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Brasil
01/08/2009 - 01h03

TJ proíbe "Estado" de noticiar ação contra filho de Sarney

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da Folha de S.Paulo

O desembargador do TJ (Tribunal de Justiça) do Distrito Federal Dácio Vieira proibiu ontem, em decisão liminar, o jornal "O Estado de S. Paulo" de publicar qualquer informação relativa à Operação Boi Barrica, ação da Polícia Federal que investiga, entre outros, Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A investigação da PF corre sob segredo de Justiça. Se não respeitar a decisão --que não foi divulgada por também ser sigilosa--, o jornal será punido com multa de R$ 150 mil por cada reportagem publicada. O desembargador atendeu pedido de Fernando Sarney, que é dono de um grupo de comunicação no Maranhão.

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Após ter pedido negado na Justiça Federal, o advogado de Fernando, Eduardo Ferrão, entrou com uma ação, juridicamente chamada de medida inibitória, na Justiça do DF. O requerimento foi negado na primeira instância do TJ-DF por um juiz que entendeu que a proibição seria uma afronta à liberdade de imprensa e também que o conteúdo da Faktor já havia se tornado público.

Ferrão recorreu então à segunda instância, na qual obteve a decisão favorável a Fernando. Para o advogado, "não se trata de censura". "A operação está sob segredo de Justiça, divulgar seu conteúdo é crime. Foi o que o desembargador disse."

O inquérito que resultou na operação foi instaurado em fevereiro de 2007, a partir de uma comunicação feita pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que detectou movimentações atípicas no valor de R$ 3,5 milhões realizadas por Fernando e empresas da família, às vésperas da eleição de 2006. A suspeita era de caixa dois na campanha de Roseana ao governo, o que os filhos de Sarney negam.

A investigação da PF se desdobrou em cinco inquéritos. Fernando foi indiciado em três, por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A mulher dele, Teresa Murad, e funcionários de empresas da família também foram indiciados.

A diretora jurídica do Grupo Estado, Mariana Uemura Sampaio, informou que o jornal foi oficialmente comunicado sobre a proibição por volta das 18h e recorrerá da decisão.

Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, disse que "o jornal não se intimidará, como nunca se intimidou. O jornal respeita os parâmetros da lei e utiliza métodos jornalísticos lícitos e éticos para levar informações de interesse público à sociedade".

O diretor executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Ricardo Pedreira, disse que a entidade considera a decisão do TJ "censura prévia e que isso é inconstitucional. Não é uma questão que diga respeito unicamente a empresas jornalísticas, mas aos cidadãos, que ficam impedidos de receber as informações".

Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, fez crítica semelhante. "Impedir de maneira prévia, com o respaldo da Justiça, que as pessoas tenham acesso à infomação é violência ao direito que as pessoas têm de ser informadas."

O desembargador Dácio Vieira ocupava um cargo de confiança na gráfica do Senado antes de ser nomeado para o TJ-DF. Sua indicação para o tribunal deveu-se ao apoio que teve de José Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia, com quem mantem relação de amizade.

Vieira era consultor jurídico da gráfica na época em que o órgão era comandado por Agaciel. A Folha apurou que o ex-diretor usou a estrutura de pessoal da gráfica para recolher entre os senadores assinatura de apoio à candidatura de Vieira ao tribunal. A escolha de seu nome foi feita pelo presidente da República.

Sarney compareceu, em fevereiro deste ano, em sua posse na presidência do TRE-DF. Vieira, por sua vez, foi ao casamento da filha de Agaciel, quando posou para fotos ao lado de Sarney, Agaciel e do senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

A Folha ligou para a residência de Dácio Vieira, mas foi informada de que ele viajou para Minas Gerais e não levou telefone.

Neste ano, Dácio Vieira organizou um jantar de apoio a Agaciel Maia que enfrenta uma série de denúncias de irregularidades cometidas nos 14 anos em que chefiou a Diretoria Geral do Senado. O encontro ocorreu em um hotel de Brasília e reuniu diversos desembargadores da Justiça do Distrito Federal.

Agaciel deixou o cargo no início do ano, após a Folha revelar que ele escondeu da Justiça uma casa no valor de R$ 5 milhões.

Comentários dos leitores
eduardo braga (38) 28/11/2009 10h54
eduardo braga (38) 28/11/2009 10h54
Mudando de assunto: em que ficou a reforma política? Enquanto permanecer esse sistema político
que aí está não haverá ORDEM E PROGRESSO para o povo brasileiro.Teremos cada vez mais impostos escorchantes, baderna generalizada nos poderes públicos, ausência calamitosa de justiça, e tudo o mais que não presta mas agrada a natureza canalha dos políticos, lobistas, marketeiros e suas
cortes (asseclas).
sem opinião
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Alziro Ribeiro da Silva (41) 28/11/2009 08h57
Alziro Ribeiro da Silva (41) 28/11/2009 08h57
O nosso povo gosta mesmo de tirar sarro, não acham? se é pobre é porque ficam horas nos pronto socorros e ricos como Sarney porque teve mordomias, esse é nosso BRASIL AMADO!!!! sem opinião
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MARCELO SPENCER DE PAULA (597) 28/11/2009 08h39
MARCELO SPENCER DE PAULA (597) 28/11/2009 08h39
"BRASILIA LITERALMENTE A CAPITAL DA CORRUPÇÃO"
Decididamente os pulhas travestidos de políticos abrigados em todos os partidos da nau há muito não se intimidam ou mesmo se acanham ao serem pegos em escutas e gravações onde o tema em questão seja peculato e corrupção.
A falta de vergonha e desfaçatez que envolve os dissolutos políticos de norte a sul é algo que já virou tão constante e corriqueiro que tais práticas hediondas já fazem parte de nosso "bom convívio" onde prevaricar e assaltar o erário se tornaram atos cotidianos.
Pois quantas vezes nesses últimos anos os escândalos oriundos desses imundos murídeos (vulgo mandatários do povo) nos contemplam com "maravilhas" que nos deixam boquiaberto?
De certo que a coisa torpe e licenciosa se tornou bem mais republicana e democrática quando o presidente de nós todos minimiza os deslizes argüindo: como "erros administrativos"
Onde os escândalos do mensalão, cartão corporativos, Sarney e prole, Renan e amantes,
Delúbio rindo e nos tomando por meros otários e tantos outros mais.
E prá fechar o ano com chave de ouro, Brasília reduto e abrigo de todos os sanguessugas da união nos contempla com mais uma bagatela de aberração.
Onde o governador do DF José Roberto Arruda (DEM) que fora duramente desnudado pela PF onde fazia parte de verdadeira orgia e sangria com todas as provas contra si, faz como todos - e alega "eu não sabia DI NADA"
Pergunto, quantas vezes sentiremos vergonha de sermos esbulhados brasileiros?
Spencer
sem opinião
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