privatizaram os monopólios públicos mais lucrativos, os maiores e os mais eficientes. Do total de 157,2 mil milhões de dólares nas mãos de 38 multimilionários latino-americanos, 30 são brasileiros. Alguns acumularam suas fortunas obtendo contratos governamentais, e outros através DE INFLUENCIA POLITICA BENEFICIANDO-SE de relações políticas e suborno de empresas públicas.
E O RESTO É RESTO
Classe alta - Classe média - Classe baixa - Miseráveis
E a CLASSE DE OTARIOS COMO NOS ELEITORES, QUE PAGAMOS POR TUDO ISSO..., QUE SE LASQUE, RECORRER A QUEM SE DOMINARAO TUDO.
EXECUTICO - LEGISLATIVO E ATE O JUDICIARIO COM O STF DANDO LHES COBERTURA...
-----VOTO NULO NAS PROXIMAS ELEIÇOES NESTA CASTA DE MALANDROS---
55 opiniões
avalie fechar
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2974)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca