Brasil
02/07/2009 - 17h58

Após enquadramento, PT defende aliança com PMDB de Sarney e diz que crise é do Senado

Publicidade

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
MÁRCELA CAMPOS
colaboração para a Folha Online, em Brasília

Após ser enquadrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder do PT no Senado Aloizio Mercadante (SP) defendeu hoje a manutenção da aliança pela governabilidade com o PMDB --partido do senador José Sarney (AP), presidente do Senado. Mercadante disse que a crise não é só de Sarney e que tem que ser compartilhada por todos os 81 senadores.

"Disse publicamente e quero repetir da tribuna: não me parece uma boa atitude a que estamos assistindo, por exemplo, a atitude da bancada do DEM [de pedir o afastamento de Sarney]. Estiveram na 1ª Secretaria, que tem uma imensa responsabilidade administrativa, durante todo o período em que estive nesta Casa. Como simplesmente se retirar neste momento e dizer que a responsabilidade da crise é exclusivamente do presidente José Sarney? Isso não contribui, isso não ajuda. Nós temos, cada um, que assumir a nossa exata responsabilidade por esse processo", disse Mercadante.

Ontem, a bancada do PT no Senado chegou a sugerir o licenciamento temporário de Sarney da presidência por 30 dias. Incomodado com a falta de apoio do PT, Sarney ameaçou renunciar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava no exterior, mandou um recado para o PT ao criticar os partidos de oposição que pedem o afastamento de Sarney. Lula disse que a oposição quer ganhar a presidência do Senado "no tapetão".

Hoje, Mercadante passou a defender a aliança com o PMDB de Sarney em prol da governabilidade do país. "Não há governabilidade sem aliança do PMDB. PSDB e DEM nunca nos deram espaço e é verdade que nós também nunca demos a eles, mas queremos ter aliança e queremos que ela continue. Não me peçam aquilo que não posso fazer, gesto ingênuo espontâneo de fragilizar a governabilidade. Nós queremos ir a fundo, mas sabemos da nossa responsabilidade pela governabilidade", afirmou.

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que Sarney está mais forte do que antes. "Ele saiu fortalecido da crise e conta com o apoio de 55 senadores."

Renan sinalizou ainda que a permanência de Sarney no cargo é uma das condições para o PMDB apoiar o PT na eleição presidencial de 2010. "Essa crise serviu para aproximar PT e PMDB."

Encontro

Lula adiou para amanhã o encontro que teria hoje à noite com Sarney. A avaliação de aliados de Sarney é que Lula adiou o encontro para enquadrar o PT, que aproveitou a viagem do presidente ao exterior para pedir o afastamento do peemedebista da presidência do Senado.

Questionado sobre o encontro, Lula disse que o encontro ainda não foi marcado. "O Sarney não pediu conversa comigo. Ele é presidente do Senado", disse Lula. Assessores de Sarney dizem que ocorrerá amanhã.

Comentários dos leitores
Antonio Fouto Dias (2697) 08/11/2009 21h53
Antonio Fouto Dias (2697) 08/11/2009 21h53
Antes da abertura desse processo, que já devia ter sido instaurado à tempo, deveriam verificar no arquivo quando se deram as nomeações desses funcionários fantasmas, cujo número a princípio era bem superior ao atual.
Creio que é só verificar a data da nomeação e em que gabinete foi sua lotação, uma vez que com essas informações já se sabe o Senador que efetuou a respectiva contratação.
Para isso creio não necessitar de nenhum catedrático da área e, uma vez tudo isso levantado, aí sim, se instaura um processo de responsabilização e não como o que está sendo proposto.
Outro motivo de transparência seria a divulgação dos nomes dos "fantasmas" e suas respectivas lotações, mas pelo comportamento do Senado, dificilmente isso ocorrerá.
sem opinião
avalie fechar
Carlos Franco Franco (673) 07/11/2009 10h08
Carlos Franco Franco (673) 07/11/2009 10h08
SE ELE FEZ O QUE FEZ, QDO SE CANDIDATOU AO SENADO IMAGINA O QUE FARÁ SE FOR CANDIDATO AO GOVERNO DO ESTADO, ESPERO QUE TENHA APRENDIDO A LIÇÃO, E TOMOU VERGONHA. AH ESSES POLITICOS BRASILEIROS. 2 opiniões
avalie fechar
Luís da Velosa (1381) 07/11/2009 09h16
Luís da Velosa (1381) 07/11/2009 09h16
Pensei que a notícia seria: "O Senado abriu processo..." Mas, tudo bem. Nada pessoal, claro, com os "fantasmas". Acontece que o que interessa ao contribuinte brasileiro é se esse dinheiro malversado, delitivo, portanto, vai ser ressarcido. Se não for, que a apenação seja de tal forma educativa, v.g., trabalhar voluntariamente para pagarem o que devem, ou, se não aceitarem, a demissão do Senado, não somente do cargo comissionado. Tudo isso com a observância do devido processo legal. E mais: quem os empregou, quem os recomendou para fazerem assombrações no Senado? Esses, também, deveriam sofrer os rigores da lei, o que levaria à moraliização do quadro funcional da Casa das Leis. 1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (17999)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca