Espírito de autoproteção livrou Edmar da cassação, diz relator
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), relator que pediu a cassação do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) no Conselho de Ética da Câmara, disse ontem que a rejeição de seu parecer mostrou que "o espírito de corpo, de autoproteção, falou mais alto que o interesse público da instituição".
Anteontem, por 9 votos a 4 e uma abstenção, o conselho livrou Edmar da cassação. Ele é dono de um castelo avaliado em cerca de R$ 25 milhões em Minas Gerais e usou notas de suas próprias empresas de segurança para justificar gastos de R$ 230,6 mil, entre 2007 e 2008, com verba indenizatória.
De acordo com Fonteles, "a ideia da sobrevivência de mandato faz com que a luta da permanência no poder force o espírito de corpo para não ser rigoroso com o interesse público numa hora dessa". Ele defende, porém, que os deputados mantenham a possibilidade de avaliar seus pares no conselho.
Ao assumir a corregedoria da Casa, em fevereiro, cargo ao qual renunciou, Edmar propôs o fim dos julgamentos pela própria Casa. Afirmou, então, que deputados não têm "poder de polícia" e que o "espírito de corpo" e a "fraternidade entre os colegas" tiram a condição dos deputados de fazerem julgamentos de quebra de decoro.
Para ter maior "liberdade de pensar e decidir", o conselho deveria ser reformado, afirmou Fonteles, aumentando o número de membros de 14 para 25 deputados, o que diminuiria "risco de acordo de amizade".
Segundo ele, a rejeição da pena da cassação deixou arranhada a imagem do conselho. "Temos que reconhecer que [o conselho] está atravessando dificuldades."
Corinthians
Moreira passou a manhã na Câmara ontem. Ao ouvir de uma pessoa que passava a pergunta "dormiu tranquilo hoje, não?", respondeu: "Agora é o outro round".
Ao ser questionado pela reportagem sobre o resultado da véspera, Moreira disse que estava "feliz da vida que o Corinthians ganhou ontem, tricampeão". Questionado mais uma vez sobre a rejeição da cassação, disse: "Estou falando de futebol".
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Isso que a camara vai fazer é uma pova irrefutavel.
Profundamente lamentável. Tristes tempos estamos vivendo!!!
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E ainda tem a cara de pau, de dizer que não havia no passado "regras", especificando que não podiam usar verba pública em suas próprias empresas...
Dá para acreditar?
É preciso regra para ser honesto? Decente? Responsável?
Como dizem os mais antigos, isso é apenas uma questão de indole e de "berço".
Ou a pessoa, tem ou não tem...
Não existe meio termo.
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