Brasil
02/06/2009 - 18h13

Impasse entre governo e oposição ameaça engavetar CPI da Petrobras no Senado

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A CPI da Petrobras no Senado corre o risco de não ser instalada se governo e oposição não chegarem em um acordo em torno da relatoria da CPI das ONGs, que funciona há mais de um ano na Casa. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), encaminhou pedido nesta terça-feira à Mesa Diretora do Senado para ter de volta a relatoria da CPI das ONGs.

Se não houver acordo com a oposição, Jucá promete recorrer à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e ao plenário para ficar com a relatoria --o que na prática coloca em risco a instalação da comissão antes do recesso parlamentar de julho.

"Eu quero tentar resolver esse impasse amanhã por entendimento. Se não houver acordo, vamos esperar a posição da Mesa. Depois disso tem recurso. Se eles não colaborarem, eu vou esperar meses", afirmou Jucá.

Os governistas estão irritados com a decisão do presidente da CPI das ONGs, Heráclito Fortes (DEM-PI), de designar o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) para a relatoria da comissão. Virgílio assumiu o cargo depois que Arruda se tornou suplente da CPI das ONGs para assumir uma cadeira de titular na CPI da Petrobras.

O regimento interno do Senado impede que um senador seja titular de duas CPIs simultaneamente, por esse motivo Arruda foi destituído da relatoria da CPI das ONGs. Os governistas tentaram reverter a manobra atrapalhada e transformaram novamente Arruda em titular da CPI --mas Heráclito disse que não vai voltar atrás e tirar Virgílio da relatoria.

Jucá argumenta que os governistas foram "leais" à oposição quando o senador Raimundo Colombo (DEM-SC) deixou a presidência da CPI das ONGs para se licenciar do mandato. Na época, Heráclito assumiu a presidência da comissão com o aval dos governistas.

"Acordo feito deve ser acordo cumprido. O acordo com a oposição foi mantido quando o senador Raimundo Colombo saiu da CPI e o Heráclito entrou. Fui eu quem banquei esse acordo com a oposição na CPI das ONGs, me sinto traído", afirmou.

Oposição

Líderes da oposição não acreditam nos argumentos apresentados pelos governistas para retardar a instalação da CPI da Petrobras. Virgílio disse que a "manobra" é consequência da falta de acordo dentro da própria base aliada para a escolha do relator e do presidente da comissão que vai investigar a estatal. Além disso, o tucano sustenta que os governistas vão lutar com suas armas para não instalar a CPI da Petrobras no Senado.

"O governo só vai instalar a CPI depois que o senador Renan Calheiros [PMDB-AL] se entender com o senador Aloizio Mercadante [PT-SP]. Temos que ser mais explícitos", disse Virgílio em referência ao impasse entre os líderes para a escolha dos cargos de comando da CPI.

Comentários dos leitores
dario alves de lima (77) 25/11/2009 10h23
dario alves de lima (77) 25/11/2009 10h23
A oposição recomeçou o processo de privatização da Petrobras, antes mesmo de chegar ao poder.
Saudações
Dario
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Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h11
Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h11
Pela reportagem de valdo cruz, de 04.09.09, ver-se claaramente que a petrobrás não pertence mais ao brasil. Não tem ações ordinárias, (poder de voto) nem preferenciais, (nem lucra com ela). Isso bate com o que dilma falou, o pré-sal não trará benefícios para o brasil, ou seja o que produzir vai lá pra fora. Então pra que ficarem com essa balela de petróleo, que já não é mais nosso, se ele só traz mais dor de cabeça para a população? Esse governo não entende que preços altos só implica em pagamento de rendimentos para os acionistas e nenhum benefício para o país?
PETROBRÁS NÃO É BRASILEIRA= VALE, entre outras.
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Maurício Carvalho (31) 25/11/2009 00h30
Maurício Carvalho (31) 25/11/2009 00h30
A nossa apatia com as tais CPIs tem fundamento porque, aqueles que estão no poder, movimentam todos os instrumentos para brecarem qualquer investigação.
Por isso, presido uma associação que aciona o Ministério Público. Sempre aconselhamos os políticos que desejam apurar irregularidades a fazerem o mesmo. E foi isso que o senador Álvaro Dias fez.
Ele entregou 18 representações à Procuradoria-Geral da União, contra a Petrobras. Os documentos apontam irregularidades cometidas pela atual administração da estatal e algumas de suas subsidiárias.
Infelizmente, não conseguimos extinguir o foro privilegiado.
sem opinião
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