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Brasil
18/06/2004 - 06h35

João Paulo promete restaurar mínimo menor

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KENNEDY ALENCAR
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Antecipando a derrota que o governo sofreria à noite no Senado, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), telefonou para o presidente Lula na tarde de ontem e prometeu que a Casa que comanda restaurará o valor de R$ 260 do salário mínimo.

Tal operação, porém, envolverá um custo político. A Folha apurou que o PT voltará a insistir com o presidente para que a articulação política retorne às mãos do partido. Leia-se: tirá-la do ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) e dá-la ao ministro José Dirceu (Casa Civil), que, assim, retomaria o controle da liberação de emendas parlamentares e da nomeação de cargos.

Ao mesmo tempo, João Paulo tentará ressuscitar a emenda constitucional que permitiria a reeleição dele e do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para seus respectivos cargos. Apesar de ter lavado as mãos no Senado, Sarney deverá orientar o seu grupo político a votar a favor de R$ 260 na Câmara.

João Paulo procurou ontem mesmo líderes partidários e disse que devem usar o discurso de responsabilidade com o país, alegando impacto do mínimo de R$ 275 nas contas da Previdência e de prefeituras, para bancar os R$ 260. Assim, responderiam ao argumento de que o Senado faz "bondades" e deixa com a Câmara o desgaste das "maldades". Mais: João Paulo e aliados vão se empenhar para evitar que Lula sofra o desgaste de ser obrigado a vetar o mínimo de R$ 275.

Rejeitada no Senado, a MP (medida provisória) do mínimo volta à Câmara, para um decisão definitiva. Na Câmara, o valor de R$ 275 já foi votado e derrotado uma vez por 266 a 167 votos.

Dirceu x Aldo

Apesar da paternidade da derrota ser do próprio Lula, que entrou diretamente no esforço para tentar aprovar a MP no Senado, o PT pretende colocar a maior parcela de responsabilidade na conta de Aldo. Argumento: duas MPs vitais para o governo, a que proibia os Bingos e a do mínimo de R$ 260, caíram sob o seu comando.

A pressão do PT para retomar a articulação política começou há cerca de duas semanas. João Paulo e o presidente da legenda, José Genoino, são defensores da idéia --apesar de negarem de público.

Lula chegou a dar demonstração em conversas reservadas de que poderia deslocar Aldo para o Ministério da Defesa, ocupado por José Viegas. Mas o vazamento da informação e a virulência de Dirceu nas tentativas de minar Aldo deixaram tal idéia em banho-maria. Ela, porém, não foi descartada por Lula e, com a derrota de no Senado, volta a ganhar força.

Há forte resistência do PT e de setores da base aliada à liderança de Aldo. Na Câmara, existe um sentimento de orfandade em relação a Dirceu, articulador político de Lula até a reforma ministerial do fim de janeiro. Com a mudança, a Casa Civil ficou com a atribuição de gerenciar o governo.

Até o início da guerra entre Aldo e Dirceu, o presidente preferia que o chefe da Casa Civil fosse presidir a Câmara a partir de fevereiro de 2005. Teria tempo, portanto, para encontrar um novo gerente e articularia para que Dirceu voltasse a fazer o que mais gosta, articulação política.

Lula, porém, não deseja que Dirceu vá contrariado para a Câmara. Nesse caso, avalia que é preferível que fique no governo. Daí o PT o querer de volta na articulação.

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