Brasil
14/07/2009 - 15h58

Oposição critica governistas por CPI "chapa branca" para investigar Petrobras

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MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

A oposição aproveitou o início dos trabalhos da CPI da Petrobras nesta terça-feira para afirmar que vai fazer uma investigação técnica, e não política da estatal. Os tucanos reclamaram que o governo emplacou uma CPI chapa branca ao concentrar os cargos de comando.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do pedido de criação da CPI da Petrobras, afirmou nesta terça-feira, durante a instalação da comissão, que a investigação da estatal é uma medida "patriota".

"É um ato patriótico investigar qualquer suspeita de irregularidade da maior empresa do Brasil. Temos que valorizar a empresa e recolocar no patamar técnico que ela sempre ocupou a empresa de maior domínio de exploração de petróleo em águas profundas", afirmou.

O tucano reclamou da resistência dos governistas em dividir com a oposição os cargos de comando da CPI. "O que lamentamos é o fato de não respeitarmos agora a tradição do Senado Federal, de que uma CPI tenha no seu comando, uma divisão de responsabilidade entre maioria e minoria. Sempre foi assim. A candidatura da oposição tem o sentido de marcar posição política em razão ao desrespeito à tradição. Não há pretensão de vencer no voto, já que o resultado é conhecido. É manifestar o inconformismo da atitude governista de não compartilhar para a realização dos trabalhos", disse.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), também reforçou às críticas e chamou de golpe a exclusão da oposição nos cargos de comando. "Nas CPIs dos Cartões Corporativos, ONG's e Pedofilia, em todas elas coube uma das funções à minoria. Golpe parecido foi tentado com êxito na CPMI do mensalão, que não deu certo e se investigou contra a vontade do governo", disse.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que a CPI é necessária para preservar o patrimônio dos brasileiros. Guerra disse que a reação da CPI ao pedido de investigação foi inesperado.

"Nós não vamos ser responsáveis, não vai sobrar para nós a acusação de imprudentes. Nós não entramos nessa CPI de brincadeira, sabemos da importância dela, mas a reação à nossa iniciativa foi brutal, absolutamente desproporcional. Medidas extremas começaram a ser adotadas, a mais extrema de todas: o presidente da República afirmou que não cabia CPI nenhuma, que nós não desejávamos que a Petrobras funcionasse, que nós estávamos empenhados em danificar a Petrobras", disse.

Depois de quatro adiamentos, os governistas compareceram à reunião da CPI. O presidente interino, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), convocou a eleição do presidente.

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), apresentou o nome do senador João Pedro (PT-AM), para a presidência e do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), para vice-presidente. A oposição lançou o nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para presidência e do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) para vice-presidente.
A votação na CPI é secreta, mas a expectativa é que a chapa governista ganhe pela ampla maioria. Depois de eleito o presidente, ele terá que indicar o relator. A base governista fechou acordo e definiu que o relator será Jucá.

Comentários dos leitores
Antonio Fouto Dias (2697) 08/11/2009 21h53
Antonio Fouto Dias (2697) 08/11/2009 21h53
Antes da abertura desse processo, que já devia ter sido instaurado à tempo, deveriam verificar no arquivo quando se deram as nomeações desses funcionários fantasmas, cujo número a princípio era bem superior ao atual.
Creio que é só verificar a data da nomeação e em que gabinete foi sua lotação, uma vez que com essas informações já se sabe o Senador que efetuou a respectiva contratação.
Para isso creio não necessitar de nenhum catedrático da área e, uma vez tudo isso levantado, aí sim, se instaura um processo de responsabilização e não como o que está sendo proposto.
Outro motivo de transparência seria a divulgação dos nomes dos "fantasmas" e suas respectivas lotações, mas pelo comportamento do Senado, dificilmente isso ocorrerá.
sem opinião
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Carlos Franco Franco (673) 07/11/2009 10h08
Carlos Franco Franco (673) 07/11/2009 10h08
SE ELE FEZ O QUE FEZ, QDO SE CANDIDATOU AO SENADO IMAGINA O QUE FARÁ SE FOR CANDIDATO AO GOVERNO DO ESTADO, ESPERO QUE TENHA APRENDIDO A LIÇÃO, E TOMOU VERGONHA. AH ESSES POLITICOS BRASILEIROS. 2 opiniões
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Luís da Velosa (1381) 07/11/2009 09h16
Luís da Velosa (1381) 07/11/2009 09h16
Pensei que a notícia seria: "O Senado abriu processo..." Mas, tudo bem. Nada pessoal, claro, com os "fantasmas". Acontece que o que interessa ao contribuinte brasileiro é se esse dinheiro malversado, delitivo, portanto, vai ser ressarcido. Se não for, que a apenação seja de tal forma educativa, v.g., trabalhar voluntariamente para pagarem o que devem, ou, se não aceitarem, a demissão do Senado, não somente do cargo comissionado. Tudo isso com a observância do devido processo legal. E mais: quem os empregou, quem os recomendou para fazerem assombrações no Senado? Esses, também, deveriam sofrer os rigores da lei, o que levaria à moraliização do quadro funcional da Casa das Leis. 1 opinião
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