Com maioria na CPI da Petrobras, governo pretende proteger Planalto de constrangimentos
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
A CPI da Petrobras programada para começar na terça-feira promete ser palco de grandes embates políticos. Governo e oposição escalaram seus principais líderes para participar das investigações. O governo tem ampla maioria e pretende passar o rolo compressor evitando constrangimentos ao Palácio do Planalto e aos diretores da estatal.
Os partidos governistas tem oito das 11 vagas de titular, enquanto a oposição ficou com apenas três cadeiras. Seguindo orientação do governo, os líderes alinhados com o Planalto não abriram mão dos cargos de comando, que foram entregues ao PT e ao PMDB.
Os líderes do PMDB, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do PT, Aloizio Mercadante (PT-SP), disputam nos bastidores as indicações. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é cotado para assumir a relatoria. Tem a seu favor o histórico de fidelidade ao governo. Para a presidência, os governistas indicam que podem escolher o senador João Pedro (PT-AM). Os nomes devem ser confirmados na terça-feira horas antes da instalação da CPI.
Apesar das incertezas sobre o principal cargo de comando da CPI, o governo já orientou os governistas --que são maioria --a engavetar requerimentos de convocação de autoridades do alto escalão do governo, como a ministra Dilma Rousseff (da Casa Civil). Os governistas teriam em mãos uma lista de quem pode ou não ser convocado.
Mesmo com essa estratégia, os oposicionistas dizem que podem dar trabalho ao governo. Argumentam que a blindagem acaba derrubada quando os fatos são relevantes. A oposição afirma ainda que o governo pode ser prejudicado por ter esvaziado as três reuniões marcadas para o início da CPI, jogando as discussões da comissão para o período eleitoral.
"Maioria não se sustenta quando um fato relevante aparece. O governo já passou por isso em experiências anteriores e, por isso, temia a instalação da CPI. Sem contar que temos 180 dias para mostrar ao Brasil os problemas dessa grande empresa", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
Os senadores da base aliada também apostam no calendário para evitar que as investigações ganhem fôlego. A avaliação dos líderes é que o recesso parlamentar, que deve começar na terça-feira com a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), pode frear as investigações.
Para uma CPI funcionar no recesso é preciso que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autorize o seu funcionamento. Tanto governo quanto oposição não trabalham com essa possibilidade.
Leia mais notícias sobre o Congresso
- Oposição pedirá cópia de auditorias e investigações na instalação da CPI da Petrobras
- Sarney nega elo com museu, mas usou cargo para ajudá-lo
- Sarney se defende sobre desvio de verbas de fundação; oposição pede investigação
Outras notícias sobre política em Brasil
- Oposição pedirá cópia de auditorias e investigações na instalação da CPI da Petrobras
- Alencar passa por cirurgia de seis horas para retirar tumores
- Aécio critica "populismo" de Lula e quer coluna da oposição
Especial
- Veja o que há sobre o Congresso
- Veja cobertura do Congresso
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria
- Livro traz análise do governo de SARNEY, de 1985 a 1990
- Jornalista diz que SARNEY tentava fazer o que Tancredo faria
- Frederico Vasconcelos ensina como INVESTIGAR empresas, GOVERNOS e tribunais
Livraria


Parece ter atingido também à moderação em face à lentidão fora do comum na edição das opiniões. Talvez fosse conveniente, em respeito, se é que existe, ao participante um simples comunicado. A dúvida nunca foi boa conselheira; diversamente, é péssima. Mormente entre supostos parceiros envolvidos em um caso supostamente comum: informação.
avalie fechar
CPI da petrobrás não chegou a lugar nenhum, previsível a maioria é do pt ou tropa de choque, são ratos cuidando do queijo...
--
-- o seu dinheiro é a nossa energia --
avalie fechar
Ali sempre foi um caso de polícia.
Aparelhamento partidário de uma empresa de capital misto, pública para todos os efeitos, com evidências de desvio da receita para fins eleitoreiros, seria mais do que o suficiente para uma intervenção.
Mas parece que nossa "justiça", nesse caso ao menos, prefere olhar para o outro lado.
avalie fechar