Brasil
30/06/2009 - 14h03

DEM defende afastamento de Sarney da presidência do Senado

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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

Principal fiador da campanha que elegeu o senador José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado, o DEM passou a defender nesta terça-feira o afastamento do peemedebista do cargo. A ideia é que ele se licencie até que terminem as investigações do Ministério Público, do TCU (Tribunal de Contas da União) e da Polícia Federal sobre as denúncias de irregularidades.

O líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que a decisão que não representa retirada de apoio político ao peemedebista. Agripino vai pedir uma audiência com Sarney para comunicar a posição da legenda.

"Não há retirada de apoio há posição do partido muito clara de desejo de investigação isenta e de restituição ao Senado de credibilidade indispensável à instituição", afirmou.

Segundo Agripino, a decisão foi consensual. No entendimento dos senadores, o afastamento de Sarney é necessário para dar credibilidade às investigações. "O DEM apoia claramente o pedido de licença do presidente Sarney até que a investigação apresente resultados. As investigações precisam ser transparentes e ter credibilidade", disse.

Na avaliação de Agripino, a saída temporária do peemedebista não representará reconhecimento de culpa. "A nossa preocupação é com o day after. As denúncias estão surgindo a todo momento. Agora, se ele se licenciar e a apuração dos fatos apontarem que ele deve ser inocentado, ele pode voltar. Se nas investigações existirem provas de seu envolvimento, ele terá que ser responsabilizado", afirmou.

Para o líder, ao defender o afastamento, o DEM não está mudando de posição, mas atendendo a um desejo da sociedade. "O DEM apostou na eleição do presidente Sarney. Defendemos o afastamento não por gostar, mas para sintonizar com o interesse da opinião pública", disse.

Durante a reunião, alguns senadores do DEM sugeriram que o partido pedisse que Sarney se afastasse apenas das investigações, mas a proposta de licença do cargo ganhou força com a avaliação de que parlamentares da legenda que passaram pela primeira secretaria da Casa, como o senador Efraim Morais (PB), nos últimos anos, não correm o risco de serem envolvidos na crise.

"Não há porque sair em defesa de ninguém, desconheço qualquer denúncia contra eles", afirmou.

Agripino criticou a iniciativa do PSOL de apresentar uma representação por quebra de decoro parlamentar contra Sarney. "O momento não é esse. O momento é de investigação séria, isenta e transparente", afirmou.

Twitter

Um pouco antes, no Twitter, Agripino antecipou que iria defender na reunião o afastamento de Sarney do cargo. "Vou defender na reunião de bancada a tese da isenção das investigações. Como as investigações são conduzidas pelos funcionários do Senado, acompanhados pelo Ministério Público e TCU (Tribunal de Contas da União). A isenção recomenda a licença do presidente Sarney", diz Agripino no Twitter.

A pressão sobre Sarney não para de crescer. O PSOL protocolou hoje a segunda representação contra Sarney para que ele seja investigado no Conselho de Ética do Senado. Ontem, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), denunciou Sarney e pediu que ele fosse investigado no conselho pelos mais de 600 atos secretos da Casa.

Sarney encaminhou neste fim de semana uma carta aos 80 colegas de Senado para se defender das denúncias de que seu neto teria sido favorecido em negociações com a instituição. Sarney reconhece que uma empresa de José Adriano Sarney intermediava empréstimos consignados para servidores da Casa, mas afirma que não interferiu nos negócios do neto.

"Nenhuma ligação pode ser feita entre a minha presidência e o fato objeto da reportagem. Quero também comunicar-lhe que pedi à Polícia Federal que investigue todos os empréstimos consignados no Senado e as empresas que os operam", afirma ele na carta.

A pressão pela saída de Sarney aumentou depois da descoberta que seu neto é dono de uma empresa que negocia contratos de empréstimos consignados com funcionários do Senado. Vários parentes de Sarney foram empregados em gabinetes de outros senadores por meio de nomeações em atos secretos.

Em nota divulgada na quinta-feira, o presidente do Senado afirmou que existe uma "campanha midiática" contra sua permanência no comando da Casa porque apoia o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sarney disse que seu neto tem qualificação profissional para intermediar empréstimos consignados entre instituições bancárias e servidores do Senado.

Comentários dos leitores
Carlos Franco Franco (673) 07/11/2009 10h08
Carlos Franco Franco (673) 07/11/2009 10h08
SE ELE FEZ O QUE FEZ, QDO SE CANDIDATOU AO SENADO IMAGINA O QUE FARÁ SE FOR CANDIDATO AO GOVERNO DO ESTADO, ESPERO QUE TENHA APRENDIDO A LIÇÃO, E TOMOU VERGONHA. AH ESSES POLITICOS BRASILEIROS. sem opinião
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Luís da Velosa (1370) 07/11/2009 09h16
Luís da Velosa (1370) 07/11/2009 09h16
Pensei que a notícia seria: "O Senado abriu processo..." Mas, tudo bem. Nada pessoal, claro, com os "fantasmas". Acontece que o que interessa ao contribuinte brasileiro é se esse dinheiro malversado, delitivo, portanto, vai ser ressarcido. Se não for, que a apenação seja de tal forma educativa, v.g., trabalhar voluntariamente para pagarem o que devem, ou, se não aceitarem, a demissão do Senado, não somente do cargo comissionado. Tudo isso com a observância do devido processo legal. E mais: quem os empregou, quem os recomendou para fazerem assombrações no Senado? Esses, também, deveriam sofrer os rigores da lei, o que levaria à moraliização do quadro funcional da Casa das Leis. sem opinião
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marco mion (18) 07/11/2009 08h56
marco mion (18) 07/11/2009 08h56
E o nome destes funcionarios fantasma? porque não publicam ou é mais um jogo politico? sem opinião
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