Brasil
09/07/2009 - 17h35

Sarney diz que cabe ao TCU investigar suposta irregularidade em fundação que leva seu nome

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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

Cobrado em plenário pelo senador Álvaro Dias (PSDB-AP), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se defendeu das acusações de que a fundação que leva seu nome estaria envolvida com desvio de recursos da Petrobras. Sarney afirmou que a prestação de contas foi encaminhada ao Ministério da Cultura e que cabe ao TCU (Tribunal de Contas da União) investigar qualquer irregularidade.

Sarney reafirmou que não tem responsabilidade administrativa sobre a fundação. "Quero dizer que eu não tenho nenhuma responsabilidade administrativa naquela fundação, mas o que eu sei é que ela teve um projeto aprovado pela Lei Rouanet sujeito a um patrocínio da Petrobras, assim como evidentemente muitos memoriais de presidentes da República já receberam. De acordo com a lei essa prestação de contas já foi encaminhada ao Ministério da Cultura e compete ao TCU em qualquer irregularidade a atribuição de julgá-la", disse.

Após a declaração, Sarney deixou o plenário sem ouvir o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que tinha pedido a palavra para falar sobre a acusação. Virgílio reclamou da saída do presidente da Casa e reafirmou que Sarney a cada dia perde mais a autoridade sobre o comando do Senado. "A cada dia uma nova explicação e a cada justificativa ele fica cada vez menor. [ A saída] Foi estranho. Ele disse que tinha um compromisso, que já tinha dado as explicações, mas foi muito esquisito. Prefiro acreditar que ele realmente tinha um compromisso", disse.

O líder do PSDB afirmou que vai protocolar amanhã no Ministério Público Federal uma representação pedindo que seja investigada a acusação contra a Fundação José Sarney. "Não cabe mais espaço para nota. É preciso uma explicação com respaldo que não reste dúvidas sobre a sua isenção nessas denúncias", disse.

O Ministério da Cultura informou nesta quinta-feira que a análise do projeto da Fundação José Sarney teve tramitação "normal" dentro do órgão. A assessoria do ministério disse que o projeto levou quatro meses para ser selecionado entre as ações que receberiam incentivos da Lei Rouanet. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, não houve favorecimento da Fundação José Sarney.

O Ministério não pode se pronunciar oficialmente sobre o caso porque o prazo para a prestação de contas da fundação dos recursos captados termina no fim do mês. De acordo com a assessoria, o ministério terá até seis meses para analisar toda a prestação. Se for comprovada alguma irregularidade, como nota fria, ou informalidade, o ministério pede que o TCU (Tribunal de Contas de União) abra uma investigação.

Segundo reportagem publicada hoje no jornal "O Estado de S. Paulo", ao menos R$ 500 mil dos recursos repassados pela Petrobras para patrocinar um projeto cultural da Fundação Sarney teriam sido desviados para empresas fantasmas e e empresas da família do senador peemedebista José Sarney (AP). O dinheiro teria ido parar em contas de empresas com endereços fictícios e contas paralelas. O projeto nunca saiu do papel.

A reportagem informa que a justificação de um saque de R$ 145 mil foi foi feita com recibos da própria fundação. Outros R$ 30 mil foram para emissoras de rádio e TV da família Sarney para veicular comerciais sobre o projeto fictício.

Reportagem publicada na edição de hoje da Folha informa que a Fundação José Sarney em São Luís (MA) tem como principal atração para o público, em vez de livros e o museu, uma festa julina idealizada pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). A fundação recebeu R$ 1,34 milhão da Petrobras entre o fim de 2005 e setembro passado para preservação de seu acervo.

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), defendeu hoje a Petrobras e disse que o Ministério da Cultura é que precisa apresentar explicações.

Mercadante afirmou que espera uma resposta da Fundação José Sarney sobre a denúncia, mas tentou minimizar a responsabilidade da estatal na fiscalização da aplicação desses recursos. O líder do PT disse que a Petrobras repassa a verba, mas cabe ao Ministério da Cultura, que é o responsável pela Lei Rouanet, verificar se os gastos estão adequados.

"Temos que aguarda uma reposta da fundação antes de fazer uma avaliação dos desdobramentos políticos. A Petrobras Cultural cuida de acervos e monumentos históricos e a prestação de contas tem que ser feita com o Ministério da Cultura", afirmou.

Comentários dos leitores
JOÃO RAMOS LOPES RAMOS (36) 14/11/2009 13h06
JOÃO RAMOS LOPES RAMOS (36) 14/11/2009 13h06
ADIANTA ANULAR A ELEIÇÃO?
Eu te respondo EDUARDO. Adianta sim Eduardo. Se a eleição for anulada, mudaremos todos os deputados federais e 2/3 do senado, isto no próximo pleito.
Se vai melhorar eu não sei e acho que ninguém sabe.
Só saberemos tentando. Se nunca tentar-mos, como vamos saber. Por isso, temos que tentar. Além do mais, ao anular-mos uma eleição, estaremos mostrando aos políticos que deixamos de ser vaquinhas de presépio e sabemos o que queremos. Se quiser, pode continuar dizendo que não adianta, enquanto eu, contnuarei insistindo na minha campanha pelo voto nulo.
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eduardo braga (37) 14/11/2009 11h42
eduardo braga (37) 14/11/2009 11h42
"Senador diz que Battisti entrou em greve de fome; defesa desconhece informação"
Que se mate.Não fará falta a Itália nem ao Brasil.
Contudo seria interessante ver a JUSTIÇA brasileira
acatar assassino cruel, perverso, covarde e contumaz como mero criminoso político. Ficaria bem
evidente para qualquer um onde está o foco de todo o mal que vem arruinando o povo brasileiro há
mais de 100 anos de República.
FALTA JUSTIÇA DE VERDADE.
sem opinião
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eduardo braga (37) 14/11/2009 11h14
eduardo braga (37) 14/11/2009 11h14
E adianta anular eleição?
Os partidos não têm boas opções a oferecer.
A legislação continua a mesma, induzindo e estimulando a corrupção e todo tipo de imoralidade
política-administrativa na esfera federal, na estadual e na municipal.
Deus salve o Brasil!
sem opinião
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