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Entenda a polêmica sobre o enriquecimento de Urânio no Brasil
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O Brasil, dono da sexta maior reserva de urânio do planeta, anunciou, no ano passado, que começaria a enriquecer urânio a partir de maio de 2004 por meio da INB (Indústrias Nucleares do Brasil). O governo anunciou também que, dentro de uma década, pretendia começar a exportar o produto.
O minério de urânio extraído hoje no Brasil é enriquecido no Canadá e na Europa. O urânio enriquecido no país será utilizado principalmente para gerar energia nas usinas nucleares de Angra 1 e 2, além de algumas outras aplicações previstas no programa nuclear, como a medicina nuclear e a irradiação de alimentos.
Em dezembro do ano passado, o jornal "The New York Times" publicou reportagem na qual informava que o Brasil se recusava a aceitar inspeções nas instalações nucleares do país sem aviso prévio.
Inspeção
Segundo o diário norte-americano, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), que faz parte da ONU, "há algum tempo vem tentando discutir com as autoridades brasileiras uma forma adequada de inspeção".
Em resposta ao "NYT", o governo brasileiro disse, por meio dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, que "o Brasil cumpre --e sempre cumpriu- os compromissos assumidos pela assinatura de acordos, convenções e tratados internacionais".
As Nações Unidas têm uma preocupação com urânio enriquecido porque, além de produzir energia, pode ser usado em bombas atômicas.
Washington Post
No domingo passado(4), o jornal americano "Washington Post" publicou reportagem, com chamada na capa, dizendo que o Brasil proibiu inspetores da ONU de examinar instalação de enriquecimento de urânio que está em construção em Resende (a 161 km do Rio).
Segundo o texto, cujo título é "Brasil oculta instalações de urânio", a proibição foi confirmada por diplomatas e autoridades brasileiras em Viena, sede da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
O Brasil, segundo o "Post", proibiu a visita a instalações argumentando proteção a informações privadas. Defende que a instalação irá produzir urânio pouco enriquecido para uso em fábricas, não o urânio altamente enriquecido, usado para armas atômicas. Apesar disso, diz o texto, o local deveria ser submetido às inspeções para ficar claro que não está sendo usado para a fabricação de armas nucleares.
O Ministério de Ciência e Tecnologia nega que o Brasil esteja dificultando o acesso de inspetores de armas nucleares à instalação brasileira de enriquecimento de urânio de Resende, no Rio de Janeiro. "É inaceitável qualquer especulação que ponha em dúvida as intenções pacíficas do projeto nuclear brasileiro", disse o ministro Eduardo Campos, por meio de sua assessoria.
O ministério confirmou a visita de fiscais internacionais à INB, em fevereiro e março deste ano. Restringiu, como "forma de proteger" a tecnologia empregada no equipamento, o acesso dos inspetores à centrífuga que produz o urânio enriquecido.
O ministério disse ainda que o país está em negociação com a AIEA para a utilização de outros métodos de fiscalização quando a planta industrial de Resende entrar em funcionamento em caráter experimental, em outubro.
Uma das propostas do governo brasileiro para resolver o impasse é a inspeção na entrada e na saída do urânio. "A própria Constituição determina a utilização da energia nuclear apenas para fins pacíficos. O Brasil é signatário de tratados de não-proliferação de armas nucleares e sempre condenou o terrorismo", afirmou ainda o ministro.
Estados Unidos, França, Rússia, China, Japão, Holanda, Alemanha e Inglaterra já enriquecem urânio em grandes quantidades.
Com Folha de S.Paulo
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