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Brasil
04/06/2009 - 07h39

Pastoral diz que libertação de trabalhadores em situação de escravidão aumentou 200%

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DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba

Levantamento da CPT (Comissão Pastoral da Terra) divulgado ontem aponta que o Paraná registrou aumento de 200% no número de trabalhadores libertados em situação de escravidão. O Estado é o quinto do ranking nacional. O primeiro é o Pará, com 1.354 resgatados no ano passado.

Em 2008, segundo a CPT, 391 pessoas foram libertadas no Paraná, contra 130 no ano anterior. Os números são superiores aos computados no Estado pelo Ministério do Trabalho, que constatou a libertação de 163 trabalhadores no ano passado e de 129 em 2007.

O presidente nacional da CPT, dom Ladislau Biernaski, disse que os registros da comissão são diferentes porque somam os relatos de campo colhidos pelos próprios agentes pastorais, os números do Ministério do Trabalho e os que são publicados na imprensa.

"Aquela imagem de que só tinha trabalho escravo no Norte e Nordeste do país precisa ser corrigida porque estamos verificando a presença crescente também em regiões do Sul, onde antes não havia esse tipo de situação", afirmou Biernaski.

A expansão de setores do agronegócio, vinculados às indústrias canavieira e de papel e celulose, aliada a uma intensificação dos grupos de fiscalização, foram apontados por Rogério Nunes, da coordenação paranaense da CPT, como os principais fatores de crescimento das estatísticas de empregados libertados no Estado.

Segundo a CPT, o Paraná é o primeiro do ranking nacional em casos de superexploração de trabalhadores rurais, com cerca de 1.200 ocorrências registradas em 2008. Goiás vem em segundo, com 618 casos.

Este tipo de crime ocorre quando o funcionário recebe salário, mas não é coberto por nenhuma garantia trabalhista (férias, FGTS, registro em carteira e 13º). Já as situações de escravidão englobam casos em que o trabalhador não pode deixar o emprego por conta de dívidas com seus superiores, além de atuar em condições precárias de higiene e não possuir direitos trabalhistas.

A assessoria da direção da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) disse que não iria se pronunciar sobre os números divulgados.

 

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