Oposição procura titulares de CPI para garantir quorum e evitar novo adiamento
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Líderes da oposição se articulam nos bastidores do Senado para evitar um novo adiamento da instalação da CPI da Petrobras, prevista para amanhã. Senadores do PSDB procuraram nesta quarta-feira os senadores Fernando Collor de Mello (PTB-AL) e Jefferson Praia (PDT-AM), titulares da comissão, para que compareçam à reunião e garantam o número necessário de parlamentares presentes na sessão para o início dos trabalhos.
A instalação da CPI da Petrobras, que deveria ter ocorrido nesta terça-feira, foi adiada por falta de quorum (número mínimo de senadores presentes) no início da sessão. O presidente temporário da CPI, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), esperou apenas 15 minutos pela chegada dos parlamentares. Como só apareceram três senadores da oposição, o peemedebista adiou a instalação da CPI.
Duque prometeu esperar apenas 15 minutos "ou talvez meia hora" amanhã pela chegada dos parlamentares na sala da CPI. O regimento do Senado permite o encerramento dos trabalhos nas comissões da Casa depois de meia hora caso não haja quorum para o início dos trabalhos.
Apesar de Collor e Praia integrarem partidos da base aliada do governo, a oposição acredita que os dois vão contribuir para o início dos trabalhos da comissão. A presença dos dois é fundamental à oposição uma vez que o regimento do Senado exige a presença de seis dos 11 senadores titulares da comissão para que a instalação seja formalizada.
Os dois prometeram a senadores da oposição comparecer à instalação da CPI, mas se não cumprirem o combinado, a oposição não terá forças para dar quorum. Juntos, DEM e PSDB têm apenas três das 11 cadeiras de titulares da comissão.
Duque assumiu os trabalhos temporariamente por ser o parlamentar mais idoso entre os membros da comissão, mas deixa automaticamente o cargo com a eleição do novo parlamentar que vai ocupar o comando dos trabalhos.
Manobra
A falta de quorum foi articulada pela base aliada do governo no Senado, que ainda não chegou a um consenso sobre a indicação do presidente e do relator da comissão. Nos bastidores, líderes governistas trabalham para adiar novamente a instalação da CPI. A ideia é protelar o início do trabalho até o recesso legislativo do mês de julho, o que na prática pode colocar em risco o funcionamento da comissão parlamentar de inquérito na Casa.
A comissão só pode ser instalada efetivamente com a escolha dos senadores que vão ocupar os dois cargos. Nos bastidores, os líderes Renan Calheiros (PMDB-AL) e Aloizio Mercadante (PT-SP) disputam as indicações para o comando da CPI. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é cotado para assumir a relatoria, mas enfrenta resistências dentro do partido.
O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) ganha força para se eleger relator da comissão. Como o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) não é mais titular da CPI, Raupp assumiu a vaga aberta com a saída do colega --que se transferiu para a suplência da comissão ao descobrir que terá que ser submetido a uma cirurgia. Ex-líder do PMDB na Casa, Raupp agrada ao grupo de Jucá para assumir a relatoria.
Mercadante, por sua vez, trabalha para indicar um parlamentar do PT para a presidência da comissão. Os senadores Ideli Salvatti (PT-SC) e João Pedro (PT-AM) são cotados para o cargo, mas enfrentam resistências do PMDB na queda de braço entre os dois partidos.
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