Brasil
17/06/2009 - 15h36

Filho de Edmar Moreira insulta relator após recomendar cassação do pai

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O deputado estadual Leonardo Moreira (DEM-MG), filho do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), insultou nesta quarta-feira o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), que recomendou a cassação do seu pai ao Conselho de Ética da Câmara. Ao deixar a sessão do colegiado, Leonardo disse que o relator é "veado" --o que irritou o relator.

Sergio Lima/Folha Imagem
Filho de Edmar Moreira chama relator de "viado" após recomendar cassação do pai
Filho de Edmar Moreira chama relator de "viado" após recomendar cassação do pai

"Eu registrei para o presidente do Conselho de Ética que fui agredido pelo filho do deputado, que me chamou de veado. Não que eu tenha nada contra quem tem esse comportamento, mas a maneira que ele fez foi de me atingir moralmente", afirmou.

Fonteles pediu ao presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), para comunicar o episódio à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde Leonardo Moreira cumpre mandato. O relator reiterou a defesa da cassação de Moreira ao afirmar que tem provas "matemáticas" de que o colega quebrou o decoro parlamentar.

"Eu mostrei as provas, emiti o meu voto. Para melhorar a imagem da Câmara, é necessário corrigir rumos. As provas são quase matemáticas. Se a Casa não punir, fica feio para a própria Casa", afirmou.

No parecer, Fonteles confirma que Moreira teria utilizado parte da verba indenizatória da Casa para pagar serviços de segurança prestados a empresas de sua família. O relator vê indícios, porém, da não prestação dos serviços de segurança --apesar de Moreira ter justificado o uso da verba indenizatória da Casa para a sua segurança pessoal.

Na opinião de Fonteles, o uso da verba no pagamento de serviços de segurança em empresas de Moreira "violou os princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade e da moralidade".

O relator afirma que o próprio Moreira não negou ter utilizado a verba indenizatória da Casa para pagar serviços de segurança prestados por empresas da sua família --o que constitui, segundo Fonteles, procedimento incompatível com o decoro parlamentar.

"O princípio da moralidade traduz o raciocínio de que os agentes públicos não devem somente obedecer e estar em conformidade com a lei, mas em suas atividades, no seu agir, trilhar nas sendas do que é justo, honesto e probo", diz o relator no parecer. "A conduta do representado está plenamente caracterizada como procedimento incompatível com o decoro parlamentar", diz o relator.

Moreira deixou a sessão do Conselho de Ética sem comentar o parecer de Fonteles. Cercado por seguranças e pelos filhos Leonardo e Julio, ele acompanhou em silêncio toda a leitura do parecer, que durou mais de duas horas.

Comentários dos leitores
Saulo Mundim Lenza (629) 27/11/2009 14h45
Saulo Mundim Lenza (629) 27/11/2009 14h45
Nos tempos atuais, no Brasil, o crime compensa.
Isso que a camara vai fazer é uma pova irrefutavel.
Profundamente lamentável. Tristes tempos estamos vivendo!!!
sem opinião
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Antonio Ramos (39) 27/11/2009 13h48
Antonio Ramos (39) 27/11/2009 13h48
Congresso indescente e imoral..... sem opinião
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O Pacificador (206) 27/11/2009 12h03
O Pacificador (206) 27/11/2009 12h03
"Câmara se prepara para livrar deputados acusados de mau uso de verba..."
E ainda tem a cara de pau, de dizer que não havia no passado "regras", especificando que não podiam usar verba pública em suas próprias empresas...
Dá para acreditar?
É preciso regra para ser honesto? Decente? Responsável?
Como dizem os mais antigos, isso é apenas uma questão de indole e de "berço".
Ou a pessoa, tem ou não tem...
Não existe meio termo.
sem opinião
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