07/07/2004
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07h38
da Folha de S.Paulo
A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), iniciou ontem a disputa pela reeleição sem que o partido tenha quitado uma dívida de R$ 500 mil da campanha eleitoral de 1998 ao governo do Estado.
O valor, atribuído a supostos serviços de propaganda, comunicação e pesquisas de opinião, representa quase 50% do gasto declarado por Marta com essas áreas na campanha de 1998. Ela prevê gastar R$ 15 milhões na atual campanha. Os processos de prestação de contas do diretório estadual do PT de 2000, 2001, 2002 e 2003 informam que a dívida foi assumida pela sigla e vem sendo incluída, ano após ano, na relação de "outras obrigações a pagar" do diretório sem nunca ter sido abatida ou parcelada com as empresas. O valor permaneceu o mesmo em todos os anos.
A detentora do maior crédito com o PT, de R$ 300 mil, é uma empresa de Mato Grosso do Sul, a Flash Comunicações, que hoje presta serviços ao governo de José Orcírio Miranda, o Zeca do PT.
Credora de R$ 100 mil, a PG Comunicação trabalha para a Prefeitura de Guarulhos, também administrada pelo PT, e para o próprio diretório do partido. O diretor da empresa, o publicitário Eduardo Godoy, foi secretário de Comunicação na primeira gestão do governador Zeca do PT.
A área técnica do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo quis saber do PT o motivo dos créditos. A resposta, enviada em 30 de janeiro último, revela que o partido não tem cópias de notas fiscais do trabalho realizado na campanha de Marta em 1998.
"Quanto à requisição "documentação comprobatória da rubrica outras obrigações a pagar", já solicitadas em diligência, muito embora já se tenha entrado em contato com as empresas [...] para que atestem a existência dos débitos, aguarda-se o referido atestado", afirma a resposta do PT.
O partido então anexou uma declaração da Flash assinada naquele mês pelo "sócio-gerente José Raimundo da Silva", que confirmou um crédito de R$ 300 mil por "serviços prestados" durante a campanha de Marta em 1998.
Localizado pela Folha, o autor da declaração afirmou:
Folha - Vocês têm um crédito com o PT de São Paulo?
José Raimundo da Silva - Humm, é, mais ou menos isso.
Folha - Vocês não têm o crédito?
Silva - Eu sei, mas isso aí é uma coisa antiga. Eu não estou bem a par, porque isso aí eu passei para o contador e não estou a par.
Folha - Vocês trabalharam na campanha de Marta Suplicy...
Silva - Sim, sim.
Folha - Em que ano?
Silva - Na campanha dela.
Folha - Mas em que ano, porque ela foi candidata em 98...
Silva - Não. Nesta última.
Folha - A de 2000, para prefeita?
Silva - É.
Folha - E para o governo, vocês não trabalharam em 98?
Silva - Não.
Folha - Não trabalharam para a campanha de Marta governadora?
Silva - Não, fizemos algumas coisas, mas foi irrelevante.
Folha - O que o sr. chama de irrelevante na sua contabilidade?
Silva - Isso aí é pouca coisa. Assim de cabeça não tenho.
Após uma nova pergunta, a ligação caiu. Procurado depois, Silva não foi localizado.
Conforme a Folha revelou em maio, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, ainda tem R$ 3,4 milhões em dívidas pendentes da campanha presidencial de 2002. Segundo Serra, suas contas de campanha, incluindo as dívidas, foram aprovadas pelo TSE e cabe à direção do PSDB equacioná-las.
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Marta começa campanha com dívida de 98
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RUBENS VALENTEda Folha de S.Paulo
A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), iniciou ontem a disputa pela reeleição sem que o partido tenha quitado uma dívida de R$ 500 mil da campanha eleitoral de 1998 ao governo do Estado.
O valor, atribuído a supostos serviços de propaganda, comunicação e pesquisas de opinião, representa quase 50% do gasto declarado por Marta com essas áreas na campanha de 1998. Ela prevê gastar R$ 15 milhões na atual campanha. Os processos de prestação de contas do diretório estadual do PT de 2000, 2001, 2002 e 2003 informam que a dívida foi assumida pela sigla e vem sendo incluída, ano após ano, na relação de "outras obrigações a pagar" do diretório sem nunca ter sido abatida ou parcelada com as empresas. O valor permaneceu o mesmo em todos os anos.
A detentora do maior crédito com o PT, de R$ 300 mil, é uma empresa de Mato Grosso do Sul, a Flash Comunicações, que hoje presta serviços ao governo de José Orcírio Miranda, o Zeca do PT.
Credora de R$ 100 mil, a PG Comunicação trabalha para a Prefeitura de Guarulhos, também administrada pelo PT, e para o próprio diretório do partido. O diretor da empresa, o publicitário Eduardo Godoy, foi secretário de Comunicação na primeira gestão do governador Zeca do PT.
A área técnica do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo quis saber do PT o motivo dos créditos. A resposta, enviada em 30 de janeiro último, revela que o partido não tem cópias de notas fiscais do trabalho realizado na campanha de Marta em 1998.
"Quanto à requisição "documentação comprobatória da rubrica outras obrigações a pagar", já solicitadas em diligência, muito embora já se tenha entrado em contato com as empresas [...] para que atestem a existência dos débitos, aguarda-se o referido atestado", afirma a resposta do PT.
O partido então anexou uma declaração da Flash assinada naquele mês pelo "sócio-gerente José Raimundo da Silva", que confirmou um crédito de R$ 300 mil por "serviços prestados" durante a campanha de Marta em 1998.
Localizado pela Folha, o autor da declaração afirmou:
Folha - Vocês têm um crédito com o PT de São Paulo?
José Raimundo da Silva - Humm, é, mais ou menos isso.
Folha - Vocês não têm o crédito?
Silva - Eu sei, mas isso aí é uma coisa antiga. Eu não estou bem a par, porque isso aí eu passei para o contador e não estou a par.
Folha - Vocês trabalharam na campanha de Marta Suplicy...
Silva - Sim, sim.
Folha - Em que ano?
Silva - Na campanha dela.
Folha - Mas em que ano, porque ela foi candidata em 98...
Silva - Não. Nesta última.
Folha - A de 2000, para prefeita?
Silva - É.
Folha - E para o governo, vocês não trabalharam em 98?
Silva - Não.
Folha - Não trabalharam para a campanha de Marta governadora?
Silva - Não, fizemos algumas coisas, mas foi irrelevante.
Folha - O que o sr. chama de irrelevante na sua contabilidade?
Silva - Isso aí é pouca coisa. Assim de cabeça não tenho.
Após uma nova pergunta, a ligação caiu. Procurado depois, Silva não foi localizado.
Conforme a Folha revelou em maio, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, ainda tem R$ 3,4 milhões em dívidas pendentes da campanha presidencial de 2002. Segundo Serra, suas contas de campanha, incluindo as dívidas, foram aprovadas pelo TSE e cabe à direção do PSDB equacioná-las.
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