28/06/2004
-
19h14
da Folha Online, em Brasília
Para alguns dos nove deputados do PT punidos nesta segunda-feira por votarem contra o salário mínimo de R$ 260, a decisão da Executiva Nacional do partido apenas oficializa algo que já estava ocorrendo. No grupo há quem já não estava representando a sigla efetivamente desde meados do ano passado, quando se abstiveram na votação da reforma da Previdência.
O documento da Executiva, aprovado por 9 votos a 3, impede os nove deputados e três senadores que votaram contra a orientação partidária de serem indicados para novas funções de representação de bancada e da legenda, mas não suspende nenhum deles das atividades parlamentares.
"Não foi novidade. Já estávamos na Sibéria [geladeira] há quase dois anos, agora só foi oficializado", disse a deputada Maria José Maninha (PT-DF).
"O Arlindo vem fazendo isso há muito tempo com quem ele não gosta. Não estamos relatando absolutamente nada. Na realidade, a gente já estava na geladeira", afirmou o deputado Walter Pinheiro (BA), referindo-se ao líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP).
Repactuação
Maninha acusou a direção do partido de, mais uma vez, não ouvir os congressistas antes de decidir puni-los. "Mais uma vez não fomos ouvidos. Estamos aguardando a comunicação oficial da Executiva. Continuamos afirmando que não pretendemos sair do partido e que continuaremos votando de acordo com as nossas convicções", declarou a deputada.
Ela lembrou que os deputados, Luciana Genro (sem partido-RS), Babá (sem partido-PA) e João Fontes (sem partido-SE), e a senadora Heloisa Helena (sem partido-AL), foram expulsos no ano passado por votarem contra o partido na reforma da Previdência e que ela, e outros que se abstiveram foram suspensos.
Desta vez, afirma Maninha, os que votaram contra o salário mínimo de R$ 260 foram "apenas" suspensos e quem se absteve "sequer" foi punido. Ela disse ainda que na decisão desta segunda, o PT introduziu a novidade da repactuação. "É isso que queremos entender. Vamos aguardar que eles nos expliquem o que é essa repactuação", declarou a petista.
"A análise da infração disciplinar e a suspensão de novas representações das bancadas e do partido dos referidos parlamentares será avaliada após a definição desse novo pacto de relacionamento político", diz um dos trechos da resolução da Executiva.
Já Pinheiro disse ter gostado da idéia da repactuação, porque a direção do PT mostrou que quer estabelecer o diálogo. Ele só espera que a repactuação não demore muito a acontecer.
"Eu achei até bom. Pelo menos vamos estabelecer um canal de diálogo. Vejo isso como uma coisa boa. Pode abrir uma fase nova. O diálogo estava fechado. Só espero que isso se arraste por quatro anos. O partido terá que tomar a iniciativa de nos procurar, mas nós vamos cobrar", afirmou Pinheiro.
Os punidos na Câmara dos Deputados são Orlando Fantazini (SP), Paulo Rubem (PE), Maria José Maninha (DF), Mauro Passos (SC), Chico Alencar (RJ), Ivan Valente (SP), Doutora Clair (PR), João Alfredo (CE) e Walter Pinheiro (BA). Os senadores Paulo Paim (RS), Flávio Arns (PR) e Serys Slhesssarenko (MT) completam o time dos 'rebeldes do mínimo'.
Os nove deputados e três senadores se reunirão na quarta-feira, no horário do almoço, para avaliar a punição.
Leia mais
PT dá punição branda para petistas que votaram contra o mínimo no Congresso
Especial
Arquivo: saiba tudo que já foi publicado sobre embate entre os petistas sobre o mínimo
Arquivo: veja o que já foi publicado sobre a votação do salário mínimo
Executiva oficializou a "geladeira", dizem petistas punidos
Publicidade
RICARDO MIGNONEda Folha Online, em Brasília
Para alguns dos nove deputados do PT punidos nesta segunda-feira por votarem contra o salário mínimo de R$ 260, a decisão da Executiva Nacional do partido apenas oficializa algo que já estava ocorrendo. No grupo há quem já não estava representando a sigla efetivamente desde meados do ano passado, quando se abstiveram na votação da reforma da Previdência.
O documento da Executiva, aprovado por 9 votos a 3, impede os nove deputados e três senadores que votaram contra a orientação partidária de serem indicados para novas funções de representação de bancada e da legenda, mas não suspende nenhum deles das atividades parlamentares.
"Não foi novidade. Já estávamos na Sibéria [geladeira] há quase dois anos, agora só foi oficializado", disse a deputada Maria José Maninha (PT-DF).
"O Arlindo vem fazendo isso há muito tempo com quem ele não gosta. Não estamos relatando absolutamente nada. Na realidade, a gente já estava na geladeira", afirmou o deputado Walter Pinheiro (BA), referindo-se ao líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP).
Repactuação
Maninha acusou a direção do partido de, mais uma vez, não ouvir os congressistas antes de decidir puni-los. "Mais uma vez não fomos ouvidos. Estamos aguardando a comunicação oficial da Executiva. Continuamos afirmando que não pretendemos sair do partido e que continuaremos votando de acordo com as nossas convicções", declarou a deputada.
Ela lembrou que os deputados, Luciana Genro (sem partido-RS), Babá (sem partido-PA) e João Fontes (sem partido-SE), e a senadora Heloisa Helena (sem partido-AL), foram expulsos no ano passado por votarem contra o partido na reforma da Previdência e que ela, e outros que se abstiveram foram suspensos.
Desta vez, afirma Maninha, os que votaram contra o salário mínimo de R$ 260 foram "apenas" suspensos e quem se absteve "sequer" foi punido. Ela disse ainda que na decisão desta segunda, o PT introduziu a novidade da repactuação. "É isso que queremos entender. Vamos aguardar que eles nos expliquem o que é essa repactuação", declarou a petista.
"A análise da infração disciplinar e a suspensão de novas representações das bancadas e do partido dos referidos parlamentares será avaliada após a definição desse novo pacto de relacionamento político", diz um dos trechos da resolução da Executiva.
Já Pinheiro disse ter gostado da idéia da repactuação, porque a direção do PT mostrou que quer estabelecer o diálogo. Ele só espera que a repactuação não demore muito a acontecer.
"Eu achei até bom. Pelo menos vamos estabelecer um canal de diálogo. Vejo isso como uma coisa boa. Pode abrir uma fase nova. O diálogo estava fechado. Só espero que isso se arraste por quatro anos. O partido terá que tomar a iniciativa de nos procurar, mas nós vamos cobrar", afirmou Pinheiro.
Os punidos na Câmara dos Deputados são Orlando Fantazini (SP), Paulo Rubem (PE), Maria José Maninha (DF), Mauro Passos (SC), Chico Alencar (RJ), Ivan Valente (SP), Doutora Clair (PR), João Alfredo (CE) e Walter Pinheiro (BA). Os senadores Paulo Paim (RS), Flávio Arns (PR) e Serys Slhesssarenko (MT) completam o time dos 'rebeldes do mínimo'.
Os nove deputados e três senadores se reunirão na quarta-feira, no horário do almoço, para avaliar a punição.
Leia mais
Especial


