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Brasil
03/06/2009 - 07h20

Operação da PF contra crimes ambientais atinge políticos no Paraná

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JOSÉ MASCHIO
da Agência Folha, em Londrina

A Operação Angustifolia, da Polícia Federal e órgãos públicos do Paraná, interditou ontem 16 empresas madeireiras em São Paulo e no sul do Paraná e prendeu seis pessoas. O prefeito de Bituruna (317 km de Curitiba), Remi Ranssolin (PTB), também com prisão temporária decretada, era considerado foragido pela PF no início da noite de ontem. Três empresários presos em São Paulo não tiveram seus nomes divulgados pela PF.

Estão entre os detidos com prisão temporária decretada: o prefeito de General Carneiro (274 km de Curitiba), Ivanor Dacheri (PSB), o presidente da Câmara Municipal da cidade, José Cláudio Maciel (PSB), e o vice-prefeito de Coronel Domingos Soares (559 km de Curitiba), Volnei Barbieri (PSDB), que foi preso na sua empresa, a Madeireira CDS.

As prisões temporárias foram determinadas pelo desembargador do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região (Porto Alegre) Amaury Chaves de Athayde, que acatou pedido da PF. Como prefeitos estavam envolvidos nos supostos delitos ambientais, a competência para determinar ou não suas prisões é do âmbito do TRF.

Além das prisões, foram interditadas 16 empresas em cidades do Paraná e de São Paulo. Entre as empresas interditadas está a Indústria Pedro N. Pizzatto, da família do deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR). As empresas interditadas estão nos municípios de Bituruna, General Carneiro, Coronel Domingos Soares, União da Vitória, Palmas e Cruz Machado, no Paraná, e uma distribuidora de produtos industrializados de madeira na capital paulista.

A operação da PF --nome científico do pinheiro araucária--, iniciada em 25 de maio, buscava fiscalizar 145 pontos de desmate ilegal de florestas de araucária no sul do Paraná. Na operação, R$ 4 milhões em multas foram aplicadas a madeireiras e serrarias da região. Segundo o superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, nos últimos dez anos empresas da região já receberam cerca de R$ 1 bilhão em multas por crimes ambientais.

Os presos irão responder por crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa e uso de documentos falsos. Além disso, irão responder também por infringir cinco artigos da lei que trata dos crimes contra a ordem tributária e outros seis da Lei de Crimes Ambientais.

Outro lado

O deputado federal Luciano Pizzatto (DEM-PR) disse ontem que tem o ''sentimento'' de que a interdição da empresa de sua família, no Paraná, foi represália política. Ele disse estranhar que as ações da Polícia Federal foram endereçadas a adversários políticos do governo Roberto Requião (PMDB) e do governo federal na região.

''Eu assumo corresponsabilidade na empresa, que é dirigida pela minha mulher, mas é estranho que isso ocorra depois de denúncias contra o ministro do Meio Ambiente [Carlos Minc] feitas a partir de investigações nossa'', disse Pizzatto, que investiga, na Câmara dos Deputados, supostas irregularidades do Ministério do Meio Ambiente no episódio dos bois piratas na Amazônia.

O prefeito de Bituruna, Remi Ranssolin (PTB), procurado pela PF, não foi localizado pela reportagem. O advogado Luiz Ernani da Silva disse que o prefeito de General Carneiro, Ivanor Dacheri (PSB), não foi preso. ''Ele se apresentou após saber do mandado. Não houve prisão, mas sim apresentação."

Silva Filho disse que iria representar também o presidente da Câmara da cidade, José Cláudio Maciel (PSB), dono do escritório contábil no qual seriam produzidas notas falsas para as madeireiras. "Não posso falar nada ainda porque vou falar com ele antes", disse Silva Filho.

Juraci Barbieri, irmão do vice-prefeito de Coronel Domingos Soares, Volnei Barbieri (PSDB), disse que a situação de seu irmão estava indefinida e ainda não tinha constituído advogado para representá-lo. O líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), classificou, em nota, a ação da PF como "terrorismo ambiental". A base política de Rossoni é na região afetada pela operação.

Já o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), usou sua ''escola de governo'' --uma reunião de seu secretariado que ocorre às terças-feiras-- para elogiar a ação da PF. ''Se essa gente não tem consciência ambiental, vai adquirir agora na cadeia'', afirmou.

Comentários dos leitores
ernani sefton campos (136) 11/11/2009 09h41
ernani sefton campos (136) 11/11/2009 09h41
A discussão continua, como a "dos sexos dos anjos".
Assim, não se vai a lugar,algum.
Enquanto o Governo,tratar o assunto, de forma "política, para o Inglês, ver",não passaremos do desmatamento desordenado, e exploração dos recursos,concentração de rendas, etc...,ficará por aí.
A Amazônia e seu processo de desmatamento,requer, a meu ver, a constituição de uma COMISSÃO de notáveis, nas areas de infraestrutura,energia,agricultura,recursos naturais,engenharia de obras,e desenvolvimento sustentável,urbanismo e implantação de cidades e PESSOAS.
Estes, selecionados , reunidos e remunerados, para tal, elaborariam um PROJETO COMPLETO, incluindo o Gerenciamento do mesmo - um plano Marshall Tupiniquim - para Desenvolvimento, da região de abrangência, integrado, a fim de ocupação racional, autosustentável e harmonico.
" FOCO e Desenvolvimento TOTAL "
Teriamos aí, sim o maior PAC , do MUNDO , por 20 anos, futuros.
Até que poderia ocorrer,por osmose, o envolvimento
dos países vizinhos, que margeiam o rio Amazonas.
Dinheiro, pelo visto, não FALTA.Basta organizar e mandar " BALA ".
Aposto neste MEGA PROJETO, como Vitorioso.
sem opinião
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Rodrigo Vieira de Morais (175) 23/10/2009 15h33
Rodrigo Vieira de Morais (175) 23/10/2009 15h33
Gente, teremos que resolver os problemas ambientais, agora ou depois.
Existem diversas areas desmatadas que agora estão com pastagem degradada.
Grande parte dos ruralistas querem mesmo é vender madeira e lucrar muito. Depois vendem a terra aos pequenos produtores rurais (isto aconteceu e acontece em todo o Brasil).
Outra coisa, se o solo da amazonia não mudou, quando desmatarem aquilo-lá, vai tudo virar deserto.
O solo dos EUA e EUROPA é diferente daqui, possui quantidade de argila diferente e capacidade de armazenamento de água diferente, não dá para comparar.
Decisão técnica e não política.
Muitas ONGs são honestas mais que os políticos de plantão.
sem opinião
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Os Estados Unidos criam centenas de ONGs no Brasil que são financiadas em partes por eles, para proteger o meio ambiente. Será?..... Será mesmo que se preocupam tanto com o meio ambiente, ou a concorrência do Brasil no agronegócio esta incomodando. 12 opiniões
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