Em campanha em SP, Emidio desiste se Lula e Dilma quiserem
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
da Folha de S.Paulo
O prefeito de Osasco, Emidio de Souza, 50, afirma que pode abrir mão de sua pré-candidatura, apesar de ter intensificado suas costuras internas e viagens ao interior, em favor do deputado federal Ciro Gomes (PSB), desde que essa seja a vontade do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff.
À frente de uma cidade com 722.711 habitantes, situada na região oeste da Grande São Paulo, Emidio é conhecido no PT por ter bom trânsito entre as várias correntes do partido.
Ele conta com a simpatia de setores próximos da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), caso ela não queira concorrer e o deputado federal Antonio Palocci não se viabilize. Apesar da força no partido, o prefeito nem sequer atingiu 1% das intenções de voto na mais recente pesquisa Datafolha. Anteontem, ele recebeu a Folha em Osasco:
FOLHA - Por que o senhor quer disputar o governo mesmo ainda não sendo conhecido do eleitor?
EMIDIO DE SOUZA - Porque eu acho que o Estado tem força econômica e política para ser muito melhor do que é.
FOLHA - Mas, e a situação no PT?
EMIDIO - O PT está iniciando o processo de discussão. Temos vários nomes, e o meu está colocado como uma nova liderança do partido. Queremos também compor com outras siglas, como PSB, PDT, PR, PC do B. E vamos tentar até com o PMDB.
FOLHA - O sr. acredita que o PT precisa passar por um processo de renovação em São Paulo?
EMIDIO - Quem olhasse a política paulista anos atrás enxergaria outros nomes. Isso é natural. A renovação não quer dizer abandonar o passado, mas trazer novas ideias e padrões.
FOLHA - O PSDB está no poder no Estado há mais de 16 anos. Qual a fórmula para derrotá-lo?
EMIDIO - Indiretamente, ele está desde 1982, com a eleição do [Franco] Montoro. O PSDB surgiu de uma cisão no PMDB e o próprio Montoro tornou-se tucano. Serra era secretário de Planejamento dele. Nenhuma oligarquia no país se sustenta há tanto tempo. A hora de mudança é agora. São Paulo já sabe o jeito do PT governar o Brasil.
FOLHA - E a possibilidade de o PT apoiar Ciro Gomes ou Dr. Hélio (prefeito de Campinas pelo PDT)?
EMIDIO - Não devemos rejeitar nenhuma hipótese.Temos de ser um partido aberto, que saiba dialogar com a sociedade. Não dá para pensar em montar uma aliança e não considerar a possibilidade de um outro partido liderá-la. A candidatura do Ciro, como outras, deve ser examinada nesse patamar e dentro da ótica da política brasileira. Nós temos uma meta que é a eleição da Dilma Rousseff para o Planalto. As outras estratégias devem se subordinar a ela. Se for vontade da maioria do PT, se o presidente Lula assim quiser e se for fundamental para o projeto nacional, não há problema nenhum em abrir mão da minha pré-candidatura. Não serei empecilho a esse caminho.
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