Brasil
17/06/2009 - 14h37

Relator recomenda cassação de Edmar Moreira; pedido de vista adia julgamento

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), relator do processo contra o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) no Conselho de Ética da Câmara, recomendou nesta quarta-feira a cassação do parlamentar. No parecer lido no colegiado, Fonteles afirma haver indícios da não prestação dos serviços de segurança nas empresas da família de Moreira, apesar de o deputado ter justificado o uso da verba indenizatória da Casa para a sua segurança pessoal.

Na opinião de Fonteles, o uso da verba indenizatória no pagamento de serviços de segurança em empresas de Moreira "violou os princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade e da moralidade".

O relator afirma que o parlamentar não negou ter utilizado a verba indenizatória da Casa para pagar serviços de segurança prestados por empresas da sua família --o que constitui, segundo Fonteles, procedimento incompatível com o decoro parlamentar.

"O princípio da moralidade traduz o raciocínio de que os agentes públicos não devem somente obedecer e estar em conformidade com a lei, mas em suas atividades, no seu agir, trilhar nas sendas do que é justo, honesto e probo", diz o relator no parecer.

"A conduta do representado está plenamente caracterizada como procedimento incompatível com o decoro parlamentar", diz o relator.

Acusações

Integrantes do conselho pediram vista coletiva ao processo, o que adia a votação do relatório de Fonteles por pelo menos duas sessões do colegiado. Como o conselho prorrogou os trabalhos por mais 60 dias, a votação do processo contra o deputado pode ficar para depois do recesso parlamentar de julho.

Moreira é acusado de justificar gastos com a verba indenizatória --benefício mensal de R$ 15 mil para deputados cobrirem gastos nos Estados-- com notas fiscais de suas próprias empresas de segurança. Na época não existia uma regra clara sobre essa prática. A suspeita é de que os serviços não eram prestados.

Outra questão que complica o caso de Edmar, que é dono de um castelo avaliado em R$ 25 milhões, é o fato de que o valor gasto pelo deputado com os serviços de segurança é o dobro previsto na Lei de Licitações.

Em depoimento no Conselho de Ética, ele também se complicou ao evitar responder perguntas do relator e ao se contradizer sobre a relação com o tenente reformado da Polícia Militar de Minas Gerais, Jairo Lima --apontado por ele como responsável por sua equipe de segurança.

Lima foi funcionário do gabinete do filho de Edmar, o deputado estadual Leonardo Moreira (DEM-MG), que acompanhou ao lado do pai e do irmão Julio a leitura do parecer de Fonteles ao Conselho de Ética.

A suspeita é que Lima seria laranja do deputado para comprovar os serviços de segurança privada pagos com a verba indenizatória. O contrato assinado por Lima não tem data comprovando quando foi assinado e nem especifica o serviço prestado.

Edmar nega as acusações e afirma que seu processo por quebra de decoro parlamentar foi um "cala boca" e que ele foi o "boi de piranha" para desviar o foco dos escândalos que atingiram a imagem da Câmara desde o início do ano.

Comentários dos leitores
Elias kuster (50) 27/11/2009 09h26
Elias kuster (50) 27/11/2009 09h26
Senhores leitores!
Imaginem os trabalhadores deste país sendo idenizados por desmandos governamentais e por injustiças praticadas, por quem justo deveria ser com todos, sem distinção, e sem usar dois pesos e duas medidas?
Penso que aí sim seria mais difícil encontrar fundos que viessem cobrir esses desvaneios do Estado.
É fácil para os políticos serem idenizados em até 15.000,00 mil reais mensais, porque são eles que fazem os acordos trancafiapos nos gabinetes sem a participação da grande massa, a qual somente fica sabendo dessa tranbicagem depois que o fato já está consumado.
Não acredito que seja feito algo para que alguém seja culpado por isso. São eles que decidem tudo.
Ou alguém acredita?
Entretanto, vamos continuar a escrever gritando até que alguém escute o lamento de quem clama por justiça sem nenhum favorecimento político.
Não vamos desanimar...........................
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alecio ferraz (31) 26/11/2009 12h04
alecio ferraz (31) 26/11/2009 12h04
Vivemos em um pais com um potencial de riquezas imensuráveis... Petróleo, jazidas minerais
amazonia, potencial turístico, terras férteis, território continental, biodiversidade, etc.
Mas, também um pais que não conseguiu desenvolver sequer uma marca nacional de veículos automotores, um avião de grande porte, um submarino nuclear, um caça militar e outros armamentos ao nível dos países de primeiro mundo.
Um pais que depende de um único estado (São Paulo) para gerar quase a metade da receita federal e o restante dividido aos demais 26.
Um pais que, olhando o mapa geográfico de IDH, percebemos uma exata divisão entre o norte e nordeste e o centro oeste sul e sudeste, deixando bastante claro para todos que onde o coronelismo ainda impera, só existe analfabetismo e miséria...
Assistimos atônitos a falta de investimento em educação e pesquisa, num total desprezo á itens tão importantes para o desenvolvimento de uma nação.
Assistimos obras importantes serem postergadas para o fim de mandatos de prefeitos , governadores e presidentes para que a inauguração coincida com as eleições, alem de aumentos abusivos de taxas e impostos que tanto explora o povo brasileiro.
Não temos escolas... Rodovias modernas e seguras... Segurança.... Sistema viário urbano que comporte a massa de veículos existentes... Transporte urbano decente... Sistema de saúde que realmente assista a população, um judiciário que se possa confiar...
O que assistimos sim, é a corrupção, a irresponsabilidade administrativa, a incompetência , o corporativismo, o coronelismo, o desmando com o erário publico, malversação de verbas, etc.
"Por isso e muito mais, é que hoje não acredito mais nas instituições desse pobre pais, relegado ao eterno "pais do futuro", "emergente", ou "quem sabe um dia"...
Mais atônito ainda fico com a letargia desse povo, que não se importa com o que realmente o atinge, ou seja, o que fica aqui exposto.
Votar? Pra que? Melhor viajar com a família e justificar no posto eleitoral mais próximo no destino visitado...
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Oldeir Ramos (2) 26/11/2009 10h16
Oldeir Ramos (2) 26/11/2009 10h16
Eles podem tudo, inclusive justificarem-se por erros passados. Lamento!
Temer "defendeu penas "alternativas" para os deputados envolvidos em irregularidades, como no caso das notas fiscais. Como o Conselho de Ética da Câmara já absolveu o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) por suposto uso irregular da verba indenizatória, Temer disse acreditar que penas alternativas possam ser aplicadas pelo conselho para punir os deputados, ao invés da cassação do mandato.
Presidente Temer: o corporativismo impera entre os políticos brasileiros, talvez V. Exa. esteja se auto-protegendo, pois: defender penas "alternativas" para esse tipo de "crimes", só porque o Conselho de Ética da Câmara já absolveu o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) por suposto uso irregular da verba indenizatória... É inqualificável!
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