Brasil
21/06/2009 - 09h59

Decisão da Justiça deve mudar cursos de jornalismo

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ANA FLOR
da Folha de S.Paulo

O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), deve aumentar a qualidade dos cursos e trazer mudanças nas grades curriculares ou nas opções de formação oferecidas.

A opinião é de professores e diretores dos principais cursos de jornalismo do país. Para muitos deles, a decisão irá "reestruturar a categoria".

À frente das escolas de jornalismo, especialistas preveem a oferta de mais opções de pós-graduação na área e até a possibilidade de uma volta ao currículo em que os alunos faziam primeiro disciplinas humanísticas e, nos últimos anos da graduação, as disciplinas práticas.

A opção abriria a chance para pessoas com formações em outras áreas cursarem uma habilitação em jornalismo, mais curta que um curso universitário integral. Todas essas possibilidades estão em discussão no Ministério da Educação, onde um grupo vem estudando modificações nos currículos.

Hugo Santos, diretor de Comunicação e Artes da Estácio Ensino Superior, aposta em cursos mais tecnológicos e ampliação das opções de pós-graduação em jornalismo.

O professor José Marques de Melo, que atua na Universidade Metodista de São Paulo, vê nos mestrados profissionalizantes uma tendência, como ocorre nos EUA. Apesar disso, ele defende a boa formação de jornalistas generalistas, para que os jornais atendam a um público cada vez mais amplo.

A valorização da formação universitária específica na área e a procura por vagas oferecidas nos vestibulares não devem sofrer modificações, dizem professores e diretores.

Muitos comparam o futuro de seus cursos ao que já ocorre na publicidade --profissão na qual o diploma não é uma exigência. "Os empresários da publicidade procuram estagiários e profissionais com formação na área e a procura pelos cursos é muito alta", diz Ricardo Schneiders, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

José Luiz Proença, da Escola de Comunicação e Artes da USP, lembra que os cursos de jornalismo são anteriores ao decreto-lei de 1969 --parcialmente derrubado pelo STF. "No tempo anterior à obrigatoriedade [do diploma], os cursos já tinham procura", diz.

Leonel Aguiar, coordenador do curso de jornalismo da PUC-RJ, diz que os cursos "com excelência acadêmica" continuarão sendo procurados pelos que querem se iniciar na profissão.

"Quem tem talento e quiser ser um bom jornalista vai aproveitar muito se escolher um bom curso", afirma Carlos Costa, coordenador de Jornalismo da Cásper Líbero.

Comentários dos leitores
Antonio paiva (3) 16/11/2009 21h12
Antonio paiva (3) 16/11/2009 21h12
Rafael Dias da Silva, tão necessário quanto estudar para aprender é estudar em uma boa escola e provar (com "diploma") que o fez. Muitas pessoas precisam ler nos dicionários o que significa o termo "diploma". Às vezes vejo, em alguns canais de TV e jornais impressos, reportagens relacionadas à minha área de atuação que me dá pena. Imagino que não são formados, pois demonstram total desconhecimento do assunto. O pior de tudo é saber que esses "jornalistas" são formadores de opinião, e que, suas reportagens influenciarão muitas pessoas que não conseguem pensar sozinhas. sem opinião
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Marcelo Ferreira (37) 11/11/2009 23h18
Marcelo Ferreira (37) 11/11/2009 23h18
Gente, acordem! Não há apenas um interesse em jogo aqui, não é criar um estado Lulla absoluto, como nosso piaget escreveu abaixo, cada um tem interesses a defender aqui, seja ao lado dos que querem o diploma, seja ao lado dos que o desobriga.
Há ganhos em ambos os casos para diferentes pessoas. Hà jornalistas desesperados com a concorrência de formandos de outros cursos, há faculdades desesperadas com a possibilidade de desativação de cursos, há lobbistas desesperados em não perder seus "clientes". O que mais há são interesses, inclusive nossos. Cada um defende o seu, cada um sabe onde seu sapato aperta mais e, geralmente, não querem desapertar o sapato do vizinho, mas os seus próprios, claro.
Parem de ler uma porcaria de notícia e correr para reafirmar seus próprios pontos de vista nascidos e criados em suas mentes desde sempre e passem a tentar pensar que, talvez, o que mamãe e papai ensinaram, o que o "psôr" ensinou quando vocês eram tocos de gente, e as coisas que seus adorados e idolatrados políticos preferidos, sejam sociólogos liberais, ou torneiros-mecânicos pseudo-socialistas, todos têm seus interesses e brigam por eles. Cabe a vocês decidirem se apoiam um ou outra visão de mundo simplesmente porque aprenderam assim ou porque tiveram a coragem de olhar a realidade bem de frente e ver o que é melhor para a maioria. Diploma obrigatório ou não, garanto, ele e a falta dele não garantirão jornalistas melhores, somente caráteres melhores garantirão melhores profissionais
sem opinião
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Rafael Dias da Silva (130) 11/11/2009 11h52
Rafael Dias da Silva (130) 11/11/2009 11h52
Antonio paiva, estudar pra aprender, não pra puro formalismo. Diploma é papel pintado, e a adoração quase religiosa que se tem por ele mostra a insegurança sobre os próprios conhecimentos. sem opinião
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