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02/02/2004 - 09h47

PF acha depósito da Cpem, pivô de escândalo

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da Folha de S. Paulo

A movimentação de contas bancárias do Banestado obtida pela Polícia Federal e que está em poder da CPI do Banestado aponta um depósito de US$ 259 mil da empresa paulista Cpem (Consultoria para Empresas e Municípios) em agosto de 1992 na conta de uma casa de câmbio do Paraguai também envolvida nos esquemas de lavagem de dinheiro dos casos PC-Collor e Tribunal Regional do Trabalho paulista.

A Cpem esteve no centro de um escândalo na década de 90 que atingiu a cúpula do PT e o então presidente de honra da sigla, Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-secretário de Finanças de Campinas, Paulo de Tarso Venceslau, petista histórico, na época questionou contratos sem licitação assinados por administrações do PT com a Cpem e denunciou suposto tráfico de influência no partido.

O resultado da apuração conduzida pelo partido foi a absolvição da cúpula petista e a expulsão do próprio autor da denúncia.

Segundo os documentos que integram o levantamento da CPI mista do Senado e da Câmara que apura remessas para o exterior, o depósito da Cpem foi feito em dinheiro numa conta da agência do Banespa de Foz do Iguaçu (PR).

A conta pertencia à empresa Guarani Cambios S/A, de Ciudad del Este, e foi alvo de investigação, com outras cinco contas da mesma casa, do inquérito número 104/98 da Polícia Federal do Paraná. A Cpem, na época do depósito, era sediada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Um dos atuais sócios da empresa, que está fechada, Luiz Alberto Rodrigues, negou qualquer transação com a Guarani Câmbios.

"A maioria das casas de câmbio paraguaias participou do esquema CC5, ocultando depósitos de terceiros e usando "laranjas" para enviar o dinheiro para o exterior", disse o procurador da República Vladimir Aras, da força-tarefa que investiga o caso. Ele não conhecia detalhes do depósito da empresa paulista.

A Cpem teve um poderoso aliado na década de 90 na tentativa de obter contratos com prefeituras administradas pelo PT, o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula -ele é padrinho do filho mais novo de Lula.

Em nota distribuída à imprensa em maio de 1997, Teixeira explicou que passou a atuar em favor da Cpem porque seu irmão, Dirceu, advogava para a empresa. Ele pretendia mostrar que a empresa "tinha condições" de aumentar a arrecadação de prefeituras petistas "recém-empossadas, todas com lamentável situação econômica-financeira".

Teixeira escreveu: "Procurado por ele [Dirceu Teixeira], constatei [contatei], sim, o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, cuja amizade muito me orgulho, e com o qual mantenho relações familiares (...). O sr. Luiz Inácio Lula da Silva, diante dos argumentos apresentados, disse que a empresa deveria procurar as prefeituras petistas, apresentando diretamente as propostas, o que foi feito com o meu eventual auxílio".

Na época, Lula chorou, numa reunião do diretório nacional do PT, alegando não ter influído nas contratações da Cpem. Afirmou que se limitou a recomendar Teixeira a procurar as prefeituras sob comando do partido.

Outros partidos

A Cpem não prestava serviços apenas às administrações petistas -em 1997, trabalhava para cidades administradas pelo PMDB, PPB, PSDB, PTB, PDT e PFL. No auge, chegou a trabalhar para 400 prefeituras de vários partidos, segundo o atual proprietário.

Mas a proximidade dela com a cúpula do PT e com Lula marcou a história do partido na década passada -no próprio PT é considerado o maior escândalo enfrentado pela sigla.

É a segunda vez que uma empresa do ABC paulista com laços estreitos com o PT aparece relacionada ao escândalo do Banestado. Em maio de 2003, o administrador da empresa Emparsanco, de São Bernardo do Campo, Jaci Munhoz, foi condenado pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (RS) por suposto envio de R$ 200 mil para o exterior por meio de uma laranja. Munhoz alegou que o dinheiro foi usado para "compra de maquinário" de uma empresa paraguaia.

Em abril de 2000, o Tribunal de Contas do Estado mandou suspender uma licitação da Prefeitura de Santo André (SP), na gestão de Celso Daniel (PT), morto em 2002. A decisão ocorreu depois de uma reportagem ter apontado indícios de favorecimento à Emparsanco, que venceu a licitação de R$ 108,6 milhões.

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