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Brasil
08/07/2004 - 07h07

Marta come pastel e lanche de mortadela

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CHICO DE GOIS
da Folha de S.Paulo

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), responsabilizou ontem o PSDB e o ex-prefeito Paulo Maluf (1993-96) pelo atual endividamento da cidade.

A afirmação foi feita após Marta ser questionada sobre se haveria um pacto de não-agressão entre ela e o candidato do PP, como insinua o PSDB. "Isso não procede", disse. "O que noto é o Maluf tentando se defender do endividamento da cidade", completou.

"Ele [Maluf] fez obras que a cidade não podia arcar", criticou. "Mas, se chegamos a [uma dívida de] R$ 26 bilhões, foi por causa dos juros do PSDB", afirmou, em referência a taxa de juros no país durante o governo FHC.

Ela disse ainda que "isso não quer dizer que ele [Maluf] está protegendo a mim [sic]; ele está dando a Cesar o que é de Cesar".

Segundo números divulgados pela prefeitura no mês passado, a dívida da cidade atingiu R$ 26,1 bilhões, acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. São Paulo já usa 13% do total do que arrecada para pagar dívidas. O próximo prefeito poderá ter 23% do seu Orçamento engessado com o pagamento de débitos.

A obrigatoriedade de cumprir o limite da lei está suspensa por resolução do Senado, mas volta a valer a partir de maio de 2005. Ou seja, após quatro meses de mandato, o próximo prefeito, seja Marta ou um de seus concorrentes, já ficará sujeito ao limite.

A prefeita disse que, quando Maluf assumiu, a dívida de São Paulo era de R$ 3,9 bilhões --em artigo escrito para a Folha em março de 2000, dizia que era de R$ 3,7 bilhões e que, no final de 1999 (penúltimo ano da gestão Pitta), estava em R$ 14 bilhões.

Ontem à tarde, Marta visitou as obras de ampliação do Mercado Municipal, que deverão estar prontas no início de setembro, um mês antes da eleição. "O movimento no mercado já aumentou 50% com as obras", disse.

Bem-humorada, cumprimentou funcionários e parou num bar para comer metade de um sanduíche de mortadela (equivalente a 200 calorias) e pastel de bacalhau (350 calorias), tradicional na casa. "Eles vendem 4.000 pastéis por dia", propagandeou.

Antes, um cliente de outra lanchonete, ao encontrar com Marta, gritou: "Prefeita, eu sou Maluf, e o Maluf vai ganhar esta eleição". Ela sorriu. E, ao cumprimentar outro popular, ouviu: "Prazer em conhecê-la, mas eu não voto aqui. Sou de Santos".

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