Agaciel diz que sua assinatura em atos secretos foi falsificada
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
Em quatro horas de depoimento à Polícia Legislativa, o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia fez novas acusações contra servidores do Senado e sustentou que sua assinatura foi falsificada em três atos secretos que foram apresentados pelos policiais.
A Polícia Legislativa não deu detalhes das novas denúncias, mas segundo o diretor da Polícia do Senado, Pedro Carvalho, são "graves". As acusações serão apuradas.
Na tentativa de se defender das acusações de que foi o responsável pela nomeação sigilosa no gabinete do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o ex-diretor-geral jogou para o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi a indicação de Lia Raquel Vaz de Souza.
Os policiais mostraram a Agaciel três atos secretos que teriam sido utilizados durante a prestação de serviços de Lia e que trazem a sua assinatura. Lia é filha do analista legislativo do Senado, Valdeque Vaz de Souza, ligado a Agaciel.
Os atos eram referentes à nomeação da servidora para cargo em comissão de assistente parlamentar da Secretaria de Recursos Humanos, depois para o gabinete de Demóstenes e, posteriormente, para o do senador Delcídio Amaral (PT-MS). "Ele disse que as assinaturas não eram deles", afirmou. Agaciel não indicou quem teria assinado em seu lugar. A Polícia Legislativa vai solicitar que o material seja periciado.
Demóstenes afirmou que Agaciel fez a nomeação sem seu conhecimento e pediu a abertura de inquérito. Aos policiais, o ex-diretor-geral fez uma explicação detalhada de como agia em torno de nomeações e exonerações de servidores ao longo dos 14 anos que comandou a diretoria geral do Senado. "Foi um depoimento importante, especialmente porque ele fez novas denúncias que não tínhamos conhecimentos. São graves, mas vamos investigar", disse.
Em documento distribuído ao senador Demóstenes, o sucessor de Agaciel na diretoria geral, Alexandre Gazineo afirmou que Lia foi nomeada por ato de Agaciel Maia e que não havia nenhum pedido de Demóstenes para nomeação da servidora.
Agaciel deixou o Senado sem falar com a imprensa. "Me perdoem, mas não vou falar", disse.
Depoimentos
Além de Agaciel, já prestaram depoimento sobre a denúncia: Lia Raquel, Valdeque, o chefe do serviço de publicação do boletim de pessoal do Senado, Franklin Albuquerque Paes Landim --que em entrevista à Folha acusou Agaciel de ordenar a não publicação dos atos secretos -- e outros dois servidores que trabalham no setor de recursos humanos do Senado. Lia negou ter conhecimento de que teria sido nomeada para o gabinete de Demóstenes.
A Polícia do Senado vai chamar Zoghbi para depor. Não está descartada uma acareação entre os dois ex-diretores.
Demissão
Agaciel Maia é apontado como o principal articulador das irregularidades do Senado. Em meio as desdobramentos da crise, ele entregou uma carta na semana passada, pedindo afastamento remunerado de 90 dias.
A expectativa é que o Senado deve anunciar nos próximos dias abertura de procedimento administrativo contra Agaciel. Se for comprovada sua responsabilidade na edição dos atos secretos, ele pode ser demitido.
A abertura de procedimento dependerá do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ou do primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI). Esse será o primeiro procedimento contra o ex-diretor.
De 1996 até março deste ano, o Senado só teve Agaciel Maia como diretor-geral. Nos últimos anos, ele centralizou decisões e ficou conhecido como o 82º senador. Agaciel deixou o cargo em março de 2009, depois que a Folha revelou que ele não tinha registrado em cartório uma casa situada em um bairro nobre de Brasília e avaliada em R$ 5 milhões. Hoje, trabalha no Instituto Legislativo Brasileiro, um órgão de apoio ao Senado.
Leia mais notícias sobre o Congresso
- Após enquadramento, PT defende aliança com PMDB de Sarney e diz que crise é do Senado
- Presidente do PSDB critica Lula e diz que Senado está sem autoridade
- Agripino diz que dói mais no DEM do que no PT pedir afastamento de Sarney
Outras notícias sobre política em Brasil
- FHC diz que Lula fala coisas "levianas" quando está fora do Brasil
- PSDB entra com duas representações com PT, Lula e Dilma
- José Alencar realiza exames em SP para acompanhar tratamento de câncer
Especial


que aí está não haverá ORDEM E PROGRESSO para o povo brasileiro.Teremos cada vez mais impostos escorchantes, baderna generalizada nos poderes públicos, ausência calamitosa de justiça, e tudo o mais que não presta mas agrada a natureza canalha dos políticos, lobistas, marketeiros e suas
cortes (asseclas).
avalie fechar
avalie fechar
Decididamente os pulhas travestidos de políticos abrigados em todos os partidos da nau há muito não se intimidam ou mesmo se acanham ao serem pegos em escutas e gravações onde o tema em questão seja peculato e corrupção.
A falta de vergonha e desfaçatez que envolve os dissolutos políticos de norte a sul é algo que já virou tão constante e corriqueiro que tais práticas hediondas já fazem parte de nosso "bom convívio" onde prevaricar e assaltar o erário se tornaram atos cotidianos.
Pois quantas vezes nesses últimos anos os escândalos oriundos desses imundos murídeos (vulgo mandatários do povo) nos contemplam com "maravilhas" que nos deixam boquiaberto?
De certo que a coisa torpe e licenciosa se tornou bem mais republicana e democrática quando o presidente de nós todos minimiza os deslizes argüindo: como "erros administrativos"
Onde os escândalos do mensalão, cartão corporativos, Sarney e prole, Renan e amantes,
Delúbio rindo e nos tomando por meros otários e tantos outros mais.
E prá fechar o ano com chave de ouro, Brasília reduto e abrigo de todos os sanguessugas da união nos contempla com mais uma bagatela de aberração.
Onde o governador do DF José Roberto Arruda (DEM) que fora duramente desnudado pela PF onde fazia parte de verdadeira orgia e sangria com todas as provas contra si, faz como todos - e alega "eu não sabia DI NADA"
Pergunto, quantas vezes sentiremos vergonha de sermos esbulhados brasileiros?
Spencer
avalie fechar