Mangabeira Unger deixa governo Lula; leia carta de renúncia
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem a saída do ministro Mangabeira Unger da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Ele precisará deixar o governo para retomar sua função de professor na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, já que não conseguiu ampliar a licença.
Leia a carta de renúncia de Mangabeira
Mangabeira será substituído provisoriamente por Daniel Vargas, secretário-executivo, e seu ex-aluno em Harvard.
Indicado pelo vice-presidente da República, José Alencar, de quem é correligionário no PRB, ele tomou posse em 19 de junho de 2007.
Mangabeira divulgou nota no começo do mês negando a intenção de deixar o governo e informou que negociava a prorrogação da licença. No documento, o ministro chegou a afirmar que não existia "problema político ou programático na relação dele com o presidente e com o governo".
O convite para Mangabeira integrar a equipe do presidente Lula foi considerado polêmico. Em artigo na "Folha de S.Paulo", em 2005, Mangabeira disse que o governo Lula ocupava o topo do ranking da história da corrupção nacional: "Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos".
A aproximação entre o presidente e Mangabeira começou durante a campanha presidencial de 2006 por pressão do vice-presidente.
A secretaria de Mangabeira precisou ser criada por Lula depois de o Senado rejeitar a sua existência por medida provisória. O presidente depois recriou a pasta por projeto de lei.
Em sua passagem pelo governo, Mangabeira foi criticado pela equipe ambiental. O ministro Carlos Minc (Ambiente) chegou a reclamar dele para Lula. Minc disse que outros ministros pegavam suas "machadinhas" para ir ao Congresso "esquartejar" a lei ambiental.
Mangabeira foi escolhido por Lula para coordenar o PAS (Plano Amazônia Sustentável), motivo pelo qual foi apontado como pivô da demissão da senadora Marina Silva PT do Ministério do Meio Ambiente.
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