Brasil
18/06/2009 - 10h02

Entidades celebram fim da "camisa-de-força" no jornalismo

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da Folha de S.Paulo, em SP e Brasília

A decisão do Supremo Tribunal Federal que revogou a obrigatoriedade do diploma de jornalista foi criticada pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa), mas elogiada pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) e pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV).

Segundo o diretor do comitê de relações governamentais da ANJ, Paulo Tonet Camargo, não se trata de discutir a importância dos cursos de jornalismo na formação dos profissionais. "A ANJ vê a decisão do Supremo como entendimento de que os cursos não são pressupostos para o exercício do jornalismo", completou. Para Tonet, "a decisão consagra no direito o que já acontecia na prática, ou seja, não modifica a situação atual. A ANJ continua prestigiando os cursos de jornalismo e reconhecendo a validade do diploma de jornalismo. Mas o que estava em jogo no Supremo era o diploma como pré-requisito para o exercício da profissão".

Daniel Pimentel Slaviero, da Abert, disse que a decisão é uma demonstração da liberdade de expressão: "Continuamos a entender que o diploma e o desenvolvimento dos cursos de jornalismo continuam sendo importantes, mas a Abert via [a obrigatoriedade do diploma] como uma camisa-de-força".

Durante a sessão, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, argumentou que "essa exigência do diploma na verdade afastava da imprensa políticos e intelectuais que se colocavam contrariamente ao regime vigente [ditadura]... Não fazemos apologia contra a atividade educacional regular, mas não podemos fechar os olhos à capacidade das pessoas de se qualificarem para essa atividade que exige conhecimento multidisciplinar".

Críticas

O presidente da ABI, Maurício Azêdo, disse que a entidade "lamenta [o resultado] e considera que esta decisão expõe os jornalistas a riscos e fragilidades e entra em choque com o texto constitucional".

Azêdo disse que "a ABI espera que as entidades de jornalistas, à frente a Federação Nacional dos Jornalistas, promovam gestões junto às lideranças do Congresso Nacional para restabelecer aquilo que o Supremo está sonegando à sociedade, que é um jornalismo feito com competência técnica e alto sentido cultural e ético".

"Foi um desastre [a decisão]. Mas a categoria vai continuar lutando por algum tipo de regulamentação que nos dê dignidade, que hoje [ontem] nos foi furtada", afirmou Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj, após o julgamento.

"Este é um duro golpe na qualidade da informação jornalística e na organização de nossa categoria, mas nem o jornalismo nem o nosso movimento sindical vão acabar, pois temos muito a fazer em defesa do direito da sociedade à informação", acrescentou Murillo.

Segundo nota da Fenaj em seu site, a decisão "pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira". A executiva da instituição se reúne hoje para discutir a alteração e traçar estratégias.

Arte/Folha
Comentários dos leitores
Fernando Martins (1) 16/11/2009 22h32
Fernando Martins (1) 16/11/2009 22h32
É claro que a graduação é sempre bem-vinda e em muito auxilia na formação do profissional. Aliás, é um bom indicativo de sua aptidão. Entretanto, diploma, lamentavelmente, não garante nada. A idolatria de diplomas é um forte indício de profissionais inseguros ou certos de suas fraquezas e limitações.
O mercado e o público são sábios o suficiente para discernirem os bons, dos maus. Quem é bom, se estabelece com bom portifólio e legado profissional. Não precisa reivindicar reconhecimento nunca. Podem estar certos: o mercado é quem corre atrás dele.
Veja mais em: http://filhosdocaue.blogspot.com/2009/11/reconhecimento-do-jornalismo.html
sem opinião
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Antonio paiva (3) 16/11/2009 21h12
Antonio paiva (3) 16/11/2009 21h12
Rafael Dias da Silva, tão necessário quanto estudar para aprender é estudar em uma boa escola e provar (com "diploma") que o fez. Muitas pessoas precisam ler nos dicionários o que significa o termo "diploma". Às vezes vejo, em alguns canais de TV e jornais impressos, reportagens relacionadas à minha área de atuação que me dá pena. Imagino que não são formados, pois demonstram total desconhecimento do assunto. O pior de tudo é saber que esses "jornalistas" são formadores de opinião, e que, suas reportagens influenciarão muitas pessoas que não conseguem pensar sozinhas. sem opinião
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Marcelo Ferreira (37) 11/11/2009 23h18
Marcelo Ferreira (37) 11/11/2009 23h18
Gente, acordem! Não há apenas um interesse em jogo aqui, não é criar um estado Lulla absoluto, como nosso piaget escreveu abaixo, cada um tem interesses a defender aqui, seja ao lado dos que querem o diploma, seja ao lado dos que o desobriga.
Há ganhos em ambos os casos para diferentes pessoas. Hà jornalistas desesperados com a concorrência de formandos de outros cursos, há faculdades desesperadas com a possibilidade de desativação de cursos, há lobbistas desesperados em não perder seus "clientes". O que mais há são interesses, inclusive nossos. Cada um defende o seu, cada um sabe onde seu sapato aperta mais e, geralmente, não querem desapertar o sapato do vizinho, mas os seus próprios, claro.
Parem de ler uma porcaria de notícia e correr para reafirmar seus próprios pontos de vista nascidos e criados em suas mentes desde sempre e passem a tentar pensar que, talvez, o que mamãe e papai ensinaram, o que o "psôr" ensinou quando vocês eram tocos de gente, e as coisas que seus adorados e idolatrados políticos preferidos, sejam sociólogos liberais, ou torneiros-mecânicos pseudo-socialistas, todos têm seus interesses e brigam por eles. Cabe a vocês decidirem se apoiam um ou outra visão de mundo simplesmente porque aprenderam assim ou porque tiveram a coragem de olhar a realidade bem de frente e ver o que é melhor para a maioria. Diploma obrigatório ou não, garanto, ele e a falta dele não garantirão jornalistas melhores, somente caráteres melhores garantirão melhores profissionais
sem opinião
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