04/05/2004
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16h41
da Folha Online
O procurador-geral da República, Claudio Fonteles, enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) parecer considerando inconstitucional o arquivamento do pedido da CPI dos bingos no Senado.
Mandados de segurança dos senadores Efraim Morais (PFL-PB), Pedro Simon (PMDB-RS) e Jefferson Péres (PDT-AM) contestam no STF a não-instalação da CPI dos bingos no Senado. O parecer foi requisitado à Procuradoria pelo STF.
Eles argumentam que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), violou o direito da minoria à criação da CPI por não ter indicado os membros que a comporiam, depois que os líderes dos partidos também se recusaram a fazê-lo. Sarney afirma que seguiu o regimento da Casa.
Segundo Fonteles, o pedido de CPI "preencheu os requisitos constitucionais à sua criação" e decisão de Sarney e dos líderes "inviabilizou a incidência do texto constitucional".
Para o procurador-geral, no entanto, "os líderes partidários é que detêm a atribuição constitutiva de formar comissões parlamentares de inquérito". Ele diz ainda que apesar de reconhecer o direito das minorias "por líquido e certo", "não é a Mesa do Senado quem deve figurar no pólo passivo desta relação processual, mas os líderes da maioria".
Choque de Poderes
Normalmente, o STF se nega a julgar atos das presidências da Câmara e do Senado sobre instalação de CPIs, afirmando que isso implicaria interferência do Judiciário no Legislativo. Os senadores sustentam que a situação agora é diferente, porque estaria em jogo o desrespeito à Constituição.
O ministro do Supremo Celso de Mello já havia negado pedidos de liminar dos senadores que queriam a instalação da CPI, mas em sua decisão reconheceu a possibilidade de o tribunal intervir posteriormente na questão para assegurar direitos das minorias eventualmente ameaçados. Os 11 ministros do STF deverão julgar o mérito dos mandados de segurança.
Relator dos mandados de segurança, Mello disse que não concederia a liminar porque não reconheceu a existência de risco de dano irreparável na não-instalação da CPI imediatamente.
Em discurso ontem a desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o presidente do STF, ministro Maurício Corrêa, que nesta semana se aposenta compulsoriamente ao completar 70 anos, disse que a CPI dos bingos não foi instalada no Senado "por razões políticas".
"Dizem que o Poder Executivo sofre o controle das CPIs. O Senado autorizou a abertura da CPI dos Bingos? Não? Por quê? Porque houve razões de conveniência política", declarou.
Leia mais
Líder do PT no Senado diz que direito da minorias foi preservado
Fonteles diz que arquivamento de CPI dos bingos é inconstitucional
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VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃOda Folha Online
O procurador-geral da República, Claudio Fonteles, enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) parecer considerando inconstitucional o arquivamento do pedido da CPI dos bingos no Senado.
Mandados de segurança dos senadores Efraim Morais (PFL-PB), Pedro Simon (PMDB-RS) e Jefferson Péres (PDT-AM) contestam no STF a não-instalação da CPI dos bingos no Senado. O parecer foi requisitado à Procuradoria pelo STF.
Eles argumentam que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), violou o direito da minoria à criação da CPI por não ter indicado os membros que a comporiam, depois que os líderes dos partidos também se recusaram a fazê-lo. Sarney afirma que seguiu o regimento da Casa.
Segundo Fonteles, o pedido de CPI "preencheu os requisitos constitucionais à sua criação" e decisão de Sarney e dos líderes "inviabilizou a incidência do texto constitucional".
Para o procurador-geral, no entanto, "os líderes partidários é que detêm a atribuição constitutiva de formar comissões parlamentares de inquérito". Ele diz ainda que apesar de reconhecer o direito das minorias "por líquido e certo", "não é a Mesa do Senado quem deve figurar no pólo passivo desta relação processual, mas os líderes da maioria".
Choque de Poderes
Normalmente, o STF se nega a julgar atos das presidências da Câmara e do Senado sobre instalação de CPIs, afirmando que isso implicaria interferência do Judiciário no Legislativo. Os senadores sustentam que a situação agora é diferente, porque estaria em jogo o desrespeito à Constituição.
O ministro do Supremo Celso de Mello já havia negado pedidos de liminar dos senadores que queriam a instalação da CPI, mas em sua decisão reconheceu a possibilidade de o tribunal intervir posteriormente na questão para assegurar direitos das minorias eventualmente ameaçados. Os 11 ministros do STF deverão julgar o mérito dos mandados de segurança.
Relator dos mandados de segurança, Mello disse que não concederia a liminar porque não reconheceu a existência de risco de dano irreparável na não-instalação da CPI imediatamente.
Em discurso ontem a desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o presidente do STF, ministro Maurício Corrêa, que nesta semana se aposenta compulsoriamente ao completar 70 anos, disse que a CPI dos bingos não foi instalada no Senado "por razões políticas".
"Dizem que o Poder Executivo sofre o controle das CPIs. O Senado autorizou a abertura da CPI dos Bingos? Não? Por quê? Porque houve razões de conveniência política", declarou.
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