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Brasil
09/06/2009 - 09h16

Petrobras omite dados antigos na internet

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RUBENS VALENTE
da Folha de S.Paulo

Usado frequentemente pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, como resposta às críticas sobre falta de transparência nos gastos, o site da empresa na internet omite dados de contratos anteriores a junho de 2008, dedica apenas uma linha à descrição do objeto da contratação e deixa de informar a execução do contrato --quanto recebeu a empresa em certa data.

Se a prática for mantida pela empresa, em julho todos os dados de junho de 2008 desaparecerão das opções de pesquisa. E assim sucessivamente: de 12 meses para trás, os dados desaparecem.

Há uma brecha para recuperar as páginas que foram retiradas do ar entre agosto de 2007 e maio de 2008, mas isso não é explicitado no site. De agosto de 2007 para trás, não há forma de conferir os números no site.

A Folha teve que ir copiando e acumulando os números do período 2005-2007 para formar uma base de dados com 28 mil contratos referentes a quatro anos e meio.

Há falha grave na descrição do objeto do contrato. Tudo se resume a uma linha, e mesmo assim quase sempre incompleta, com palavras cortadas.

Um contrato de R$ 27 milhões com um escritório de advocacia, por exemplo, é assim descrito: "Serviços técnicos jurídicos para levantamento e recuperação". Nomes de alguns fornecedores também aparecem cortados.

Os números de 2008-2009 estão praticamente escondidos na página da Petrobras. Podem ser achados a partir de um botão chamado "Informações Para o Governo" -e não para o "Público", o que induz o internauta a erro. O endereço é www2.petrobras.com.br/ materiaishtm/contratos servicos/portal_1000 s.htm

Premiado no Brasil e no exterior, o Portal da Transparência, mantido pela CGU (Controladoria Geral da União), ligado à Presidência da República, demonstra o quanto a Petrobras está aquém de melhores exemplos de transparência de gastos. O portal acumula dados sobre R$ 5 trilhões em dinheiro público. Ressalve-se que o portal trata de recursos da administração direta, enquanto a Petrobras é uma empresa estatal.

O portal identifica, de forma simples e rápida, o quanto cada órgão da União gasta em cada programa orçamentário desde o ano 2004, e com qual empresa contratada, além de apontar transferências e convênios. Identifica o servidor que é portador de um cartão corporativo e quanto ele gastou. Revela os pagamentos em diárias e indenizações, incluindo ministros de Estado.

O portal (www.portaltransparencia.gov.br) permite conferir o andamento da execução do Orçamento --o desempenho e as prioridades efetivas da máquina pública. No site da Petrobras, vê-se que o contrato foi assinado, mas não como ele é tocado.

Procurada no final da tarde de ontem, a Petrobras não respondeu até o fechamento desta edição.

Comentários dos leitores
dario alves de lima (77) 25/11/2009 10h23
dario alves de lima (77) 25/11/2009 10h23
A oposição recomeçou o processo de privatização da Petrobras, antes mesmo de chegar ao poder.
Saudações
Dario
sem opinião
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Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h11
Carlos Gonçalves (401) 25/11/2009 08h11
Pela reportagem de valdo cruz, de 04.09.09, ver-se claaramente que a petrobrás não pertence mais ao brasil. Não tem ações ordinárias, (poder de voto) nem preferenciais, (nem lucra com ela). Isso bate com o que dilma falou, o pré-sal não trará benefícios para o brasil, ou seja o que produzir vai lá pra fora. Então pra que ficarem com essa balela de petróleo, que já não é mais nosso, se ele só traz mais dor de cabeça para a população? Esse governo não entende que preços altos só implica em pagamento de rendimentos para os acionistas e nenhum benefício para o país?
PETROBRÁS NÃO É BRASILEIRA= VALE, entre outras.
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Maurício Carvalho (31) 25/11/2009 00h30
Maurício Carvalho (31) 25/11/2009 00h30
A nossa apatia com as tais CPIs tem fundamento porque, aqueles que estão no poder, movimentam todos os instrumentos para brecarem qualquer investigação.
Por isso, presido uma associação que aciona o Ministério Público. Sempre aconselhamos os políticos que desejam apurar irregularidades a fazerem o mesmo. E foi isso que o senador Álvaro Dias fez.
Ele entregou 18 representações à Procuradoria-Geral da União, contra a Petrobras. Os documentos apontam irregularidades cometidas pela atual administração da estatal e algumas de suas subsidiárias.
Infelizmente, não conseguimos extinguir o foro privilegiado.
sem opinião
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