22/06/2004
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02h42
da Folha de S.Paulo, no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem que, apesar das divergências, "lamenta profundamente" a morte do ex-governador do Rio de Janeiro e presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, 82. Lula terminava um jantar com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quando foi avisado da morte do pedetista.
Para Lula, o país perde referência importante de sua história. "Eu acho que ele foi um personagem de nossa história durante mais de meio século. Acho que ele é uma figura de muita importância política para o Brasil. E acho que nós perdemos. Perdemos uma referência importante da nossa política", afirmou.
Brizola apoiou Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2002, mas rompeu com o governo no final do ano passado. Em 1998, o pedetista foi o vice na chapa de Lula à Presidência.
"Obviamente, eu lamento profundamente a morte de uma personalidade política como a do governador Brizola. Todo mundo sabe que, mesmo nos momentos de divergência, eu sempre nutri um profundo respeito e admiração pela história política do Brizola", afirmou o presidente.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse estar "chocado" com a morte.
"Eu, pessoalmente, fico muito chocado, porque a minha geração viveu várias tentativas de golpe de Estado, e algumas acabaram dando certo, infelizmente. Eu era muito jovem e me lembro da "cadeia da legalidade" que o Brizola comandou." E concluiu: "Para mim, [Brizola] é uma pessoa que sempre esteve em defesa da ordem democrática no momento em que ela foi ameaçada".
História
A ruptura do PDT com o governo Lula se deu no final do ano passado. À época, Brizola alegou que a decisão da saída da base aconteceu depois de uma análise do primeiro ano do governo, na qual se chegou à conclusão de que Lula repete Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
O líder pedetista intimou os filiados do partido a deixar o governo, sob pena de desligamento. O ex-ministro Miro Teixeira, então na pasta das Comunicações, preferiu sair do PDT. Na oposição, Brizola foi a favor da CPI dos Bingos, requerida em razão do caso Waldomiro Diniz.
Em maio último, o ex-governador foi citado na reportagem do "New York Times" segundo a qual o "hábito de bebericar" do presidente Lula era uma "preocupação nacional" no Brasil. "Quando eu fui candidato a vice-presidente de Lula, ele bebia muito", diz Brizola na reportagem.
Em um de seus últimos artigos, escrito antes da primeira votação da medida provisória do salário mínimo na Câmara e publicado no site do PDT, o pedetista criticou as "desculpas esfarrapadas" que, segundo ele, eram usadas pelo governo para defender o mínimo de R$ 260: "As desculpas esfarrapadas têm um conteúdo de crueldade e cinismo que fica a dever à infame época da ditadura".
Especial
Arquivo: veja o que já foi publicado sobre o ex-governador Leonel Brizola
Veja o especial sobre Leonel Brizola
Perdemos referência importante, diz Lula sobre a morte de Leonel Brizola
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da Folha de S.Pauloda Folha de S.Paulo, no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem que, apesar das divergências, "lamenta profundamente" a morte do ex-governador do Rio de Janeiro e presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, 82. Lula terminava um jantar com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quando foi avisado da morte do pedetista.
Para Lula, o país perde referência importante de sua história. "Eu acho que ele foi um personagem de nossa história durante mais de meio século. Acho que ele é uma figura de muita importância política para o Brasil. E acho que nós perdemos. Perdemos uma referência importante da nossa política", afirmou.
Brizola apoiou Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2002, mas rompeu com o governo no final do ano passado. Em 1998, o pedetista foi o vice na chapa de Lula à Presidência.
"Obviamente, eu lamento profundamente a morte de uma personalidade política como a do governador Brizola. Todo mundo sabe que, mesmo nos momentos de divergência, eu sempre nutri um profundo respeito e admiração pela história política do Brizola", afirmou o presidente.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse estar "chocado" com a morte.
"Eu, pessoalmente, fico muito chocado, porque a minha geração viveu várias tentativas de golpe de Estado, e algumas acabaram dando certo, infelizmente. Eu era muito jovem e me lembro da "cadeia da legalidade" que o Brizola comandou." E concluiu: "Para mim, [Brizola] é uma pessoa que sempre esteve em defesa da ordem democrática no momento em que ela foi ameaçada".
História
A ruptura do PDT com o governo Lula se deu no final do ano passado. À época, Brizola alegou que a decisão da saída da base aconteceu depois de uma análise do primeiro ano do governo, na qual se chegou à conclusão de que Lula repete Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
O líder pedetista intimou os filiados do partido a deixar o governo, sob pena de desligamento. O ex-ministro Miro Teixeira, então na pasta das Comunicações, preferiu sair do PDT. Na oposição, Brizola foi a favor da CPI dos Bingos, requerida em razão do caso Waldomiro Diniz.
Em maio último, o ex-governador foi citado na reportagem do "New York Times" segundo a qual o "hábito de bebericar" do presidente Lula era uma "preocupação nacional" no Brasil. "Quando eu fui candidato a vice-presidente de Lula, ele bebia muito", diz Brizola na reportagem.
Em um de seus últimos artigos, escrito antes da primeira votação da medida provisória do salário mínimo na Câmara e publicado no site do PDT, o pedetista criticou as "desculpas esfarrapadas" que, segundo ele, eram usadas pelo governo para defender o mínimo de R$ 260: "As desculpas esfarrapadas têm um conteúdo de crueldade e cinismo que fica a dever à infame época da ditadura".
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