Governistas negociam trégua para "congelar" pedido de depoimento de Dilma
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
A base governista no Senado negociou uma trégua nesta quarta-feira com a oposição e trabalha para adiar para a próxima semana a análise pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) dos requerimentos que pedem que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) preste esclarecimentos ao Congresso sobre o suposto encontro com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira.
Jucá pediu ao presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO), que coloque a matéria em votação na próxima quarta-feira. "Eu pedi para votar essa matéria na próxima semana. Depois de ontem temos que acalmar os ânimos", disse.
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O líder do governo no Senado afirmou que o bate boca de ontem entre o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI), mostrou que o nível do debate na Casa está ultrapassando os limites.
O mal estar começou depois que Suplicy levantou um cartão vermelho para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em protesto contra o arquivamento das acusações contra o peemedebista no Conselho de Ética. "É preciso deixar a situação mais serena para retomarmos as discussões", afirmou.
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Apesar do pedido de Jucá, os senadores governistas que fazem parte da CCJ continuam acompanhando a reunião para evitar uma manobra da oposição. Os governistas, que são maioria, temem que os requerimentos de convocação da ministra sejam analisados quando o quorum estiver baixo e favorável aos oposicionistas.
Manobra
Na tentativa de evitar que a oposição conseguisse garantir um depoimento da ministra sobre o suposto encontro na CCJ, Jucá apresentou um convite e uma convocação para Dilma. Jucá apresentou os requerimentos como uma manobra para evitar que a oposição surpreendesse o governo e aprovasse a convocação da ministra.
Jucá pretendia arquivar os pedidos porque, pelas normas do Senado, se um requerimento for rejeitado, ele não poderá ser reapresentado na comissão com o mesmo teor durante toda a legislatura. Em resposta à movimentação governista, o presidente da CCJ suspendeu a sessão sem dar explicações e evitou a votação dos requerimentos.
Demóstenes afirmou que vai segurar a votação dos requerimentos até que o plenário da CCJ esteja quase sem a presença dos governistas. "Eles precisam lembrar que manobra por manobra nós também temos direito de fazer", afirmou.
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