Sarney diz que cabe ao TCU investigar suposta irregularidade em fundação que leva seu nome
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
Cobrado em plenário pelo senador Álvaro Dias (PSDB-AP), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se defendeu das acusações de que a fundação que leva seu nome estaria envolvida com desvio de recursos da Petrobras. Sarney afirmou que a prestação de contas foi encaminhada ao Ministério da Cultura e que cabe ao TCU (Tribunal de Contas da União) investigar qualquer irregularidade.
Sarney reafirmou que não tem responsabilidade administrativa sobre a fundação. "Quero dizer que eu não tenho nenhuma responsabilidade administrativa naquela fundação, mas o que eu sei é que ela teve um projeto aprovado pela Lei Rouanet sujeito a um patrocínio da Petrobras, assim como evidentemente muitos memoriais de presidentes da República já receberam. De acordo com a lei essa prestação de contas já foi encaminhada ao Ministério da Cultura e compete ao TCU em qualquer irregularidade a atribuição de julgá-la", disse.
Após a declaração, Sarney deixou o plenário sem ouvir o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que tinha pedido a palavra para falar sobre a acusação. Virgílio reclamou da saída do presidente da Casa e reafirmou que Sarney a cada dia perde mais a autoridade sobre o comando do Senado. "A cada dia uma nova explicação e a cada justificativa ele fica cada vez menor. [ A saída] Foi estranho. Ele disse que tinha um compromisso, que já tinha dado as explicações, mas foi muito esquisito. Prefiro acreditar que ele realmente tinha um compromisso", disse.
O líder do PSDB afirmou que vai protocolar amanhã no Ministério Público Federal uma representação pedindo que seja investigada a acusação contra a Fundação José Sarney. "Não cabe mais espaço para nota. É preciso uma explicação com respaldo que não reste dúvidas sobre a sua isenção nessas denúncias", disse.
O Ministério da Cultura informou nesta quinta-feira que a análise do projeto da Fundação José Sarney teve tramitação "normal" dentro do órgão. A assessoria do ministério disse que o projeto levou quatro meses para ser selecionado entre as ações que receberiam incentivos da Lei Rouanet. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, não houve favorecimento da Fundação José Sarney.
O Ministério não pode se pronunciar oficialmente sobre o caso porque o prazo para a prestação de contas da fundação dos recursos captados termina no fim do mês. De acordo com a assessoria, o ministério terá até seis meses para analisar toda a prestação. Se for comprovada alguma irregularidade, como nota fria, ou informalidade, o ministério pede que o TCU (Tribunal de Contas de União) abra uma investigação.
Segundo reportagem publicada hoje no jornal "O Estado de S. Paulo", ao menos R$ 500 mil dos recursos repassados pela Petrobras para patrocinar um projeto cultural da Fundação Sarney teriam sido desviados para empresas fantasmas e e empresas da família do senador peemedebista José Sarney (AP). O dinheiro teria ido parar em contas de empresas com endereços fictícios e contas paralelas. O projeto nunca saiu do papel.
A reportagem informa que a justificação de um saque de R$ 145 mil foi foi feita com recibos da própria fundação. Outros R$ 30 mil foram para emissoras de rádio e TV da família Sarney para veicular comerciais sobre o projeto fictício.
Reportagem publicada na edição de hoje da Folha informa que a Fundação José Sarney em São Luís (MA) tem como principal atração para o público, em vez de livros e o museu, uma festa julina idealizada pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). A fundação recebeu R$ 1,34 milhão da Petrobras entre o fim de 2005 e setembro passado para preservação de seu acervo.
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), defendeu hoje a Petrobras e disse que o Ministério da Cultura é que precisa apresentar explicações.
Mercadante afirmou que espera uma resposta da Fundação José Sarney sobre a denúncia, mas tentou minimizar a responsabilidade da estatal na fiscalização da aplicação desses recursos. O líder do PT disse que a Petrobras repassa a verba, mas cabe ao Ministério da Cultura, que é o responsável pela Lei Rouanet, verificar se os gastos estão adequados.
"Temos que aguarda uma reposta da fundação antes de fazer uma avaliação dos desdobramentos políticos. A Petrobras Cultural cuida de acervos e monumentos históricos e a prestação de contas tem que ser feita com o Ministério da Cultura", afirmou.
Leia mais notícias sobre o Congresso
- Ministério da Cultura nega favorecimento à Fundação José Sarney, sarney, crise
- Após ultimato, Senado marca para terça-feira instalação de CPI da Petrobras
- Nova denúncia contra Sarney rompe trégua da oposição e ameaça CPI da Petrobras
- "Fundação Sarney comprovou contrapartidas", afirma Petrobras em nota
Outras notícias sobre política em Brasil
- Defesa cria comitê de supervisão a buscas do Araguaia sem incluir parentes de desaparecidos
- Oposição vai pedir ao Ministério Público que investigue novas denúncias contra Sarney
- Médicos começam cirurgia no presidente interino José Alencar
Especial
- Veja o que há sobre o Congresso
- Veja cobertura do Congresso
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria



avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar