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Brasil
03/06/2009 - 16h55

Partidos da base articulam para adiar novamente instalação da CPI da Petrobras

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Os partidos que integram a base aliada do governo federal no Senado trabalham nos bastidores para adiar novamente a instalação da CPI da Petrobras. A ideia dos governistas é protelar o início dos trabalhos até o recesso legislativo do mês de julho, o que na prática pode colocar em risco o funcionamento da comissão parlamentar de inquérito na Casa.

Oficialmente, a instalação da CPI foi remarcada para amanhã depois de não ter ocorrido nesta terça-feira. A oposição, porém, admite que os trabalhos podem não ser iniciados nesta quinta-feira --dia em que o Senado tradicionalmente está esvaziado. Na opinião de parlamentares da oposição, a intenção do governo é evitar que a CPI saia do papel.

Na semana que vem, com o feriado de Corpus Christi, a expectativa é que o Congresso também esteja vazio. Em seguida, os parlamentares também devem esvaziar a Câmara e o Senado em consequência das festas juninas no Nordeste --onde estão as bases eleitorais da maioria dos deputados e senadores.

"Eles sabem que semana que vem é morta, depois tem as festas de São João. Não acho que eles não queiram deixar de instalar a CPI, mas pelo menos querem ganhar tempo porque não chegaram a um consenso entre si sobre a presidência e a relatoria da comissão", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse que o partido pode recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para garantir a instalação da CPI se os governistas sinalizarem que não vão dar início dos trabalhos.

"A CPI é direito da minoria, a maioria não pode cercear esse direito. Se não conseguirmos um entendimento, vamos buscar medidas judiciais. Recorrer ao STF pode ser uma alternativa sob a alegação de que está sendo cerceado um direito da minoria no Senado", afirmou Dias.

Em protesto contra a demora na instalação da CPI, a oposição decidiu fazer uma "obstrução seletiva" nas votações do plenário do Senado --o que significa votar apenas projetos que sejam de interesse coletivo, e não do governo federal. "O que a gente achar que é de interesse do governo, vamos pedir vista e não votar", disse Virgílio.

Indicações

Os governistas ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre as indicações para a presidência e a relatoria da CPI. A comissão só pode ser instalada efetivamente com a escolha dos senadores que vão ocupar os dois cargos.

Nos bastidores, os líderes Renan Calheiros (PMDB-AL) e Aloizio Mercadante (PT-SP) disputam as indicações para o comando da CPI. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é cotado para assumir a relatoria, mas enfrenta resistências dentro do próprio partido.

O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) ganha força para se eleger relator da comissão. Como o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) não é mais titular da CPI, Raupp assumiu a vaga aberta com a saída do colega --que se transferiu para a suplência da CPI ao descobrir que terá que ser submetido a uma cirurgia. Ex-líder do PMDB na Casa, Raupp agrada ao grupo de Renan para assumir a relatoria.

Mercadante, por sua vez, trabalha para indicar um parlamentar do PT para a presidência da comissão. Os senadores Ideli Salvatti (PT-SC) e João Pedro (PT-AM) são cotados para o cargo, mas enfrentam resistências do PMDB na queda de braço entre os dois partidos.

Oficialmente, os governistas negam que as disputas dentro da base aliada sejam responsáveis pela demora na instalação da CPI. Os senadores afirmam que adiaram o início dos trabalhos da CPI até que a oposição devolva ao senador Inácio Arruda (PC do B-CE) a relatoria da CPI das ONGs (organizações não governamentais).

O presidente da comissão, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), nomeou o senador Arthur Virgílio para a relatoria depois que Arruda passou a ocupar a suplência da comissão.

Comentários dos leitores
dario alves de lima (77) 25/11/2009 10h23
dario alves de lima (77) 25/11/2009 10h23
A oposição recomeçou o processo de privatização da Petrobras, antes mesmo de chegar ao poder.
Saudações
Dario
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Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h11
Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h11
Pela reportagem de valdo cruz, de 04.09.09, ver-se claaramente que a petrobrás não pertence mais ao brasil. Não tem ações ordinárias, (poder de voto) nem preferenciais, (nem lucra com ela). Isso bate com o que dilma falou, o pré-sal não trará benefícios para o brasil, ou seja o que produzir vai lá pra fora. Então pra que ficarem com essa balela de petróleo, que já não é mais nosso, se ele só traz mais dor de cabeça para a população? Esse governo não entende que preços altos só implica em pagamento de rendimentos para os acionistas e nenhum benefício para o país?
PETROBRÁS NÃO É BRASILEIRA= VALE, entre outras.
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Maurício Carvalho (31) 25/11/2009 00h30
Maurício Carvalho (31) 25/11/2009 00h30
A nossa apatia com as tais CPIs tem fundamento porque, aqueles que estão no poder, movimentam todos os instrumentos para brecarem qualquer investigação.
Por isso, presido uma associação que aciona o Ministério Público. Sempre aconselhamos os políticos que desejam apurar irregularidades a fazerem o mesmo. E foi isso que o senador Álvaro Dias fez.
Ele entregou 18 representações à Procuradoria-Geral da União, contra a Petrobras. Os documentos apontam irregularidades cometidas pela atual administração da estatal e algumas de suas subsidiárias.
Infelizmente, não conseguimos extinguir o foro privilegiado.
sem opinião
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