Publicidade

Publicidade
Brasil
18/06/2004 - 07h09

Ministro afirma que Lula "lamenta" derrota no Senado

Publicidade
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, afirmou que o governo "lamenta" a derrota da medida provisória que fixava o salário mínimo em R$ 260 no Senado, mas está convicto de que a Câmara manterá o valor original, possivelmente com mais votos do que na primeira votação (266).

Aldo estava com Luiz Inácio Lula da Silva depois que saiu o placar mostrando a derrota do governo. Ao saber da notícia, Lula pediu para que Aldo fosse dar a entrevista. "Vai lá dar uma entrevista, tranqüilo, democracia é assim", teria dito o presidente.

Na entrevista, Aldo disse: "A vida não é feita somente de vitórias. Nós sabemos que, quando queremos alcançar objetivos importantes, nós temos de arriscar. A derrota atravessa o caminho mesmo das instituições mais vitoriosas. A derrota é uma contingência da vida e só pode ser superada quando, na próxima votação, obtivermos uma vitória", afirmou o ministro.

Aldo Rebelo não quis comentar a possibilidade de a Câmara aprovar o valor de R$ 275 --caso em que, supostamente, o projeto seria vetado por Lula, o que faria o salário mínimo voltar ao valor anterior à MP, ou seja, R$ 240.

"A Câmara vai manter a medida provisória original. Isso descarta a possibilidade de veto do presidente. Nós não trabalhamos com essa hipótese [de veto]", afirmou.

Rebelo descartou a possibilidade de uma rebelião de deputados governistas, pelo fato de terem de assumir sozinhos o desgaste de aprovar um salário mínimo de R$ 260. "Já conversei com os líderes [da Câmara] depois da votação no Senado, e todos estão tranqüilos em relação às suas bases e em relação à votação da MP no seu retorno à Câmara", disse.

Questionado se faltou articulação da base governista, o ministro disse que o governo sempre teve minoria no Senado. "Nós conseguimos aprovar matérias importantes construindo maioria em negociação com a oposição. Desta vez a negociação não foi possível, e o governo contou com dissidências na sua base", disse.

Ontem, o ministro José Dirceu (Casa Civil) fez questão de dizer que Aldo e ele trabalharam em conjunto na tentativa de convencer senadores a votar a favor do salário mínimo de R$ 260.

Indagado se o governo sabia que seria derrotado antes da votação, Aldo afirmou que não. "Ninguém sabe que vai ser derrotado nem antes de votação, nem antes de eleição, nem antes de o juiz apitar o jogo de futebol. A gente trabalha para ganhar."

Rebelo evitou responder a diversas perguntas sobre a falta de apoio do presidente do Senado, José Sarney. Por fim, disse que ele é um "magistrado", e o governo não pode esperar que ele seja o fator decisivo nas votações.

Leia mais
  • Senado derruba proposta de Lula e aprova mínimo de R$ 275
  • João Paulo promete restaurar mínimo menor
  • Na Câmara, líderes prevêem dificuldades para aprovar mínimo de R$ 260
  • Planalto libera R$ 135,8 milhões em 20 dias

    Especial
  • Arquivo: veja o que já foi publicado sobre o sálario mínimo
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca