Brasil
06/07/2009 - 14h10

Procuradoria denuncia Dantas e mais 13 por suposto financiamento do "valerioduto"

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TATHIANA BARBAR
da Folha Online

Atualizado às 16h38.

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou à Justiça Federal o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, e mais 13 pessoas por suposto financiamento do chamado "valerioduto", esquema montado pelo empresário Marcos Valério--investigado no caso mensalão.

Segundo a Procuradoria, o financiamento teria ocorrido quando o grupo estava no comando da Brasil Telecom. Dantas foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de quadrilha e organização criminosa.

De acordo com a denúncia, o banqueiro, sua irmã, Verônica Dantas, e o presidente do Opportunity, Dório Ferman, teriam cometido fraudes no comando do Opportunity Fund e do banco Opportunity, como a presença de cotistas brasileiros no fundo, quando a prática era proibida; desvio de recursos da Brasil Telecom para autofinanciamento do Opportunity; e utilização da Brasil Telecom para repassar recursos às empresas de publicidade de Valério, com as quais teriam sido firmados dois contratos, superiores a R$ 50 milhões.

A Procuradoria ainda arrolou 20 testemunhas no caso, entre as quais o presidente da Santos-Brasil, Wady Jasmim, e o ex-ministro Mangabeira Unger, que foi consultor do Opportunity nos Estados Unidos.

Para o procurador da República Rodrigo De Grandis, as investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, constataram que os denunciados constituíram "um verdadeiro grupo criminoso empresarial, cuja característica mais marcante fora transpor métodos empresariais para a perpetração de crimes, notadamente delitos contra o sistema financeiro, de corrupção ativa e de lavagem de recursos ilícitos".

Dantas foi preso durante a Satiagraha. Na ocasião, também foram presos, entre outras pessoas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Os três foram soltos depois. Eles são suspeitos de praticar os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

O Ministério Público afirma que a nova denúncia não deve encerrar as investigações da Satiagraha e pede ainda a abertura de três novos inquéritos. Um deles seria para aprofundar a participação de pessoas investigadas inicialmente e não denunciadas agora, como o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e Carlos Rodenburg (presidente do braço agropecuário do grupo). Outro iria apurar especificamente crimes financeiros na aquisição do controle acionário da BrT pela Oi. O terceiro investigaria evasões de divisas praticadas por cotistas brasileiros do Opportunity Fund, com sede nas Ilhas Cayman, no Caribe.

Como as investigações correm sob segredo de Justiça, Grandis não quis comentar sobre um eventual pedido de prisão dos denunciados, mas a reportagem apurou que o pedido não teria sido feito à Justiça.

Outro lado

O advogado Andrei Schmidt, que defende Dantas e o Opportunity, divulgou nota afirmando que a denúncia do Ministério Público traz acusações infundadas e que ela é resultado da Operação Satiagraha. "A Operação Satiagraha é uma fraude. A denúncia foi apresentada para justificar a operação, as buscas e apreensões e as prisões ilegais."

"Não há qualquer envolvimento do Opportunity com o 'mensalão', conforme já reconhecido pelo Poder Judiciário. Fere o senso comum que o governo negue a existência do 'mensalão' e ao mesmo tempo, como ocorreu na CPI, acuse Daniel Dantas de estar envolvido com o esquema. O governo persegue Dantas e, conjuntamente, acusa-o de financiá-lo", diz a nota.

A Folha Online não conseguiu contato com a assessoria da Brasil Telecom.

Comentários dos leitores
fabio siqueira ferreira (215) 07/11/2009 15h45
fabio siqueira ferreira (215) 07/11/2009 15h45
À matemática eleitoral, pois ela transcende o que os olhos enxergam de imediato:
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- Protógenes se filiou a um partido que se coligará com o PT nas próximas eleições.
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- Protógenes demitido se transformará num "coitadinho", embora não o seja tanto.
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- O eleitor adora "heroi" e/ou coitadinho.
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- O Delegado não tem cacife para se eleger Senador, portanto vai de carona na proporcional.
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Somando tudo, vê-se com o cérebro que a operação é matemática à procura de muitosssss votos, que somados à legenda PT+Votos-Dr.Delegado contribuirão para eleger um bom número de deputados.
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Brilhante (diferente de ética) a estratégia eleitoral. Quer dizer o demônio a quem Protógenes julgava combater, agora é alimentado pela outra mão do Delegado.
sem opinião
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Pessoal, não há qualquer supresa, pois noutras esféras do Estado Brasileiro decisões similares são adotadas. sem opinião
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DOMINGOS REIS (1) 07/11/2009 10h32
DOMINGOS REIS (1) 07/11/2009 10h32
NAO SO VOTARIA, MAIS TRABALHARIA POR ESSE CIDADAO, TALVEZ ELE LA NO CONGRESSO , MEXERIA COM O BRIO DOS QUE ESTAO LA. sem opinião
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