Richa demite mais cinco funcionários; Polícia Federal vai investigar caso
DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), demitiu ontem mais cinco funcionários de cargos de confiança que receberam suposto dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral. A Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar o caso.
Richa foi ontem ao Ministério Público Federal e disse que pediu para ser investigado.
"Quem me conhece sabe da forma ilibada com que eu conduzo a minha vida pública", disse Richa, em seu primeiro pronunciamento público após a divulgação de vídeos com cenas de distribuição de dinheiro sem origem comprovada em um comitê eleitoral que apoiava sua reeleição. "Acredito que todo homem público pode e deve ser investigado", afirmou.
O prefeito esteve na procuradoria por uma hora para conversar com o procurador regional eleitoral Neviton Guedes. O procurador disse que pedirá a instauração de inquérito na PF e perícia nos vídeos.
O material exibe cenas em um escritório do comitê independente "Lealdade", formado por dissidentes do PRTB.
Pelo menos 35 pessoas se desfiliaram da sigla em 2008 para apoiar Richa, alegando não concordar com a aliança com o PTB, defendida pela direção estadual do partido.
Desses, 28 aparecem nos vídeos recebendo cerca de R$ 1.600 cada um. O construtor Rodrigo Oriente, que trabalhava no comitê e entregou os vídeos ao MPF, disse que o dinheiro vinha do partido de Richa.
Num rápido pronunciamento após a reunião com o procurador, Richa classificou as denúncias de ataques de adversários. "Fui seis vezes avaliado como o melhor prefeito do Brasil, isso tem incomodado meus adversários", afirmou.
Richa é um dos pré-candidatos do PSDB ao governo do Paraná, em 2010. Ele ainda não anunciou se irá concorrer.
Por causa da divulgação dos vídeos, o então secretário municipal de Assuntos Metropolitanos, Manassés Oliveira, que comandou a dissidência no PRTB, foi demitido por Richa no final da semana passada.
Outros dois integrantes do comitê, Alexandre Gardolinski, coordenador do comitê e autor das gravações, e Raul D'Araújo Santos, superintendente na secretaria de Manassés, também foram demitidos na prefeitura.
Todos apareciam em cenas que mostravam manipulação de dinheiro sem origem e assinando recibos frios com nomes fictícios para justificar despesas do comitê. Outras cenas mostravam funcionários planejando difamar adversários por meio da pichação de muros.
O procurador regional eleitoral Neviton Guedes afirmou que a investigação foi iniciada há uma semana, quando Rodrigo Oriente o procurou para relatar as denúncias. O procurador confirmou que recebeu anteontem documentos de Oriente e que ainda não tem condições de apontar culpados.
Oriente trabalhava no comitê "Lealdade", indicado por Gardolinski. O construtor cedeu quatro notebooks para a sede. Num deles, que ficava na mesa de Gardolinski, foram gravadas as cenas de manipulação de dinheiro. Oriente disse que o ex-colega esqueceu de apagar as imagens e decidiu denunciar o caso quando não conseguiu receber R$ 47 mil que emprestou, a pedido de Gardolinski, para despesas do comitê.
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