Publicidade

Publicidade
Brasil
02/06/2009 - 16h55

Agaciel nega envolvimento com supostos desvios no Senado e ataca Zoghbi

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em um depoimento acompanhado somente por quatro senadores, o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia negou nesta terça-feira envolvimento em supostos desvios de recursos da Casa. Ao prestar explicações por cerca de uma hora à Mesa Diretora do Senado, Agaciel partiu para o ataque contra João Carlos Zoghbi, ex-diretor de Recursos Humanos da Casa que lhe acusou de comandar o esquema de corrupção na instituição.

Agaciel disse que Zoghbi é alguém "desesperado" que ataca para tentar ocultar o seu envolvimento no esquema de corrupção. "O que o Zoghbi fez comigo foi uma sacanagem para tirar o dele e colocar o meu. Ele lançou que eu era sócio de todas as empresas [que firmaram contratos com a Casa para operações de empréstimo consignado]. Não fui, não sou e nem pretendo ser", disse Agaciel.

Zoghbi também foi ouvido nesta terça-feira por um pequeno grupo de senadores, mas voltou atrás nas acusações contra Agaciel. Nervoso e acompanhado do seu advogado, Zoghbi pediu desculpas ao ex-diretor-geral do Senado. Agaciel, em contrapartida, prestou depoimento sozinho e adotou postura de confiança ao se explicar para os parlamentares. Os dois depoimentos ocorreram separadamente, sem acareação entre os dois ex-diretores.

"Não sou eu quem vai dizer que alguém aqui é corrupto. Os senhores [senadores] têm imunidade, eu não. Se eu acusar alguém, serei processado por isso. Ele [Zoghbi] fez acusações contra mim e outros dois senadores sem prova nenhuma. Mas eu estou aqui hoje para me explicar sem nem trazer advogado", afirmou.

Na opinião do ex-diretor-geral do Senado, que ficou na função por 15 anos, o Senado não enfrenta problemas revelados nos últimos meses pela imprensa. "O Senado não está ruim o quanto estão dizendo. Estão indo no varejo", disse.

O ex-diretor disse que nunca "nenhum presidente do Senado ou primeiro-secretário" da Casa lhe pediu para cometer irregularidades. "Desafio qualquer servidor da Casa a dizer que o Agaciel deu alguma ordem para ele fazer algo errado. Eu nunca cumpri ordem e nunca dei ordem para nenhuma irregularidade."

Agaciel atribuiu aos ex-presidentes e ex-primeiros-secretários da Casa a responsabilidade por contratos irregulares firmados com bancos e empresas de crédito. "A primeira-secretaria analisa os contratos e a Secretaria de Recursos Humanos executa a fiscalização", disse. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que os senadores que ocuparam a presidência e a primeira-secretaria na gestão Agaciel devem se explicar à Casa.

Esvaziamento

Virgílio criticou a ausência dos parlamentares para acompanharem as explicações dos ex-diretores à Mesa Diretora da Casa. O encontro foi aberto a todos os 81 senadores, mas somente cinco atenderam ao chamado --e alguns se revezaram durante os depoimentos. Zoghbi foi ouvido por Virgílio, Marcone Perillo (PSDB-GO), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Adelmir Santana (DEM-DF).

No depoimento de Agaciel, somente Perillo, Tasso, Virgílio e o senador Tião Viana (PT-AC) acompanharam as suas explicações. O líder do PSDB insinuou que muitos senadores temem "represálias" caso os ex-diretores decidam revelar irregularidades cometidas pelos parlamentares.

Agaciel, porém, rebateu os argumentos de Virgílio. "Eu acho que os outros senadores têm um certo respeito pelo trabalho que eu fiz. São 32 anos de serviços nesta Casa", afirmou. O senador tucano disse, por sua vez, que "rostos amarelos" que não estavam dispostos a acompanhar as explicações.

Denúncias

Zoghbi é suspeito de usar o nome de sua ex-babá, Maria Izabel Gomes, 83, que mora na casa dele, para abrir três empresas --DMZ Consultoria Empresarial, DMZ Corretora de Seguros Ltda e Contact Assessoria de Crédito Ltda. A suspeita é de que parte do faturamento dos últimos anos dessas empresas, cerca de R$ 3 milhões, teria como origem contratos assinados pelo Senado.

À Época, Zoghbi acusou Agaciel de comandar um esquema de fraudes na Casa Legislativa. O diretor chegou a afirmar que senadores Efraim Morais (DEM-PB) e Romeu Tuma (PTB-SP) estariam envolvidos nas irregularidades, mas depois recuou das denúncias em depoimento à Polícia Legislativa --a exemplo do que fez hoje em depoimento aos senadores.

Comentários dos leitores
jose cesta (162) 28/08/2009 22h35
jose cesta (162) 28/08/2009 22h35
"Ato secreto? Que nada. Sarney e Belchior estiveram juntos em fevereiro deste ano"!!!
AGORA ENTENDO PORQUE O BELCHIOR DESAPARECEU.
ELE TEM VERGONHA NA CARA!!!
sem opinião
avalie fechar
Neste país que tem um judiciario comprometido com o poder, jamais esperaremos coisa decente, só o povo pelas suas mãos pode fazer alguma coisa. 1 opinião
avalie fechar
Infelizmente neste brake do sistema perdemos algumas visões e comentarios preciosos. Mas, na atual conjuntura nada que fosse tão pior signitificativo que das ultimas propostas. Creio que se eu fosse um diretor de uma das empresas do Sarney, do Renan, do Collor, de outros, e tomasse as mesmas decisões que esses caras estão tomando, mesmo que ainda reconhecidas pela comunidade empresarial eu ja estaria na rua!!!! Devido um fato, não haveria um comprometimento honesto ,ético, moral de minha parte. Por que será que o presidente da Nação e seu partido não enxergam isto? O pior cego, ja sabemos, o pior surdo tambem ja sabemos, porque jamais seremos governados pela honestidade , pela esperança, pela ombridade o LULA ja foi junto com todos que estão no mesmo barco, precisamos de outros melhores, no Congresso e no Governo, que sem ilusões venha para construir e não se aproveitar da situação. 1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (117)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca