Irmão de Zeca do PT ajudou a organizar evento sobre rotas de exportação
HUDSON CORRÊAda Agência Folha, em Anápolis (GO)
Apesar de ter entregue à Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul em dezembro passado um dossiê que levanta suspeitas sobre os negócios de seu irmão, o governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, contou no início de fevereiro com a assessoria de Heitor Miranda dos Santos para organizar um evento do governo sobre rotas de exportação. O ministro Anderson Adauto (Transportes) foi o principal convidado.
No evento, Heitor acabou designado para "apresentar [ao governo federal] um relatório propondo medidas para desburocratizar a operacionalização do corredor ferroviário [que ligaria os portos de Santos e Antofagasta, no Chile]", segundo o site de notícias do governo do Estado.
O corredor ferroviário interessa aos negócios de Heitor. Em 2001, quando tinha cargo no governo, ele coordenou a privatização do terminal portuário de Porto Murtinho (468 km de Campo Grande).
Em setembro do ano passado, as empresas da mulher dele, Miriam dos Santos, e de seu outro irmão Ozório Miranda assumiram o controle do porto, após negociar com as empresas vencedoras da licitação feita em 2001.
O terminal portuário, localizado no rio Paraguai, faz parte de uma rota de exportação para o mercado asiático que é defendida por Zeca do PT e foi tema do evento com a participação do ministro Adauto.
O governador informou que recebeu um dossiê anônimo sobre os negócios de seu irmão e o mandou para a Assembléia Legislativa e para o Ministério Público Estadual apurar.
A assessoria de Zeca do PT informou ontem que o evento sobre a rota de exportação contou com "uma assessoria informal" de Heitor. O irmão do governador, segundo a assessoria, é um especialista sobre a rota de exportação e, por essa razão, foi convidado.
Heitor disse que apenas colaborou com o governo para organizar o encontro sem receber pagamento.
Ele nega que exista irregularidade no terminal de Porto Murtinho, pois as empresas de sua mulher e do seu irmão assumiram o controle do negócio em setembro de 2003, quando Heitor não estava mais no governo.
